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E se ele não me amar?

dedos

Eu já li e escutei de muitas mães que elas tinham esse medo: de não ser amada pelo filho (a). Você, caro (a) leitor (a) pode estar pensando “Nossa, mas que besteira. Óbvio que todo filho ama a mãe”. E eu digo…não, não é tão óbvio assim e também não é regra…talvez seja mais convenção da nossa moral do que vida real.

Bem, deixando esse assunto que é mega complexo e psicológico (filosófico, antropológico, ilógico, e outros ‘ógicos’) de lado…o fato é que eu lembrei outro dia de que quando ainda estava gestando o Pedro uma vez eu questionei isso a minha irmã. No auge da minha insegurança gravídica eu sentia medo dele não me amar, de me culpar por ter a vida que eu podia/posso proporcionar a ele…

Passou o tempo e eu esqueci disso. Até que outro dia me perguntaram se ele chora quando o deixo na avó para vir trabalhar. “Não. Nem liga”, eu falei . E me lembrei daquela carinha redonda rindo para mim enquanto eu ligo o carro e saio dirigindo.

Pausa para crise

O Pedro não chora, nem fica triste, nem liga quando eu saio para trabalhar. Mas, resmunga triste quando o pai sai e chora doído também quando o assunto envolve o avô.

Pausa para crise 2

Entretanto, como a maternidade é um processo contínuo de renovação e aprendizado tentei deixar de lado o mãecentrismo  egocentrismo e pensar além.

  • Primeiro me dei conta de que internamente eu sempre quis criar o Pedro para ser uma criança segura e sociável! Então, sempre tentei explicar o que estava acontecendo/fazendo para ele com o objetivo dele ir associando os fatos com os resultados. Ao mesmo tempo, nunca fui muito de atendê-lo no primeiro segundo de choro para que ele pudesse buscar saídas e aprender que tem de esperar
  •  Depois, me dei conta de que se ele não chora quando o deixo na avó é sinal de que lá é muito bem cuidado, amparado e não sofre pela distância momentânea*.

 Saber que o filho está bem assistido e está feliz enquanto ela trabalha não é o que toda mãe que trabalha fora quer? Pois bem, Beatriz. You Done!! (tradução: Você conseguiu). E assim termina o post dessa mãe que, pode não ser a melhor do mundo, mas que procura ser a melhor para o Pedro.

 

*Caraca 9 horas não é algo momentâneo!!! Sistema de trabalho fail. E cá para nós eu sairia com meu coração do tamanho de uva passa se o deixasse chorando para trabalhar. UFA!

 

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Deixe o seu relato também! (post longo, mas cheio de histórias contadas por amigos)

A conversa já rolava há um tempo até que eu comentei que a moça tinha perdido o bebê há apenas duas semanas. Do outro lado da linha minha mãe reagiu em tom de tristeza e lembramos de algumas histórias parecidas. Já li alguns relatos de mães que perderam seus bebês, filhos, e devo dizer que chorei em todos. É uma perda irreparável e que hoje sendo mãe  me afeta mais ainda. Perder o Pedro seria, sem dúvida, a maior dor. É algo tão complicado, chocante e sofrido que eu procuro não pensar nisso.

Entretanto, isso já foi um problema real duas vezes nesse curto espaço de tempo de vida dele. A primeira vez foi logo quando descobri que estava grávida (mais ou menos seis semanas). Senti uma cólica forte durante o almoço e quando retornei ao trabalho vi aquela mancha de sangue. Me desesperei porque não era pouco sangue. Corri para o hospital com uma amiga de longa data e no caminho fui fazendo as ligações (e orações).

 Demora no atendimento, soro, exame de toque e tensão nas alturas. Quanto medo de perder meu bebê. Um desespero que só quem passou sabe como é. O alívio só veio depois do ultrassom onde ouvi aquele pontinho vermelho piscando e fazendo tumtum-tumtum-tumtum.

A segunda vez foi quando ele nasceu. Não na hora do parto porque acho que eu estava tão atordoada…mas, quando o vi pela primeira vez. Ali sim foi um choque de realidade: 25 semanas, 770g, 29,5 cm, incubadora, mil cateteres, fiozinhos, luzinhas, apitos e botões. Naqueles primeiros dias eu disse “Se ele morrer eu nunca mais vou ser feliz”. Hoje, após 1 ano e 4 meses, eu diria a mesma coisa.

“Pensa no Pedro mãe”, disse ainda na ligação. “Ai, nossa eu não gosto nem de lembrar do medo que tivemos de perdê-lo. Eu olhava para ele tão frágil e rezava pedindo a Deus e aos anjos um milagre”.

Ela expressou tanta aflição na fala que me fez ficar pensando sobre o que as pessoas devem ter pensado naquela época. Porque foi uma fase muito difícil e delicada. Nos primeiros dias eu não atendia ninguém, não respondia mensagem. Eu não queria falar. Eu não sabia o que falar. Eu não queria ouvir um “eu sinto muito” ou “vai ficar tudo bem”.

Então como terá sido?! Saí perguntado por aí…

Naquele dia tentei falar com você, achei estranho não me atender e, logo em seguida, a Fran me ligou. Ouvir que você estava com muitas dores e que os médicos não sabiam a causa me deixou meio tonta. Eu não sabia se ligava pra sua mãe, se aguardava notícias. Impressionante como paramos de raciocinar nesses momentos. Daí pra frente foram preces pedindo para que os médicos descobrissem o q estava acontecendo. Foram muitas ligações até que uma delas trouxe a notícia de que o anjo Pedro tinha nos dado a alegria da sua chegada. Comemoração geral! Então, voltamos às preces pela sua recuperação e para que o Pedro fosse um guerreirinho e superasse o período crítico. Pedia a Deus que te cuidasse, que te colocasse no colo para que você ficasse firme e forte para passar segurança para o pequeno Pedro. E pensava: “O Senhor tem um propósito. Então, que seja feita a sua vontade. Mas, se não for pedir muito, que os dois fiquem bem”. Quando fui visitá-los no hospital, te encontrei com tanta esperança e vi nos seus olhos aquele amor que dizem ser encontrado apenas nos corações das mães. Ali eu tive certeza que ele ficaria bem e que um dia eu olharia para ele e não veria mais nenhum traço que lembrasse aqueles dias difíceis.E creio que os anjos disseram amém porque  1 ano depois lá estava ele… Pedrão…. todo sorridente se vendo na tela da tv durante a comemoração do seu primeiro aniversário. Lá estavam os amigos, os avós, a tia, os primos, o pai, o irmão…. e a mamãe… saudável e orgulhosa com o seu pequeno no colo… Garoto feliz! Se me lembro daqueles dias? Sim, só para agradecer. Amo vocês!” – Bete – Amiga do meu coração e  admiradora do sorriso do Pedro.

Prefiro voltar um pouco no tempo… no dia em que você descobriu a gravidez… lembro que estava deitada em minha cama e comecei a rir quando você falou que tinha dado positivo…eu ria e você chorava. Bom, isso foi mais para comparar com o dia do nascimento do Pepo. Se ri daquela vez, fiquei incrédula dessa segunda. Sim, isso é o pensamento que mais me vem na mente quando penso naquele dia. Não conseguia acreditar, todo mundo preparado para o chá de bebê dele, eu insistindo para que você fosse aqueles dias para a prefeitura…A ligação da Wania me falando da internação e a notícia que um nenezinho tão frágil tinha nascido foi chocante… tentei loucamente falar com a Carol para conseguir notícias, saber como estava minha amiga, e o mini Pedro? Quer saber o que mais senti? MEDO… medo pela fragilidade, medo porque os médicos não sabiam o que você tinha,  medo de não conseguir e nem ter bagagem suficiente para te ajudar, dar forças, mas no fim não podia deixar você perceber isso… você precisava se recuperar:  Pepo tinha apenas 770gramas. Só conseguia rezar e pedir que tudo ficasse bem com você e com ele. Olha, as horas entre saber que você tinha entrado em trabalho de parto e saber que estava tudo bem foram infinitas. Acompanhei tudo a distância e super apreensiva, não sabia muito o que fazer. Passado esse primeiro momento, só fui realmente saber o que você tinha sentido quando recebi seu e-mail…lembro que estava indo pra praia quando li…, e sim me debulhei em lágrimas imaginando tudo o que você contou e o quanto tinha sido mil vezes mais tensa toda a situação. Tem uma frase desse e-mail que sempre me lembro: “Ele chorou!”. O Pedro é um guerreiro amiga, e veio para ensinar muito para gente. Repeti muitas vezes isso para você, mas sei que você é quem mais sabe disso” – Julia – Amiga confidente! Linda, loira e inteligente! kkkkk

É muito triste saber que alguém tão próximo de você está passando por algum problema, principalmente quando envolve saúde. Quando soube que o Pedro havia nascido e estava na UTI chorei muito. Chorei porque passei a questionar Deus porque essas coisas acontecem com pessoas que são boas, de bom coração. Ele responderia alguns meses depois, quando eu (tia de coração) tivesse a chance de segurá-lo nos braços – em seu aniversário de um aninho. Lembro de ligar muitas vezes e não ter notícias, mandar torpedos e tentar obter informações com os familiares. Não sabia o que estava acontecendo com a Bia muito menos com o bebê. Chorei por ela, pela família, pelo Pedro. Chorei por sentir, em alguns momentos, que poderia perder alguém tão especial porque ela também corria riscos. Lembro de fazer o que poderia fazer naquele momento: orar com toda minha fé. Pedi aos espíritos de luz que levasse sabedoria, coragem e vitalidade aos dois. Foi tudo tão rápido e ao mesmo tempo tão demorado. Rápido no período de gravidez, entre o momento da internação e o nascimento, e demorado quando falamos do período em que o pequeno/grande Pedro permaneceu na UTI neonatal. Enfim, Deus é suprema inteligência e hoje tenho certeza de que tudo que a família enfrentou foi pela razão do amor. O Pedro está ficando um mocinho e a menina/mulher se transformou numa grande mãe. Tenho orgulho de ter conhecido de perto a história da vida real, sem edição, sem roteiro, e sim com um final feliz. Amo vocês!” – Fran – Amiga avoada, mas de uma doçura ímpar como essas linhas.

Eu não estava no Brasil quando tive a notícia da gravidez. Acho que de um modo geral o nascimento do Pedro veio rodeado de surpresas, todo o seu período, antes e depois. Quando pude finalmente dar um beijo em você a barriga já estava grande, você estava liiiinda gravidíssima. Perguntei como estava se sentindo e como estava sendo toda essa experiência. Como quem sabe do futuro você disse que a gravidez não iria até o final, você já achava que não seria uma gravidez de nove meses. O Pepe tinha pressa!! Na semana seguinte, dois dias no máximo, fiquei sabendo que vocês estavam no hospital. E logo em seguida veio a notícia de que o Pedro já tinha nascido. Meu Deus!!! Que medo. Fiquei preocupada e sem saber um pouco como reagir, nem você queria falar muito à respeito, não sabia o que estava acontecendo direito, a única coisa que sabia é que ele precisava ficar na UTI, pois ainda havia risco de vida. Como pode, né? Foi tudo tão rápido!! Só consegui te ver mais de um mês depois, você não tava muito para visitas e nem queria sair de perto do Pepe.Tomamos um café no Fran’s e aí sim você me contou como estavam as coisa, me mostrou toda orgulhosa como seu bebê tava lindo, e toda a evolução dele desde o nascimento. Foi ótimo te ver bem e confiante. Foi aí que eu senti que tudo ia ficar bem, você com os seus pressentimentos e eu com os meus. Costumo rezar de vez em quando, mas lembro que esse dia rezei mais forte pedi proteção e saúde ao Pedro e força pra você, que a cada dia que mostra quão forte é. Uma vez você escreveu que esse tipo de situação não vai para qualquer pessoa, é como se a mãe fosse escolhida, pois é preciso força. Tenho muito orgulho de você Biba, por mostrar que a força da mulher vai além do que esperamos e sabemos. E ao Pedro só desejo o melhor, que ele continue esse menino lindo com pressa de vida, mas que agora sem dar susto na mãe” – Gabi – Amiga cidadã do mundo, fala mil e uma línguas e seu sobrenome é procrastinação. Quando está no Brasil é melhor que chocolate!!

Levei um susto quando soube que o Pedrinho tinha nascido com apenas 6 meses de gestação, pois pensava que o “primeiro” susto – quando a Bia passou mal logo no comecinho – já tinha sido o suficiente rsrsrs. Mesmo com a surpresa, eu tinha certeza de que ele venceria a batalha, pois a sua vontade de viver era enorme  e o amor incondicional da mãezinha dava-lhe forças pra continuar lutando além das vibrações e orações dos parentes e amigos! Em nenhum momento duvidei que ele se recuperaria e cresceria tornando-se este garotão esperto e saudável! Afinal já temos uma certa afinidade, pois fui a primeira pessoa a sentir que ele estava chegando, lembra Bia? Agradeço a Deus a oportunidade de fazer parte da história de vocês família guerreira que eu adoooorrooooo!” – Wania – Ex-chefinha, amiga de todas as horas e que me socorreu no dia do 1º sangramento.

Eu não fiquei sabendo do nascimento do Pedro diretamente pela Bia. Soube da notícia via Facebook por um post da Carol que escreveu algo fofo sobre o nascimento, mas também pedindo para que as pessoas rezassem pela Bia e pelo Pedro. A primeira coisa que veio na minha cabeça foi: “Como assim nasceu???  Vi ela semana passada e só tava com uma barriga média. Não era hora ainda! Que menino apressado. Não basta minha prima (o bebê dela também nasceu prematuro, meses antes). Estão todos nascendo antes do tempo?!”. Haha! Depois foi: ”será que a Bia está bem? Ela estava sentiu uma dor naquele dia no shopping. Será que foi por isso? O que será que aconteceu?”.  Confesso que não me preocupei de imediato com o Pedro, e tenho uma explicação para isso. Minha irmã é médica neonatal,então minha ideia sobre nascimento prematuro é bem otimista já que ouço ela falar sobre pequenos, especialmente dos bem pequenininhos. Além disso, ela já havia trabalhado no Santa Catarina, mesmo hospital onde ficaram internados e ela dizia que lá era um dos melhores. Logo, imaginei que tudo ficaria bem. Ou melhor, eu sabia que o Pedro ficaria bem! Nunca desacreditei, mesmo quando a Bia me falava que ele era muuuuito pequeno e que estava entubado. A Bia tinha muito medo. Claro, ela mãe. Toda mãe é assim mesmo, sempre com medo de que algo ruim aconteça com sua cria. Haha! Foi um momento muito difícil para os pais. Muita coisa mudou na rotina deles. Não foi fácil lidar com uma situação hospitalar e aceitar um começo diferente da maioria. Posso dizer que foi um susto muito grande! O bom é que o tempo foi colocando tudo no lugar. Acho que todos aprenderam a desenvolver o dom da “paciência”. Nem tudo acontece no tempo que a gente quer, só Deus sabe o tempo certo das coisas” – Eli – Amiga da época da faculdade (mas parece que faz mais tempo! rs)

Estive com você um dia antes do nascimento do Pedro. Eu me lembro de termos ficado conversando por um bom tempo na enfermaria da Prefeitura enquanto esperávamos pelo atendimento. Você já estava com muitas dores e isso era uma coisa que dava para ver no seu rosto. No dia seguinte, o Cris me deu a notícia. Confesso que a primeira coisa que senti foi um misto de alegria e medo, ele era tão pequeno. Não sei se já te falei, mas tenho muito orgulho da força que teve para superar os momentos difíceis que viveu na UTI. Naquele dia em que fui te visitar, Bia, foi difícil conter as lágrimas ao ver você contar como era dura a rotina e como, mesmo assim, você se mantinha firme, esperançosa e cheia de amor” – Pri – Amiga do trabalho que me faz tanta falta nos finais de tarde.

Daí, certo dia, durante uma das nossas conversas de fim de expediente, a Bia chega para mim e diz: “Pretinho, tô grávida!”. Ao ouvir isto, congelei e tentei imaginar qual seria a coisa certa a dizer. Foi quando perguntei: Mas você está feliz? A resposta, claro, foi um sonoro SIM, acompanhado daquele belo e contagiante sorriso que se tornou constante todas as vezes que ela comentava ansiosa sobre a chegada do Pedrão. Quando finalmente o Pedro nasceu, fiquei imensamente feliz, mas, ao mesmo tempo, preocupado pensando no quão pequeno e frágil era este rapazinho. E que bom poder dizer “ERA”, pois dia a dia ele nos mostra que é um verdadeiro guerreiro e com uma imensa vontade de viver… Te dizer, viu…Tenho um orgulho danado da mãe que você se tornou Bia e fico muito honrado em perceber que, mesmo indiretamente, fiz parte desta incrível história que você escreveu” – Cris – Meu pretinho básico! Daquelas pessoas que você ri o tempo todo enquanto está por perto.

Foi muito rápido o que aconteceu com a Bia, um dia anterior ao nascimento do Pedro, ela chegou no trabalho pálida, com cara preocupada e se sentindo mal. Falei para ela voltar para casa ou ir direto para o hospital, antes, porém, perguntei se tinha alguém para vir buscá-la, pois sozinha ela não sairia do trabalho. As primeiras horas foram de muita expectativa e preocupação. Graças a Deus e com muita vibração positiva, Pedro nasceu e superou todas as dificuldades. É um grande guerreiro. Além disso, tem uma mãe maravilhosa e muito dedicada” – Roseli – Chefinha que segurou as pontas!

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O meu (não) entretenimento televisivo

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Hoje o post é bem curtinho, mas é sobre algo que tem assolado minhas noites de entretenimento televisivo. O fato é seguinte: eu durmo. Gente, é encostar no sofá no final do dia e eu desligo. Mas tipo…em cinco minutos, sabe?! Kkkkkkk

Às vezes termino de jantar super empolgada porque está passando alguma coisa legal na TV e penso “Ah, que sorte vou conseguir assistir”. Vou pro sofá toda alegrinha e em 10, 20 minutos no máximo, estou dormindo. E não é um sono qualquer é aquele que os olhos começam a pesar uma tonelada cada e por mais que você se esforce eles simplesmente fecham.

Até uns 15 anos de idade eu e minha irmã sempre tirávamos sarro da minha mãe porque era sentarmos para assistir a um filme e em 15 minutos ela estava dormindo. Riamos, reclamávamos e tirávamos sarro. Minha mãe explicava para mim e para minha irmã que estava muito cansada e, por isso, dormia. Nós bobinhas, do alto do nossos postos de filhas, ríamos e esperávamos a próxima sessão “cinema família” para constatar que, sim, nossa mãe iria dormir nos primeiros 15 minutos de filme.

Mas, como eu sempre digo a maternidade é um eterno cuspir para cima e cair na testa. Então, quem dorme nos primeiros 15 minutos de filme agora sou eu. Amigas mães, também acontece por aí?

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Falta de noção, preconceito ou indelicadeza gratuita?

Já relatei aqui outras vezes que passei por algumas situações desconfortáveis por ser jovem e já ser mãe. Os primeiros casos ocorreram ainda durante a gravidez quando me viam na rua, shopping, transporte público e era nítida a cara de “aff, grávida. Tão nova”. Olhavam para o meu rosto, depois para a barriga e em seguida a cara de reprovação.

Se eu ficava triste? Claro. Não sei se pelo preconceito ou pela indelicadeza gratuita. E vamos combinar que eu sou jovem, mas nem tanto assim…27 anos. Há nisso, aliás, algo bem discutível e que parece ser desconsiderado pelas pessoas: a idade é o que define se uma mulher vai ser uma boa mãe (ou pelo menos o que a sociedade considera boa mãe)? Desconsidera-se assim equilíbrio emocional que sabemos não chegar para algumas pessoas nem depois dos 30, 40, 50…

Não, gente. Eu não apoio a gravidez precoce na adolescência. Mas eu não apoio porque acho um pecado perder a chance de viver tudo o que se quer, de estudar, de pirar o cabeção, de ficar a toa, de escolher ir ou ficar…leveza e simplicidade,  deleites que a moral (?),  sociedade (?), nos permite apenas até uma certa idade. Tô falando mentira? E mais, não é somente porque acho que todo mundo tem que ter a fase ‘viva la vida loka’. É muito mais pela questão de não se tornar um ser humano frustrado, amargurado, pela falta de juventude.

Nós podemos ter 15, 20 ou 35 e ainda assim não estarmos preparadas para ser mãe. Na verdade, cá entre nós, eu acho que nenhuma mulher está pronta. Explico. A gente pode planejar, escolher o melhor momento da vida, mas acredito que nunca estamos prontas porque a maternidade é um processo e como tal demanda vivência, tentativa e erro, tempo.

Conheço um monte de mulher que está super certa da decisão e quando vê o positivo dá uma pirada. Cá entre nós novamente: acho super normal! Ter um filho é um passo sem volta, é para sempre, é acima de tudo a escolha de não ter controle (de nada).

Maternidade é algo visceral. Acho essa a minha melhor definição. Esse ‘troço’ muda você inteira por dentro. Te faz experimentar sensações físicas e emocionais (boas, ruins, muito boas, muito ruins) que você nunca conheceu. É tudo novo. O que mais me assustava era o fato de pensar na responsabilidade que é ter alguém sob sua tutela. Alguém para educar, mostrar princípios…não criar mais um monstro para avacalhar nosso já avacalhado mundo!

Agora conto o que me inspirou para esse post. Estávamos eu e o marido na fila do mercado quando a senhora atrás de nós olha para o Pedro no meu colo e dispara “Ele é seu irmão, né?”. Eu fiquei sem graça e respondi “Não. É meu filho!”. Ela repetiu “Ele é seu irmão, né?”. Eu achando que tinha falado baixo respondo mais alto “Não. É meu filho!”. Ela “SEU FILHO? NOOOOSSA”,  e ela que até então parecia ter gostado do Pedro virou a cara para olhar uma revista. O marido dela resmungou alguma coisa também enquanto abanava a cabeça com o sinal de reprovação.

Minha cara:    O.o

O que eu fiz de tão desprezível para ela virar a cara pra mim, me digam?! Ela tem sorte que a maternidade me fez colocar um freio nas palavras envenenadas que eu costumava disparar em quem me enchia o saco. Sorte dela que a minha mãe me deu educação e eu acho feio fazer barraco. Sorte dela que eu não fuzilei ela com o olhar o qual meus amigos apelidaram de mortal e desconcertante.

Enfim, desabafei. Ufaaa….kkkkkkkkk

Agora me digam: isso é só falta de noção, preconceito ou indelicadeza gratuita?