O mundo não está tão moderninho: mãe solteira ainda sofre preconceito

Na empolgação de começar a escrever fiquei em dúvida sobre o que deveria ser o primeiro texto. Tinha muitas idéias, mas não conseguia escolher um tema. Isso porque cada vez que tomava minha decisão pensava em seguida “será?”. Optei em escrever sobre como tudo começou…

Desde que me descobri grávida sentia vontade (necessidade na verdade!) de ter um espaço onde pudesse me expressar, contar tudo o que estava acontecendo comigo, de gritar para o mundo “Ei eu estou gráááávida!”. Mas o começo foi difícil. E eu precisei cuidar de tantas coisas que não tive tempo de escrever sobre um sonho que se concretizava: ter um bebê.

Quando descobrimos que estava grávida eu não estava casada. E, embora o mundo pareça bem moderninho em 2013, descobri que ser mãe sem ser casada AINDA é um tabu.

As pessoas arregalavam os olhos e me perguntavam “e agora? o pai vai assumir?”. Ok, até não me ofendia com essa curiosidade. O que me deixava chateada era quando transpareciam (algumas pessoas chegaram a falar) coisas como “por que não se cuidou direito?”. Quem disse que eu não me cuidei?

Aliás, quando alguém te contar alguma coisa cuidado com o julgamento. As pessoas tratavam minha gravidez como uma fatalidade. Como se eu fosse menos mãe comparada com as que tinham namorado anos, noivado, casado de véu e grinalda com direito a lua-de-mel romântica etc etc etc.

Eu e meu (hoje) marido nunca pensamos na minha gravidez como um erro. Sabíamos das responsabilidades que viriam e que contar aos meus pais não seria nada fácil. Não foi mesmo. Mas, uma coisa que faço questão de contar para o Pedro quando ele estiver maiorzinho é que quando o pai dele soube da gravidez ele riu. Riu feliz! Deu uma risada sonora.

Diferente do que as pessoas pensavam, nós ficamos felizes e muito emocionados. Poucos sabem, mas no mês em que me descobri grávida eu faria uma cirurgia no útero. A intervenção ía tirar parte importante do órgão o que dificultaria a manutenção de uma gestação. Passei um tempo muito triste pensando que nunca seria mãe. Não sentiria um bebê mexendo. E eu queria isso demais.

Lembro de pedir a Deus que aliviasse o meu sofrimento. Me ajudasse a aceitar. E olha só: engravidei antes. Assim, tipo presente de Deus. Diante disso, não é claro agora que eu e o pai do Pedro ficamos felizes, agradecidos?!

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