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Acessibilidade é direito, e dever, de todos

Filho,

outro dia no meu trajeto até o trabalho vi um menino de cadeira de rodas dentro do ônibus. Ela era novinho…tinha uns 8 anos eu acho. Ele estava acompanhado pela avó que conversava carinhosamente com ele. Fiquei sensibilizada com a cena. Não no mal sentido da palavra, pelo contrário. Fiquei tocada pela quantidade de pensamentos que me vieram a cabeça.

Numa tacada só penso em: amor de neto e avó, superação física e moral de alguém tão novinho, dedicação de avó, e acessibilidade.

Acessibilidade filho!!! Acessibilidade é garantir o direito de ir e vir das pessoas sejam elas novas ou velhas, e independente do meio de locomoção: pé ante pé, com ou sem muleta, de cadeira de rodas, com bengala de deficiente visual…

Poucos pontos depois eles desceram do ônibus com o auxilio de um elevador/plataforma que os colocou no nível da calçada. Uma vez fora do ônibus a avó saiu empurrando a cadeira de rodas em direção a escola do garoto. Assim…menos de 30  segundos…sem a avó ou alguém ter que carregá-lo no colo ou erguer sua cadeira de rodas. Achei tão incrível!

Não faz muito tempo e São Paulo tinha pouquíssimos ônibus adaptados para transportar pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. Lembro que os cadeirantes tinham que esperar no ponto até passar um ônibus com espaço e condições para transportá-los ou então dar sorte de ter um motorista solidário que o ajudasse a subir no transporte. Ah, detalhe: a pessoa tinha que ir segurando nos ferros porque também não havia cinto de segurança (tipo esse) como tem hoje em dia.

E vai além. Pessoas idosas, acidentados, grávidas, deficientes visuais também tinham que lidar com a altura do primeiro degrau da escadinha do transporte coletivo. Eram muito altos. Hoje está melhor, mas ainda é comum vermos degraus altos e nada acessíveis. Parece que eu estou falando de tanto tempo atrás…mas, em 2006 a realidade era essa que contei.

Todos nós, todas as pessoas do planeta(!), temos o direito de ir e vir com segurança e autonomia. Aliás, é um direito garantido pela Constituição do nosso país e de tratados internacionais também.

Parece tão óbvio isso que estou dizendo né, filho? Espero que aí no futuro (estamos em 2014) as coisas estejam muito diferentes e que essas palavras que escrevi até aqui lhe pareçam um absurdo. Se assim lhe parecer é sinal que avançamos um bocado e que moramos em uma cidade, um país, mais humano, solidário e digno.

acessibilidade

 

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Uma alegria imensa: “Querido Pedro” no Portal Terra

Obrigada!

Obrigada!

Oi gente!

Hoje vim aqui para agradecer à Deus, aos amigos queridos que me leem, ao Pedro que é a principal inspiração para este blog existir! Estou super feliz pelo “Querido Pedro” ter virado matéria no canal Carinho do Portal Terra por meio das mãos do amigo de faculdade, Felipe Gierstajn.

A história do ‘Querido Pedro’ começou há um ano quando no auge da minha necessidade de lidar com o perrengue da prematuridade extrema do meu filho decidi escrever um blog para desabafar, internalizar problemas, colocar para fora as situações boas e ruins que estava vivendo. O empurrão decisivo foi dado por uma amiga querida que trabalhava comigo na época. Durante o almoço daquele dia eu tinha contado sobre os preconceitos que já tinha passado por ter sido mãe aos 25 anos, idade considerada inapropriada pela sociedade pelo jeito. Ela me disse: “Bia, por que você não faz um blog para contar essas experiências?”.

TCHAM! Aquela ideia que já era uma sementinha na minha cabeça ganhou terra e água e amor kkkkkkkkkkkkkkkkkk

E então, da minha história triste e difícil (até aquele momento) nasceu o blog que tanto me ajudou a passar por aquela fase. A velha história de fazer uma limonada, ou caipirinha, com os limões que a vida te dá! Hoje esse espaço é muito mais de textos alegres.

Infelizmente escrevo menos do que gostaria porque tenho trabalho, filho (olhe só…você nem sabia kkk), freelas, casa e marido para cuidar! Quando as coisas estão mais calmas consigo escrever mais….mas, tem épocas que “minha gente, não é mole não!”.

Enfim, se tem uma coisa gratificante para quem gosta de escrever é saber que tem um leitor do outro lado da tela refletindo sobre aquelas palavras que escolhemos, organizamos em frases e expressamos num discurso. Pode ser que o texto passe batido, gere discordância,  proporcione um momento agradável de leitura ou até de identificação. O que me instiga mesmo é causar uma reflexão, um pensamento, uma emoção.

Por isso, obrigada a todos que me leem! De fato, a vida tem sido muito mais de limonadas do que limões azedos!  😉

PS: Quem quiser dar uma espiada na matéria o link é esse aqui:

“Blog sobre bebê é ideia de mãe para criar recordação digital”

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Cheiros e sabores

Hoje me peguei lendo um texto de uma colunista da Revista Época que falava sobre os sabores da infâncias. Enquanto lia fui lembrando de vários sabores que ficaram marcados na minha memória (gustativa?! rs): o macarrão com brócolis e o frango com batata da minha mãe, a sopa da minha irmã nos dias em que eu ficava doente, o bife do meu pai, e outras mil opções da minha avó.

Quando era criança às vezes precisava passar o dia no trabalho da minha mãe e de tarde ia até a copa tomar o chá de erva cidreira que a copeira fazia fresquinho. Hhhuuummmm que gostoso! Então eu cresci, minha mãe se aposentou e eu nunca mais tomei um chá como aquele. Já percebeu que muitos sabores a gente não consegue provar nunca mais na vida ainda que façamos com os mesmos ingredientes, com o mesmo modo de preparo? Não fica igual! Seria um toque a mais, um segredinho de mestre cuca?

Hoje quando penso no chá ou no macarrão com brócolis ou no doce de laranja da minha avó sei que, além do sabor maravilhoso que tudo isso tinha, era o meu estado de espírito de criança que deixava tudo isso ainda mais gostoso. Em cada prato há uma memória afetiva, fato!

Nesse exercício de resgatar quais sabores eu nunca esqueci, me lembrei que tenho uma “memória olfativa” ainda mais forte do que a “gustativa”. Quando sinto o cheiro me lembro instantaneamente da pessoa, situação, local. Uma vez indo para o trabalho senti um perfume masculino e em segundos associei com o meu marido. Era o cheiro do perfume de quando começamos a namorar.

O cheiro de talco lembra a minha mãe. Antes de dormir eu deitava na cama dela e enquanto ela lia eu ficava passando o rosto no braço dela só para sentir aquele cheiro gostoso que vinha dela. Os perfumes doces e de alguns xampus lembram minha irmã. O cheiro de chuva e asfalto me lembram os dias em que chegava tarde em casa de depois de sair com o Edu (marido. na época namorado). E tem também o cheiro de praia e mato que me trazem as melhores lembranças da infância e adolescência.

(pausa para um suspiro melancólico)

Mas acontece também com lembranças ruins. O Pedro tomou o primeiro banho com água e em uma banheira só depois de mais de um mês e meio de nascido. Antes disso ele não tinha o peso mínimo estipulado como seguro para tal atividade! Quando o dia tão sonhado chegou adivinhem? O hospital usava o sabonete líquido (o laranja) da Johnson’s que me trazia uma péssima lembrança de quando eu fiquei internada aos 13 anos. OH God!

Com os dias acabei me acostumando com o sabonete. E aquele cheiro que antes me trazia lembranças ruins se tornou motivo de alegria, pois durante a internação o banho dele era o momento em que nós vivenciávamos a rotina normal de uma mãe com seu bebê. Era delicioso colocá-lo na água quentinha, vestir a roupinha, pentear o cabelo, amamentar e ver a carinha de conforto depois disso tudo. Me dava muita satisfação. Aliás, dá até hoje quando, depois do jantar, dou banho com o tal do sabonete laranja e depois fico “dando cheiros” naquele menino delicioso que Deus me deu.

E vocês? Também tem lembranças com cheiros e sabores? Quais foram os sabores da infância de vocês?

imagem Google

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