A rotina do hospital e as amigas que ganhei

Pedro, já contei aqui que a maioria das coisas que planejei para a sua vinda não deu certo. Ainda é um pouco dolorido administrar tudo isso porque a mamãe tem a mania de criar expectativas e se alimenta de sentimentos intensos. Eu ainda preciso me conscientizar que realidade não é novela. Mas, teimo em viver de forma a criar momentos especiais porque a vida por si não é leve filho.

Foi tudo muito rápido entre o dia em que passei mal, me internei e você nasceu. De um dia para o outro mais precisamente. Dor fortíssima do lado direito da barriga. Calafrios que me faziam tremer inteira. Consulta com a obstetra. Ida para o hospital. Internação. Soro com remédio para inibir as contrações. Vários exames de imagem (até uma ressonância magnética). Noite. Durmo. Dia. Levanto para fazer xixi. Bolsa estoura. Passam-se cinco horas. Centro cirúrgico. Você nasce!

No meio da correria, o seu choro. Meu choro. Início do nosso aprendizado. Foram 90 e poucos dias de internação e não houve um só dia em que não estive ao seu lado (mentira teve um. Quando eu e o papai estávamos preparando o apartamento para você! rs). Eram jornadas de 12 horas normalmente, tirava leite a cada 3 horas, esperava para fazer o Método Canguru com você, conversava com os médicos, olhava seu prontuário, acompanhava cada passagem plantão, fazia carinho, esperava por boas notícias. Tive muito medo das intercorrências. Chorei de cansaço e de saudade.

Mas, não tiveram só coisas ruins nesse tempo filho. Conheci pessoas muito legais e casos emocionantes de luta e superação. Com humor (sim, ainda sobrou algo dele no nosso íntimo) criamos uma relação interessante entre mães e a apelidamos de “Rádio Leite”. Os encontros rápidos na sala de ordenha (é isso mesmo. Igual a da vaca. A finalidade também) eram aproveitados para desabafar, para trocar informações, para vibrar com as conquistas dos bebês.

Incrível como nessa relação não havia julgamentos. Sério, filho, acho que foi a única vez na vida que presenciei o altruísmo. Uma amparava a outra, confortava, dava dicas, transmitia força e não questionava a fragilidade. Porque lá entendia-se que há dias bons e dias ruins. ESTÁVAMOS frágeis, não SOMOS fracas. Entende a diferença?

A elas minha eterna gratidão. Carla e Leo; Pilar, Valetina e Manuela; Maiza e Valentina; Gercilene, Bruno e Caio; Sheila, Thales e Laura; Angélica, José e Antonio; Michelle e Melissa; Loraine, Mariana e Julia; Andréia e Alan; Fernanda e Miguel; Ana Paula e João Vitor; Elisabete, Marina, Laura e Estela; Adriana e Maria; Daniela e Beatriz; Vanessa e Rafael; Bruna e Julia.

6 comentários sobre “A rotina do hospital e as amigas que ganhei

  1. Sempre fiz o “Jogo do Contente” q aprendi no livro Poliana q li qdo criança…
    Se não tivéssemos passado por tudo q passamos não conheceríamos pessoas tão especiais!!!!
    Obrigada por fazer mais leve minha “estadia” no Santa Catarina!!!!
    E obrigada por fazer textos tão gostosos e acho q todas as vezes emocionantes!!!!
    Um bjo gde de nós 3 ❤

    • Pilar, o jogo do contente?! Acho que é de você ser contente!!! Quando fico chateada às vezes me lembro de você falando do meu sorriso durante a estadia na UTI. Acho que éramos duas a fazer o jogo do contente!

  2. Querida! Sua história é tão nossa tb… passamos por esses exatos sentimentos há qse 5 anos qdo nossa pequena Sarah nasceu prematura… as visitas, as intercorrências, a ordenha, a ânsia pelo ganho de peso e a alta… mas a Fidelidade de Deus é imensa e superamos essa e tantas outras fases… hoje com outro bb na barriga carrego a esperança de que tudo seja diferente, mas com a certeza de que foi preciso passar por aquela UTI para conhecer pessoas lindas que carregaria para o resto da vida, e amadurecer e perder o que restava de autossuficiência em nós… Hoje dependendo única e exclusivamente de Deus, com uma princesa de qse 5 anos e uma sementinha de pulsante esperança com 8 semanas e 5 dias! Essas lembranças são eternas, esses sentimentos também… de início são feridas dolorosas, mas com o tempo tornam-se marca do que nos fez mais fortes, capazes de superar todo e qualquer obstáculo por nossos pequenos! Feliz por sua superação e por saber que Deus tem os seus meios para a escrever finais felizes na história de nossas vidas mesmo quando achamos que aquele seria o fundo do poço…

    • Raquel, obrigada pela linda mensagem! Quando temos um filho prematuro descobrimos o quanto na verdade isso é comum. Como são numerosos os casos. Mães e bebês tão valentes, não?!

      Parabéns pela sementinha na sua barriga!! Que você tenha uma gravidez tranquila, cheia de amor e paz e que você se sinta plena. Seu bebê já é abençoado. Não nos esqueçamos de que Deus mais uma vez lhe escolheu. Há muito valor nisso!

      Vou visitar o blog da Sarah!

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