Sobre culpa e fungos

Então, você tem um dia cansativo de trabalho e o tempo está frio como…como…como naqueles documentários sobre a saga dos pingüins nas tempestades de neve. Aí você fica super feliz porque o marido foi te salvar buscar no metrô e a sogra fez uma sopinha ma-ra-vi-lho-sa que vai te liberar de fazer jantar quando chegar em casa (fora que a comida dela é sempre uma delícia!). Até que às 11 e tanto da noite você vai trocar a roupa de cama do berço do filhotinho.

Tira tudo e começa a colocar a limpa. Levanta o colchão e…AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH visualiza algo verde no estrado do berço.

M-O-F-O!

Como assim, mofo?????

“Amooorrrrr, vem ver uma coisa!”.

Chega o marido e fica com a mesma cara de “Ãhn? Como assim mofo?”. MOOOOOOOFOOOOOOOO. Caramba, meu. Não basta estar super frio e você querer dormir logo…tem que ter uma surpresa dessa. E o que eu faço? Não há previsão de sol pelo menos por mais uma semana.

Me digam como aquele mofo foi parar ali? Está sempre tudo arejado. O local onde fica o berço (obviamente) não é úmido. O Pedro só molhou o colchão (e foi bem pouco) uma vez que a fralda vazou xixi e eu esturriquei o estofamento num sol escaldante de verão. Nada que justifique aquele mofo verde intruso ali. Aliás, não só num ponto. Ele estava em mais de uma ripa do estrado.

Primeiro fiquei irritada, brava. Mas, depois uma culpa foi tomando culpa de mim.

“Amor?!” (sussurrando)

“Hum?” (marido quase dormindo e soterrado embaixo do edredom)

“Como foi que o mofo foi para ali? Será que é por causa disso que ele andou com o nariz ruim?”

“Não sei. Acho que não”. (marido fofo tentando me acalmar…e dormir. kkkkk)

Fiquei pensado naquelas imagens com zoom que vemos da colônia de fungos na época da escola. Milhares e zilhões de fungos. Depois pensei nos ácaros em como são feios e terríveis para nosso sistema respiratório. Pensei no pulmão broncodisplásico dele. Tanto cuidado para não pegar vento, meses sem sair de casa e definitivamente no nosso caso o inimigo estava morando ao lado! kkkkkkkk

O jeito foi limpar tudo e ir dormir. Mas, engana-se quem pensou que este foi o fim da noite. Alguém sabe de algum efeito toxicológico causado por fungos que fazem a criança não querer dormir?! Pedro estava elétrico.

Não embalava o sono sabe?! Ficou acordando trocentas vezes e reclamava até a gente pegar no berço. Estranho porque ele nunca faz isso. Uma vez no colo…dormia em questão de segundos. Era por no berço e os olhos se arregalavam. Após muitos embalos ele dormiu por algumas horinhas. Se eu dormi?

Eu levantei várias vezes para ver se ele estava coberto porque agitado daquele jeito ía se descobrir com certeza. Até que lá pelas cinco da madruga ele acorda e fica resmungando no berço para gente pegar. Fui, dei tete, ele cochilou. O coloquei no berço e ele…ACORDOU animado para brincar. Gente, nessa hora deu vontade de chorar e gritar de irritação por causa do sono.

Se tem uma coisa que me tira do eixo é ficar privada de dormir. Eu não consigo. Minha biologia não permite. É fisiológico. Sempre fui assim. Olhei pra ele no berço e disse que não iria pegá-lo, que era hora de dormir e não de brincar. Ele deu mais uns resmungos e eu saí de perto repetindo interiormente “Por favor, não chore volte a dormir. Por favor, não chore volte a dormir…”.

Dormiu. Acordou às 7h40 e eu pensando nos fungos. Me sentindo a maior culpada pela invasão desses monstros. Como eu não os percebi ali tão debaixo do meu nariz?! Que mãe eu sou? Me senti culpada. Pensei no risco para os pulmões.

Com o passar do tempo a maternidade te ensina a racionalizar mais (ou minimamente). Tratei de pensar que o episódio nada tinha haver com a minha maternidade, nem com falta de atenção com o Pedro.

Dizem que a gente vive melhor quando aprende a rir até dos problemas. E eu ri dessa história hoje pela manhã quando lembrei da frase “O primeiro filho é um sobrevivente”. Ela nunca fez tanto sentido! kkkk

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Lembro-me desse momento da minha mãe. “Que mulher especial é você!” Tinha tudo para ser uma pessoa triste, infeliz e revoltada com a vida. Poderia não acreditar no amor e tampouco respeitar o próximo já que tantas vezes não tiveram sequer consideração com você. No entanto, você é doce, carinhosa, alegre…a mãe mais linda que eu poderia ter!

Hoje eu te entendo mais. O nascimento do Pedro me fez te compreender e até chorar quando percebi o quanto devo ter te deixado de cabelo em pé de preocupação. Não que eu tenha sido uma má filha. Longe disso. Sempre fui comportada como sabe. Mas, me refiro a preocupação de mãe sabe?! Enquanto estive com o Pedro no hospital me lembrei várias vezes daquela vez que fiquei internada quando era menina e ninguém sabia o que era. Imagino como seu coração deve ter sofrido.

Fiquei embasbacada ao descobrir o quanto sempre fui amada, pois agora sei o que é amor de mãe e filho. Obrigada por tudo sempre. O seu ventre e teus seios, seu amor, as noites sem dormir, os ensinamentos, as brincadeiras, o colo, os princípios, os livros, a fé, os bolos, os franguinhos com batata, as gemadas nas gripes intermináveis…

Mãe, se algum dia passou pela sua cabeça que você errou comigo. Deixa disso! Você foi a melhor para mim. Te amo!

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