25 semanas de gestação. Foi isso mesmo?

Eu sei que este talvez seja o post mais esperado por aqueles que me conhecem. O post em que eu vou contar do nascimento do Pedro, do nosso tempo de UTI, dos sentimentos, das dores, dos aprendizados. Mas o fato é que serão muitos textos sobre isso. Não tenho como falar tudo de uma vez só. Começo, então, por contar alguns detalhes.

 Pedro nasceu pequeno. Pequeno mesmo: 25 semanas de gestação, 770 gramas e 29,5 centímetros. O normal é um bebê nascer a partir da 38ª semana, de preferência com mais de 3kg e perto dos 50 cm.

 Nascer com menos de 30 semanas de gestação significa ser classificado como prematuro extremo. E o bebê sobreviver significa ser classificado como milagre! Sim, porque a maioria dos casos registrados na medicina indicam que recém-nascidos com menos de 27 semanas de gestação não são viáveis. Explicando no português claro: eles morrem.

 Aí faço uma pausa e volto ao início desse texto: Pedro nasceu com 25 semanas. Sim, meu filho é o exemplo de que as estatísticas da medicina não explicam tudo e de que há algo muito maior entre o nosso parco conhecimento e as regras da vida!

 Os médicos, enfermeiros, profissionais de várias áreas e auxiliares ficavam surpresos com o Pedro. Pelo seu tamanho, pelo seu pouco peso, mas principalmente pela sua força! Desde que nasceu, aliás antes disso ele já me pregava peças, o Pedro surpreendeu. Normalmente, um bebê tão prematuro não chora ao nascer e podem até precisar ser reanimados. A minha obstetra já tinha me alertado para que eu não ficasse (ainda mais) preocupada na hora do parto. SÓ QUE…ele chorou!

 Chorou fraquinho, bem baixinho, e suficientemente alto para fazer a mãe dele ouvir e derramar um rio de emoções. “Ele ta vivo! Ta vivo o meu filho!”, pensei. E começava ali a nossa batalha pela vida, a minha e a dele.

 Imaginem o que é antecipar 13 semanas. Contem assim: hoje é dia 14 de junho, até 14 de setembro quantas vezes você vai acordar e dormir, quantas vezes vai tomar banho, quantas refeições vai fazer? Ou melhor: de abril até hoje pense (se conseguir lembrar) quantas coisas aconteceram na sua vida.

 Pois é, esse foi o tempo que o Pedro adiantou e por conta disso foi classificado como prematuro extremo. São chamados assim os bebês nascidos antes de 30 semanas de gestação. Os riscos são vários: pulmão imaturo, apnéias, coração com formação incompleta, altas chances de ter hemorragias cerebrais, má formação incompleta em vários órgãos, retinopatia (cegueira) da prematuridade etc etc etc.

 Ele precisou de MUITOS cuidados especiais e da dedicação (amor, né gente?!) de todas aquelas técnicas de enfermagem. Ele ficou cerca de 40 dias entubado e com o que eles chamam de manipulação mínima. Mexiam o menos possível nele e tentavam criar um ambiente (incubadora) próximo a realidade do útero: quentinho, úmido, “silencioso”, escuro (se é que dá com tantas luzes e aparelhos apitando). O mais comum, e esperado, seria que o Pedro tivesse algum tipo de seqüela. E pergunta se ele tem alguma? Ne-nhu-ma.

 Resumindo, o Pedro terminou de ser gestado fora da barriga e eu fiquei muito pouco tempo grávida (uma pena. Não deu pra aproveitar como dizem). Descobri já estava com quase dois meses. Com seis meses ele nasceu…poxa, só ganhei quatro meses de mimos!! rs 

 Pedro, chega de susto. Você já gastou sua cota!

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