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Sobre a mente serena e a carinha indefinível

Hoje, como numa manhã qualquer, fui deixar o filhote na avó (sogra) para poder vir trabalhar. Dirigi toda pimpona até lá e na hora que abri a porta de trás para pegá-lo aquele sorriso arrebatador me…arrebatou! kkkkkkk

Toquei a campainha, a avó veio até o portão e ficamos de papo. Contei do episódio noturno em que fui arrumá-lo no berço e as perninhas estavam molhadas de…suor. Gente, o Pedro tem muito calor. Falamos da roupa fofa que vesti nele e do brinquedo novo até que o avô chegou do mercadinho do bairro. Mais conversas furadas.

Na hora do tchau definitivo fui fechando o portão e olhei para dentro para me despedir (pela quarta vez kkkk) do Pedro. E foi então que ela surgiu: a carinha indefinível. Ele me olhou por entre as grades do portão com uma carinha nunca d’antes avistada por mim! Ficou sério. Levantou as sobrancelhas. Achei que fosse fazer o beicinho do pré-chorosentido. Meu coração parou por um segundo.

“Tchau Pedro. Te amo. Fica com Deus. Obedece a vovó”. Entrei no carro rapidamente, liguei, engatei a primeira e parti.

Por hoje escapei, mas não sei não. Tô avistando lágrimas de despedida em breve. Ele já resmunga quando o pai sai antes de nós.

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Hoje acordei com uma sensação boa. Sei lá, um misto de: leveza no ar; de calor de verão; de gratidão por ter tudo o que tenho. Talvez seja só coisa da minha cabeça ou resultado do banho refrescante matinal que os dias quentes exigem. Mas, desconfio que seja estado de espírito mesmo.

Sabe quando sua mente acorda silenciosa? Você desperta, decide sair da cama e vai fazer o que tem de fazer. Mas, a mente está ali: quieta, serena, sem nenhum pensamento gritando enquanto você escova o dente e toma café da manhã. Seu espírito está calmo, seu corpo está ok.

Pra mim isso é raro. Quase sempre tenho um milhão de coisas para resolver, fazer, executar, cuidar e a minha cabeça está sempre uma bagunça. Mas, hoje acordei com a mente silenciosa e calma como praia que não tem onda. No máximo uma marolinha que morre na beirinha fazendo pouca espuma.

Delícia.

Aprecio dias assim como quem experimenta um bom vinho e deixa o líquido passear pela boca. Aquela sensação saborosa, de prazer, de satisfação. Como é bom!

Fim da minha viagem pessoal (e olha que o vinho foi meramente ilustrativo, gente).

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Um ano de uma vida toda

Já faz um ano que eu passei pela experiência mais forte e chocante da minha vida. Sem exagero. Simples e seco assim. 17 de outubro de 2012…….17 de outubro de 2013.

Há um ano eu me senti mal no trabalho, internei, passei a noite no hospital, minha bolsa rompeu pela manhã e veio a cesárea de emergência. 25 semanas de gestação. Bebezico de 770 gramas. 29,5 cm. Meu Pedro chegou!

Quão bipolar é a vida que nos surpreende com momentos miscigenados de alegria e tristeza. O cérebro chega a fritar: sorrir de nervoso e chorar de alegria. Vivi uma montanha-russa de emoções até agora. No tempo de UTI, e um pouco depois dela, chorei todas as lágrimas que tinha em mim. Descobri uma força para suportar o sofrimento que nem sabia que tinha. Redescobri minha fé. Deixei para trás parte do que tinha virado habitual até ali.

Perdi e ganhei. Ganhei muito. Ganhei um coração que bate fora de mim, conheci o amor incondicional, gerei vida, cheirei bebê, acompanhei descobertas de criança, presenciei fofurices sem fim, revi conceitos, mudei atitudes, redescobri habilidades, relembrei músicas da infância, ganhei uma cicatriz (ou algumas), aprendi a pedir ajuda, aumentei minha fé…

Lá pelo segundo mês de UTI me lembro de pensar “Quando sairmos daqui os dias serão tão diferentes, as memórias ficarão tão distantes, que quase não vou me lembrar daqui”. E assim foi. Hoje quando lembro chego a duvidar de mim mesma e me espanto a constatar que nós passamos por tudo aquilo. Caramba, parece história de filme de drama. Mas, sim nós realmente vivemos aquele roteiro.

Envelheci bem mais que um ano em 365 dias…quanto a isso não há dúvida. Vivenciei o clichê do “amadurecer a força”. Não que antes eu fosse uma insensata, nem tão pouco uma fútil. Nada disso. Tô falando de amadurecimento interno, de reforma interior, de mudança obrigatória nas atitudes e de resiliência.

Quando temos um filho, renascemos com ele. Nunca mais seremos como antes. Demorei a entender isso e acho que ainda não aceitei totalmente a ideia. Porém, olho para o rosto do Pedro e penso que não poderia mais viver sem ele. Hoje ele faz parte de mim.

Esse é o primeiro ano de uma vida toda…ainda bem!

Te amo!

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A dois dias de completar um ano: o relato do parto

A dois dias do Pedro completar um ano sinto algo que não sei explicar muito bem. É uma mistura bem maluca de emoções. Estou abismada de como o tempo correu tão rápido a ponto de só as comemorações formais me lembrarem que faremos um ano nessa relação de mãe e filho.

Ontem a noite ao deitar fiquei pensando que ano passado nessa mesma época o tempo já estava bem quente. Eu gravidinha de seis meses já sofria um pouco para ir ao trabalho. Pensava “Nossa, imagine quando estiver com barrigão de 9 meses”. Mal sabia eu…rs

Lembrei também do aniversário do afilhado duas semanas antes do nascimento prematuro do Pedro. Fui de vestido e salto no maior estilo “grávida também se cuida”. Ao final do mesmo dia comecei a dar os primeiros espirros de uma gripe horrenda que me deixou de cama por 10 dias. Nessa noite namorei a luz da lua na varanda da casa da minha sogra e fiz preguiça no sofá com o marido enquanto ele tirava umas fotos da minha barriga. HAHAHA… hoje quando olho essas imagens acho que parece que eu tinha uma almofada embaixo da roupa!!

Os dias seguiram e minha obstetra me afastou do trabalho porque a gripe estava me deixando moída. No dia 13 (um sábado) voltei do shopping onde havia encontrado duas grandes amigas e senti uma forte dor do lado direito da barriga. Liguei para a médica. Liguei para o marido que estava trabalhando. Pedi socorro ao pai porque não conseguia ir até a cozinha buscar o Buscopan. A dor era tão forte que eu não conseguia andar, nem sentar, fiquei travada de pé apoiada num móvel do meu antigo quarto. Tomei remédio, deitei, dormi.

Acordei no domingo (15) me sentindo melhor, mas ainda com uma dorzinha chata. Marido saiu do trabalho e fomos ao hospital: fiz exames, fui medicada e me mandaram de volta pra casa. Dois dias depois voltei ao trabalho, mas não consegui ficar na minha mesa nem por uma hora. Comecei a me sentir estranha: frio, tremedeira, fraqueza, dor no lado direito da barriga. Fui ao ambulatório: temperatura, pressão, glicemia estavam normais. Liguei para a obstetra e fui ao consultório. O exame físico indicou contrações e um pouco de febre. Fui internada na hora.

No soro colocaram Inibina que parecia água para mim. As contrações continuaram e, se até então eu não sentia nada, naquela altura já sentia as contrações (ainda sem dor) em ondas subindo até o meu umbigo. Nada de descobrirem o que era aquela dor do lado direito na barriga. Ultrassons, exame de urina, até ressonância magnética fizeram para investigar se não era uma apendicite.

Por precaução minha médica me deixou internada. No dia seguinte, 17/10, às 7 da manhã minha bolsa rompeu durante uma ida ao banheiro para o xixi matinal! Uma quarta-feira quente, ensolarada e de muito trânsito em São Paulo. Para ter uma ideia meu pai demorou mais de duas horas para chegar na Paulista. Imagine se eu não tivesse ficado internada e precisasse chegar rapidamente ao hospital…

O trabalho de parto seguiu. Contrações doloridas com intervalos malucos e nada de dilatação. (pausa: o exame de toque dói absurdamente mais do que a contração. Case defendido por todas as mulheres que perguntei).

O marido permaneceu ao meu lado o tempo todo. Acompanhou tudo do jeito calado dele, mas sem largar a minha mão por nenhum momento. Cada vez que vinha a dor eu recebia carinho no rosto, na mão, nos cabelos. Ainda me impressiono de lembrar que esses pequenos  gestos me deixaram mais confortada, mais confiante, mais protegida.

Se eu estava assustada? Demais. Num grau difícil de explicar. Eu estava muito confusa. Sabia da enorme chance/probabilidade dele não sobreviver. Queria reverter o processo. Queria tampar a saída. Mas sabia que teriam que tirá-lo da minha barriga. Eram muitos pensamentos ao mesmo tempo. Eu queria uma pausa para conversar sobre o assunto com o marido (!!) porque nascia em mim uma culpa terrível e irracional. Eu não conseguia falar. Não conseguia organizar frases.

Sala de parto, acessos, anestesia, aflição da sensação de adormecimento, cheiro de carne queimada por causa do bisturi elétrico, chega o marido, carinho no rosto, mais cheiro de carne queimada. Eu estava muito tensa. Queria que terminasse logo. Fiquei o tempo todo olhando para uma luminária no teto. Orava pedindo força para suportar e vida para o Pedro.

Um choro. Um choro baixinho me tirou da louca tensão e me chamou de volta a realidade me avisando que ele tinha vida. Era ele…o meu Pedro, meu menino, meu aniversariante da semana.

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Educação? Cidadania, por favor.

Eu sou daquelas pessoas que acha a educação, a polidez, algo importante. Me pego várias vezes me policiando para não exagerar e ser chatíssima. Mas, minhas convicções me dizem que o mínimo de educação para viver em sociedade é como os itens básicos de um carro: já deveria vir de fábrica.

Porque nenhum carro sai sem porta, rodas e travas, certo?  Se você quer portas traseiras, rodas de liga leve e sistema elétrico para os vidros é outra questão. São itens de luxo, dão uma graça maior ao veículo. Mas, todos sem exceção saem com portas, vidros e travas. Assim deveria ser com a educação. Todo mundo já deveria nascer sabendo que é importante/preciso/faz parte/facilita a vida respeitar o próximo.

Só que né, gente…não é assim! Convivemos com pessoas que (em sua grande maioria) sempre tiram proveito de alguém, de uma situação, até mesmo em coisas pequenas como perceber o troco a mais e simplesmente não devolver. Ou, parar em vagas reservadas porque “tem tantas” né oras bolas.

O que me intriga mais nesses casos é a falta de consideração com o próximo. Em ambos os casos (e noutros tantos) sempre tem um que se ferra. E no caso você está ferrando o outro: um ser igual a você que tem família, cansaço, pressa, fome…passível de usar as mesmas justificativas que você! Já pensou no que acontece quando ao final do dia ao fechar o caixa as contas não batem?

Você não é um otário quando espera sua vez na fila ou devolve o dinheiro, e sim honesto. O contrário, entretanto, faz de você um ser humano egoísta, sem educação, espertinho e sem o mínimo de consideração ao próximo.

Lembro-me de que quando estava grávida precisei pedir umas duas vezes para levantarem do assento preferencial. As pessoas levantaram bufando e fazendo aquela cara de “ai que saco a barriga dela nem está tão grande”. Pera aí. Não era meu direito? E mais, mesmo que não fosse meu direito, seria uma gentileza me deixarem sentar diante do peso da barriga, do risco de queda e bla bla bla. O pior é pensar que, provavelmente, ela teria ficado muito brava se o ocorrido fosse tivesse acontecido com alguém da família dela ou amiga, mas como foi com uma estranha. Então…ema ema ema*

Outro dia minha chefe me contou que uma vez uma mulher disse para a gestante “Gravidez não é doença. Você pode ir de pé”. Pelamordedeus…o que está acontecendo com o mundo? E a mulher que eu vi arremessar uma sacolinha de lixo pela janela do 23º andar!? Não acreditei.

Estou falando de coisas triviais, das rotinas diárias, dos limites necessários para a convivência em sociedade. Outro dia esperando o metrô uma menina (dessas que se acham espertas, ligeiras) ultrapassou todo um grupo de pessoas que aguardava a chegada do vagão, se esgueirou pela lateral, entrou na frente de todo mundo e ainda deu uma corridinha esbarrando em outras pessoas só para poder sentar. Fiquei pensando como seria melhor se no mínimo as pessoas se esforçassem para não serem espertinhas idiotas sem educação. Estávamos lá, eu e mais umas 10 pessoas, todo mundo esperando a vez. Todo mundo posicionado aguardando os de dentro saírem para então nós entrarmos. Mas, ah…para que esperar né? “Vou passar esses lerdos” deve ter pensado.

Tudo isso para chegar a conclusão (mais do que óbvia) de que somos todos responsáveis por aquilo que as crianças aprendem como correto, pelo modo como vão tratar o próximo, por como respeitam o planeta e pelas situações que presenciamos diariamente. Sou contra os regimes de educação que fazem da criança um robô ou parecer um bichinho em adestramento que merece prenda quando acerta.

Contudo, é importantíssimo lembrar que a criança não é um mini adulto cujos ensinamentos já foram consolidados e que aquele ato ou resposta mal criada foi apenas um lapso. É preciso considerar que ela está em formação e a reafirmação do correto é sempre pedagógica. Às vezes pode parecer apenas uma brincadeira de criança para os adultos, mas elas nem sempre são só brincadeiras. Funcionam como teste de aprovação dos pais: se eles não falarem nada é sinal de que posso agir/fazer/falar assim.

Convenhamos…às vezes estamos tão cansados que só de pensar em dar bronca, conversar (e para não sermos chatos), deixamos passar muitas coisas. Mas, lembremos das pessoas sem noção que encontramos pelo caminho e bora educar com qualidade!

Oremos. rsrsrsrs

*Da célebre frase “Ema ema ema cada um com os seus problemas”. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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Colo, dar ou não dar. Eis a questão.

Eu sei que serão muitos comentários e opiniões após esse post. E que vão surgir mil pensamentos na cabeça de vocês enquanto me leem. Inevitável meu caro Watson (kkkkkkkkkkkkk). Mas, a verdade é que a maternagem é vivida de forma diferente e toda mãe age sempre pensando ser aquele o melhor caminho. Tem gente a favor da cama compartilhada, tem gente que não. Há mães que optam por não usar berço e acomodar o bebê num quarto montessoriano. Tem pais que acreditam que deixar o bebê chorar até dormir é uma forma de ensiná-lo a dormir, tem outros que não. E assim vai.

Desde……sem-pre fui uma pessoa muito rígida com convicções, opiniões. Mentalmente (e não só pensando bem) eu vivia dizendo que meu(s) filho(s) não faria(m) isso ou aquilo. Ou que seriam ensinados a tal e tal coisa. Mas o tempo passa, e além da maturidade, a maternidade te ensina muito. E uma coisa, querida (o) que ter filhos te ensina é: pare de cuspir para cima porque sempre cairá bem gosmento na sua testa. PLAF!

Você entende que aquilo tudo que você sempre acreditou, defendeu, esbravejou é um pouco diferente na prática. E precisa ser. Explico.

Antes da aventura experiência de ter filhos a gente só imagina. A prática é outra coisa. Seu filho não vai funcionar como um robô e muito menos virá com um manual com o passo a passo para caso o “produto” não funcione da maneira esperada. Kkkkk Daí…naquele momento de estresse você acaba adaptando suas convicções para a vida real.

Seu filho, embora também humano, não é igual ao irmão, primo, vizinho, amiguinho da creche. Ele tem necessidades, particularidades, medos, curiosidades que são só dele. Você não pode tratá-lo como mais um, certo? Se você, adulto, não age/gosta/acredita nas mesmas coisas que seu irmão, primo, vizinho, amigo do trabalho por que ele deveria funcionar assim?

Quando ainda estava de licença maternidade não pegava o Pedro no colo quando via que era manha. Deixava chorar. Explicava que só o pegaria quando parasse de chorar porque não havia motivo algum para tantas lágrimas. Me irritava. Me estressava. Até que um dia li sobre estudos da psicologia que mostram os marcos de desenvolvimento do bebê. Até uma certa idade eles não entendem que são seres independentes da mãe e tem medo de abandono, ansiedade de separação.  Eles não sabem que ao sair de perto você voltará. Para eles é como se você literalmente desaparecesse. Sumiu. Não vai voltar. Adeus, mamãe.

Aí lembrei da minha infância. Me colocavam na cama dos meus pais para dormir a tarde, fechavam a janela, a porta e eu ficava lá até dormir. Eu chorava muito, claro. Me lembro da sensação até hoje (infância mal resolvida kkkk). Pra completar a minha irmã mais velha não precisava dormir e ficava com a empregada brincando. Imagine que legal.

E foi a partir dessa memória, e do texto lido, que passei a não deixar mais o Pedro chorando. Ai que dor no meu coração. Ele não entendia que eu ía, mas voltaria. Chorava porque me queria por perto. Queria segurança. Aconchego. Ouvi muita gente dizendo que eu não deveria acostumá-lo ao colo; que se tornaria dependente; que seria o inferno na Terra…Mas, a verdade é que depois que passei a pegá-lo no colo quando choramingava ele ficou melhor. Difícil ter aquela crise de choro. Reclama, resmunga, simula um “vou chorar pra sempre se você não vier agora”, mas está melhor.

Sim, como a maioria das crianças ele pede colo. Porém, fica sozinho também. Fica no carrinho, no tapete de atividades, no berço, na cama. Não, eu não dou colo por nada e continuo durona. Tem dias que ele quer que a gente fique de pé com ele dando um passeio pela casa. Rá. No way, Pedro. Mas, colinho pra aconchego ele tem de sobra.

Pronto. Me julguem! rs

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