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A mamãe e o Queen

A fase gostosa da criança gostar/se entreter com música chegou lá em casa. Engraçado que desde o nascimento dele eu tentava estabelecer o “vínculo cantarolante” que falam por aí ser suuuuper importante/legal/estimulante/fofo…só que não rolava. Era eu cantar e ele nem ligar. Chorava mais alto? Atacava tomates? Kkkk

Eu incorporava a Whitney Houston e ele nem ‘tchum’. Frustrante minha gente.

Até que um dia ele estava lá todo bravo por ter acabado a hora do banho e sem pensar comecei a cantar. “Piruuuuulííííííííto que bate bate. Piruuuuulííííííííto que já bateu. Quem gosta de mim é ela quem gosta delááá? Sou êêêêêuuuu”. E de repente vejo um sorriso sem vergonha naquela carinha redonda. Ponto pra mim!

Depois desse dia eu sempre canto para ele quando ele está resmungando ou vai começar a chorar de birra. É batata. Ele para e fica me olhando cantar. Às vezes sorri. Às vezes mexe a boquinha junto. Às vezes bate palma. Nhóóóiimm!!! ❤ ❤ ❤

Comecei a experimentar outras músicas tradicionais infantis e algumas da Galinha Pintadinha que ele a-do-ra e escuta no final das sessões de fisioterapia. Outro dia usei essa artimanha no carro. O trânsito de São Paulo estava daquele jeito e não tinha o que fazer. Estava tudo tão parado que eu não tinha nem como encostar o carro em algum ponto e tirá-lo um pouco da cadeirinha. Até porque, o conhecendo bem, se fizesse isso e depois pusesse de novo na cadeirinha ele ligaria o “modo choro” novamente.

Nove de Julho travada e bebê esgoelando no banco de trás.” Oh my God, me teletransporta para casa, pensei”. Quem já passou por essa situação sabe bem o que é ter um bebê chorando cada vez mais alto dentro do carro e você não ter o que fazer.

Faço a lista mentalmente:

  • ·         Fome: não acabou de tomar mamadeira
  • ·         Fralda: também está trocada
  • ·         Dor: ?
  • ·         Tédio/irritação: sim…do anda-pára de SP

“Filho, por favor, ajuda a mamãe. Não tem o que fazer. Ò escuta a música que legal.” E eu aumento o som do rádio.

“Buáááááááááááá´”.

Que agonia minha gente! Olho pra frente, pros lados, pra trás. Tudo parado. Nem um movimento há 7 minutos. Aaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh……..

“Buáááááááááááá´”.

 “Filho, olha, canta com a mamãe: “Piruuuuulííííííííto que bate bate. Piruuuuulííííííííto que já bateu. Quem gosta de mim é ela quem gosta delááá? Sou êêêêêuuuu”.

Ao final da cantiga: silêncio. Uns resmunguinhos de bebê. Mas, silêncio.

Será que encontrei um jeito? Será? Será? Será?

“Buáááááááááááááááá”.

E a mãe recomeça: “Pó pó pó pópó. Pópó pópópó. Quem é que tem um monte de pintinhas? É a Galinha Pintadinha. Quem é que tem a pena azulzinha? É a Galinha Pintadinha….”

Ao final da música: silêncio.

Sim, minha gente!  Ele parou de chorar e depois de umas 4 músicas o trânsito andou um pouquinho e eu conseguir fugir para uma rota alternativa. Ufaaa.

Depois de tal feito e vendo o velocímetro nos 60 km/h a música que veio a cabeça não foi a do pirulito, nem de galinha com pena azulzinha nenhuma, foi do Queen…..

“Weeeee are the champions my frieeeendsssss. And we’ll keeeep ooooon fighting Tiiilllllllll the eeeennnnd….”

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…

 

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Sobre aniversários, os de idade e os de incubadora

Outro dia seguia para trabalho e ouvi um menininho comentar com a mãe. “1, 2, 3, 4, 5…..100. Eu vou viver atéééé os 100 anos e depois vou morrer”, disse ele. Sorri sem olhar para os dois e pensei como é linda a inocência e a sinceridade das crianças. É puro. É um pensar e falar.

A conversa sobre quanto tempo viver me fez pensar sobre o meu próprio aniversário que está logo aí. Eu durante esses quase 27 anos sempre gostei de comemorar a data. É um dia em que eu sinto minha energia diferente. É um dia em que pessoas muito queridas me dizem, ou fazem, coisas de tamanha delicadeza para me mostrar que o tempo não é capaz de desfazer amizades verdadeiras e que elas gostam de mim exatamente do jeito que eu sou. E eu? Eu fico sorrindo querendo viver 100 anos.

Fiquei pensando: será que mesmo depois de tanto tempo minha mãe ainda se emociona quando lembra do meu nascimento? Sempre gostei de ouvi-la contando sobre o dia do meu nascimento, de como foi a primeira vez que ela me viu de “olhinhos piscando rápido e o cabelo todo espetado”.

É tão emocionante o nascimento. É um milagre indescritível e de fato sublime. O baby está na barriguinha da mommy e de repente PLUFT! Ar nos pulmões, claridade nos olhos, frio na pele, sensação de fome. É vida começando. A lembrança do Pedro saindo da minha barriga é tão forte! Aquele choro anunciando a vida. Aquelas lágrimas que não consegui segurar que escorreram quente pra minha nuca. As palavras do pai do Pedro no meu ouvido “Nasceu, Amor. Nosso filho nasceu. Ele é piquitico”.

Tudo isso (nada prolixa!) para contar que o aniversário desse ano tem comemoração dupla porque, enquanto eu completo 27 anos, o Pedro completa um ano fora da incubadora. Há um ano cheguei na UTI pela manhã e levei o maior susto vendo um bercinho aquecido no lugar onde ficava a incubadora dele. O primeiro pensamento foi já imaginando o pior, retrocesso…Mas, nada! Meu menino tinha finalmente saído da incubadora após 2 meses e 5 dias de nascimento.

Lembro de ter ficado paralisada em frente ao bercinho com as mãos no rosto, incrédula olhando para ele. Um misto de euforia e medo.

As auxiliares de enfermagem vieram conversar comigo só que eu não conseguia prestar atenção direito no que elas estavam falando. Só voltei a realidade quando elas disseram “Agora, o acesso a ele é livre apesar de todo o cuidado que ainda permanece. Você já pode trocar as fraldas e dar banho todos os dias”. “Ai meu coração!!”, eu pensei.

Nesse dia (22/12/2012) eu e o Pedro começamos a nossa relação de toque. Até então só nos víamos pelo “vidro” da incubadora e ficávamos em contato nas horas do Canguru. Foi incrível poder tocá-lo; pegar no colo; cuidar; sentir o cheirinho e pouco a pouco começar uma rotina próxima do normal entre mãe e filho. Nesse mesmo dia troquei a primeira fralda dele tremendo de medo. Ele tinha pouco mais de 2kg!

Por isso, e tudo mais, parabéns para nós Pedro! Você é sempre o meu melhor presente.

Olhem que tamanico de gente! Isso porque já tinha crescido. Ainda nem podia usar roupinha.

Olhem que tamanico de gente! Isso porque já tinha crescido. Ainda nem podia usar roupinha.

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Carta a Deus

Escrito ao som de Oração ao Tempo – Caetano Veloso

“Querido Deus,

Eu nunca te escrevi. Você me deu um dom que me faz tão feliz, que traz o meu sustento e eu nunca retribuí com uma palavrinha sequer. Desculpe por isso. Eu nunca tinha me dado conta. Espero que ainda esteja em tempo.

Me sinto a vontade para escrever da minha maneira livre e espontânea porque você conhece meu coração melhor do que eu e por isso, sabe que eu gosto de ser direta nas palavras, não deixar nas entrelinhas.

Acontece, Pai, que durante as minhas reflexões natalícias/reveillonísticas me peguei pensando muito em o que eu quero realizar em 2014 (futuro) e nas falhas que cometi em 2013 (passado). Com o passar dos dias comecei a entrar num clima chato, tristonho, que nada tem a haver com essa época do ano em que devemos relembrar o nascimento do seu filho Jesus e sermos gratos por Ele ter dado a vida por todos nós. Maior prova de amor não há, certamente.

Percebi, Pai, que estava sendo egoísta contigo. Estava tendo a atitude que mais me deixa indignada com relação aos humanos. Perdã…Eu sei. Não preciso terminar a palavra porque em seu amor infinito já me perdoou antes mesmo que eu terminasse de escrever.

Eu só queria lhe dizer, e não deixar passar a oportunidade, que sou completamente grata pela minha vida. Por tudo, meu Senhor. Tem dias que me sinto tão cansada que adormeço sem antes fazer uma oração de agradecimento. Contudo, não entenda isso como desleixo, falta de gratidão.

Sou grata pelo meu respirar, caminhar, enxergar. Pela minha linda família. Pelo meu emprego. Pelas pessoas queridas com quem tenho o prazer de desfrutar essa vida. Pela proteção nos trajetos. Pelas conquistas pessoais. Por todas as paisagens que já pude ver. Pelos pequenos presentes que me concede diariamente.

Obrigada Pai, por ser tão generoso comigo. Obrigada por esse amor infindável que não desiste de mim mesmo quando o questiono, cometo meus erros e perco a paciência.

Obrigada meu Senhor pelo presente mais lindo que eu poderia ter recebido. A vida do Pedro é sem dúvida a maior prova desse seu Amor infindável e da sua misericórdia. Me desculpe pela briga que tivemos naquele banheiro de hospital quando ele nasceu. Eu sentia a dor e via as feridas na alma sem compreender que grande aprendizado o Senhor me reservava. O Pedro é maravilhoso, Pai! Que lindos olhos o Senhor escolheu para sorrir para mim!!

Obrigada por ter permitido que eu vivesse dias tão lindos com o homem com quem hoje sou casada. Eles foram tão importantes para mim como o Senhor bem sabe. Com ele aprendo a partilhar, ceder, amar, perdoar, e…..cozinhar! Claro! kkkkkkkkkkkkkk

Obrigada pela natureza tão linda que criou. Fico encantada em frente ao mar, olhando a Lua e as montanhas, percebendo a perfeição dos animais e de toda a sinergia que isso tem.

Obrigada pelos milagres que concede, pelos casais que une, pelas segundas, terceiras, quartas, quintas…chances que nos dá.

Também queria que soubesse que sou feliz por agora te chamar de Pai. Lembra eu não conseguia fazer isso?! Achava estranho quando faziam. Foi preciso tempo para que eu me acostumasse a ser tão íntima de ti. Aconteceu no momento de dor mais difícil que tive até aqui, mas em que Tu me ensinaste a ser melhor. Muito melhor.

Obrigada, Pai. Foi preciso que Tu fosses duro comigo para que eu então entendesse que ser humilde não é apenas tratar os outros como iguais, vai além. É ter certeza do seu amor infinito e confiar. Confiar de olhos fechados mesmo em momentos difíceis. Ter disponibilidade para mudar hábitos. Saber agradecer. É oferecer a outra face em algumas situações. É compreender que ninguém é autossuficiente.

Com todo o meu amor,

                                             filha.”

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Mãe não sente preguiça, sente cansaço!

Pode perguntar para qualquer gestante ou mãe: você já fez alguma coisa completamente absurda depois que engravidou/pariu?

Tenho certeza que ela vai responder que sim e ainda vai te contar alguma coisa hilária, maluca, sem noção, engraçadíssima. Daquelas de doer a barriga de tanto rir e que vai te fazer pensar em  seguida “ai meu Deus, to preocupada com a segurança do baby fulaninha/fulaninho”.

Olha é cada uma que eu nem acredito quando leio/escuto. Eu chamo de insanidade gravídica, loucura materna! É fato que acontece alguma coisa com o cérebro feminino durante a gestação e depois dela. Ele fica meio burrinho, com um gigante déficit de atenção e obviamente meio tonto de sono. Durante a gravidez ainda é possível explicar os micos partindo do princípio que a culpa é dos hormônios. Mas, como explicar as insanidades no pós-parto?

Eu tenho uma convicção: os grandes vilões do pós-parto são com certeza o cansaço, a privação de sono, as mil e umas coisas para fazer num único dia. Lendo um post de outro blog (que aliás eu adoro) sobre essas insanidades maternas comecei a fazer minha listinha. Eu já…

  • ·         Saí com a blusa do avesso para trabalhar. Fiz todo o trajeto, entrei no prédio e só fui me dar conta do erro quando fui ao banheiro e me olhei no espelho. O bom é que você fica com vergonha, mas está lá sozinha para poder rir de si mesma
  • ·         Já tentei passar o Bilhete Único para SAIR do metrô
  • ·         Me arrumei toda para sair, peguei o Pedro, a malinha, a minha bolsa, o bebê conforto e quando chego na garagem me dou conta de que estava de chinelo. Tive que voltar tudo para colocar um sapato
  • ·         Guardei o azeite na geladeira. Estava cozinhando e precisava do tempero. Procurei no armário: nada. Procurei em outros locais: nada. Quando não tinha mais onde procurar abri a geladeira e TCHARÃ
  • ·         Já fiquei assustada ao olhar no tapetinho de atividades e não encontrá-lo. Suei frio de preocupação…daí lembrei que tinha colocado ele no berço. TÓIM!
  • ·         Outro dia tranquei a porta e esqueci a chave lá pendurada. Só me dei conta quando voltei para casa após deixá-lo na avó e revirei a bolsa tentando encontrá-la. Olhei para frente e lá estava ela penduradinha, fofinha me esperando (essa me preocupou)
  • ·         Já desci na garagem errada. Já tentei abrir a porta do apartamento de um andar que não era o meu…
  • ·         A mais recente foi jogar a bucha de lavar louça no lixo. A pessoa aqui lavou uma parte da louça e depois enxaguou. Faltavam mais dois potinhos e…”cadê a bucha?”. Minuto depois abro a tampa do lixinho da pia e lá estava ela: úmida, abandonada, desolada a amarelinha kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Eu não sei você, mas se eu fico sem dormir HÁ HÁ HÁ HÁ fico com a cara do fracasso! Fora a enorme falta de atenção e a incapacidade para lembrar palavras e organizar um diálogo coerente.  Minha mãe gosta de falar para os outros que quando eu estou com sono é melhor me deixar dormir se não quiser ser atropelado pelo meu mau humor.

Nem dá para comparar o cansaço que sinto hoje com o dos primeiros meses do Pedro em casa. O início é muito mais difícil por conta da amamentação na madrugada e das cólicas que te fazem acordar várias vezes durante o período em que você deveria estar descansando. Enquanto todos dormem você não dorme e enquanto todos trabalham você trabalha também…só que em casa. Enquanto o bebê dorme há uma casa para ser cuidada, um corpo (o seu, olhe só!) para ser alimentado e limpo. Então, enquanto o bebê dorme nós mães damos conta de todo o resto.

E com o retorno da licença maternidade você passa a ter dupla jornada. Por isso digo que depois de se tornar mãe não existe mais preguiça…é cansaço mesmo!! Preguiça é artigo de luxo para aqueles que podem escolher não fazer algo. Com mãe não tem essa. Você tem um mini ser dependendo de você para comer, dormir, tomar banho, beber água/leite/suco, se entreter…

Por isso, eu digo: nunca diga para uma mãe que ela está com preguiça. Ela está cansada isso sim! E, ah…ajudem as mamães e protejam os bebês! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

sono

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Tenho um “engarrastinhador” em casa

O post de hoje é sobre a mais nova conquista do Pedro. Aconteceu de manhã enquanto eu colocava uma ordenzinha na casa e o deixei no tapetinho de atividades. Ele já vinha ensaiando há algum tempo, mas hoje decidiu que mostraria a mamãe mais um show de superação. Pedro começou a se arrastar, um pré engatinhar. Agora ele coloca os bracinhos para frente e puxa o corpinho para frente. (clique para ver)

Isso significa tanto pra mim. Sempre digo que o Pedro é o meu milagre, é a maior prova do amor de Deus por mim. É muito alegre vê-lo conquistando pouco a pouco sua autonomia, suas capacidades motoras, as aptidões de uma criança comum.

Além disso, o Pedro tem contrariado o que muitos profissionais da saúde rotularam como impossível ou pouco provável. Desde o seu nascimento ouvi o quanto era grave seu nascimento prematuro, como era grande a chance de ter sequelas, a constatação de que muito provavelmente o cérebro tinha sido afetado. Grandezas sempre inversamente proporcionais: o mal era sempre agigantado, o bom era sempre apequenado.

Contudo, seguimos confiantes. Por vezes vacilei e quase me deixei levar pela ideia de negatividade porque não é fácil. É uma rotina diária de exercícios, estímulos motores e visuais, que demora a mostrar resultados. Aliás, a mostrar resultados da forma como queremos. Pois, a ansiedade é grande e por nós ele teria andado logo no primeiro mês de fisio. Porém, não é assim. É preciso tempo. É preciso amadurecimento, dele e nosso.

Foi o próprio Pedro o responsável pela nossa insistência. Foi sempre ele que nos mostrou que não podíamos desacreditar. Algo que ele fez desde o seu nascimento quando lutou pela vida mesmo quando a maioria nos dizia “é muito difícil”; “é muito grave”; “é muito complicado”; “é pouco provável”.

Ao sinal do mínimo desânimo ele faz algo para nos mostrar que é capaz de mais: de fazer mais, de evoluir mais, de encher nossos corações com mais alegria e orgulho.

Filho, obrigada por ser assim lindo e ter os olhos mais brilhantes que já tive o prazer de conhecer. Você é o meu milagre, eu me orgulho muito de você. Estou feliz!!

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Boletim médico e devaneios de mãe na padoca

Hoje fomos ao oftalmologista. Pedro ainda tem um pouco de hipermetropia mas, segundo o médico, é normal para a idade dele. Graças a Deus estamos, de fato, livres da Retinopatia da Prematuridade. O Fundo de Olho está limpo e retorno só daqui um ano. Êêêêê!!!

Durante a consulta fiquei observado o Pedro no colo do pai enquanto o médico o examinava e me lembrei de algumas coisas. Como cresceu esse menino! Da última vez que estivemos no consultório ele tinha seis meses e fez o exame de fundo do olho deitado na mesa do oftalmo. Hoje ele estava todo serelepe querendo só ficar de pé no colo do pai e reclamou um monte quando o médico pingou colírio nos olhinhos.

Meu coração de mãe sorriu feliz da vida ao ouvir “Está tudo bem. Retorno só daqui um ano”. Adeus, risco para baixa visão! O Pedro venceu você! Rá!

Daí começamos a segunda parte da manhã com um gostoso café da manhã na padoca. E eu fiquei ainda mais feliz porque eu adoro tomar café da manhã em padaria com todas aquelas coisas gostosas ao alcance dos olhos, nariz, mãos e boca! Misto quente com suco de abacaxi e dois mini pãezinhos doces cobertos com chocolate derretido e raspinhas. Nhaaaammmm. #2quilosamais

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Enquanto eu terminava meu delicioso misto, o marido e o F* foram ao banheiro. Eu olhei para o lado e vi o Pedro brincando de pegar os pés e puxar as meias. Uma cena simples e realmente capaz de enternecer o coração desta mãe.

Pedro brincava feliz e alheio ao mundo ao seu redor. Esse mundo que tanto tem de bom e de ruim . O que mais me chamou atenção na cena foi a fragilidade, a vulnerabilidade dele. O bebê conforto estava de costas pra mim de modo que ele não podia me ver. O pai e o irmão levantaram, saíram de sua visão e mesmo assim ele permaneceu sereno brincando com suas meias.

O imaginei ali sozinho. Poderia me levantar e sair sem ninguém perceber porque o balcão era alto demais.

Pensei que aquela cena deve ser semelhante a última que muitas mães veem quando abandonam seus filhos . Ou quando os perdem quando são levados por algum monstro. Imaginei um bebê (qualquer criança) sendo deixada para trás e o meu coração se partiu em mil pedaços porque eu sei que isso acontece diariamente.

O abandono é algo que me fere grandemente. Uma criança (um adulto, um idoso, um deficiente, um animal, todos nós) que é deixado para trás fica com uma ferida que não cicatriza. O abandono é ausência, é solidão, é saber que não se é querido…bem-vindo.

Fiquei parada olhando o Pedro com o misto quente já frio na mão. Me lembrei das matérias recentes que li sobre abandono, omissão,  abuso, violência contra crianças, das centenas de abrigos onde moram crianças com histórias que chegam a embrulhar o estômago de tanta crueldade. Isso não é tolerável!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

É preciso cuidado com os pequenos. E a responsabilidade é de todos nós: mães, pais, tios (as), primos (as), amigos (as). Porque ser conivente é tão pior quanto quem pratica o ato de violência.

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Éééééé…eu sei. Tô sumida! Mil desculpas. De vez enquando  sou abatida pela onda cansaço+trabalho+afazeres domésticos+rotinas e acabo ficando sem pique para escrever. Não me abandonem, queridos leitores!!! rsrsrsrsrs