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Andou!

Eu pensei que quando o dia chegasse eu teria um livro para falar. Mas, eu só quero contar para vocês que ele ANDOU! ANDOUUUUUU.

24 de setembro de 2015. Aos 2 anos 11 meses e 10 dias, Pedro deu seus primeiros passos sem auxílio. Eu filmei, eu festejei, eu gritei, eu chorei e agradeci. Agradeci muito.

Primeiro agradeci à Deus por mais uma prova de amor e por sua infinita sabedoria. Depois fechei os olhos que estavam gordos de lágrimas e me joguei no sofá. Um misto de alegria e perplexidade me deixaram sem palavras.

Depois abri os olhos e fiquei olhando aquela carinha que é tão amada por mim e que continuou a brincar no ipad como se o seu ato tivesse sido corriqueiro. Aquele rostinho redondo, de boquinha bem-feita e cílios compridos ficou brincando enquanto eu sentia a serenidade e a alegria que só a gratidão nos proporciona.

E como se não bastasse a gratidão, eu senti orgulho. Orgulho por ter a oportunidade de conviver com o Pedro: um ser tão iluminado e persistente que, desde os primeiros momentos de vida, me surpreende e me ensina sobre amor, esperança, resiliência e doação. Orgulho dele. Orgulho da nossa parceria de vida.

Obrigada, Pedro! E parabéns, filho. O mundo é grande e lindo e você tem muito para andar.

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Licença poética egocêntrica

Versão do Pedro:

“….e a agulha da injeção era a pena de um p…”

“…Pedro!”

(pausa para risos)

“…e agulha da injeção era a pena de um pa…”

“…papai!”

(pausa para risos escrachados e desistência da mãe)

Versão original:

” (…)

O doutor era o peru( glu-glu)

a enfermeira era um urubu(uh-uh)

e a agulha da injeção

era a pena do pavão”

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Da série: a escola – O impasse da inclusão (ou da falta dela)

Como contei no post anterior…Pedro vai para a escola este ano!

A verdade? Tô com um misto de alegria e angústia. Feliz por ver meu menino crescendo, saber que a socialização com outras crianças e pessoas o fará evoluir em tantas áreas (física, emocional, cognitiva), vê-lo tão pequeno indo pra esse “mundão de meu Deus”! É uma vidinha tão curta começando uma fase tão importante.

A ansiedade e angústia ficam por conta da importância de achar uma escola bacana não só na parte da estrutura física e projeto pedagógico, mas também na parte social. Nesse momento estou muito preocupada com o tratamento que será dado ao meu filho! Ele será acolhido? Se sentirá seguro e feliz? As habilidades deles serão valorizadas e expandidas? E as limitações? Ah, o tratamento às limitações me atormentam tanto!

Como sabem o Pedro tem 2 anos e 3 meses e ainda não anda sozinho. Engatinha primorosamente. É rápido e já aprendeu a escalar alguns móveis. No entanto, não anda sem apoio. Sim, a prematuridade extrema e as 25 semanas de idade gestacional tem tudo a ver com isso. Desde que nasceu, Pedro enfrentou (e enfrenta) grandes desafios. Já superou “pedreiras” e deixou muitas regras da medicina sem explicação.

Mas, chegada a hora da escolarização me vejo num impasse: ele precisa ser tratado como igual, mas precisará de mais ajuda do que uma criança com desenvolvimento motor normal. Quero que ele seja incluído em todas as atividades, porém preciso de uma equipe disposta a auxiliá-lo a potencializar suas habilidades e trabalhar suas suas limitações sem privá-lo das atividades!

A verdade é que não sei se encontrarei essa disposição…se ela existe…se é possível. Enfim. Pedro não precisa de cuidados tão especiais, não toma remédio, tem controle de tronco e pescoço, senta sem apoio. Só que nesse momento ainda não anda sozinho, nem aprendeu a sentar e levantar de uma cadeirinha escolar infantil, por exemplo.

A dura verdade brasileira é que a maioria das escolas não está preparada para receber um aluno com qualquer necessidade diferente das convencionais. Que, aliás, pode ser mínima (como uma malformação ou amputação de membros) até mais complexas como a deficiência intelectual.

Visitei uma dezena de escolas e em todas fui questionada sobre o grau de deficiência do Pedro. Até aí…normal a escola querer saber. Minha decepção, tristeza, foi quando começaram a colocar alguns empecilhos e a surgir alguns comentários como “Só pegamos crianças que já andam. Para ter o Pedro aqui eu teria que dispor de um funcionário só para levá-lo a outros espaços quando as atividades forem fora de sala de aula”.

Bem, se ele não anda…já era esperado, não? Mas, senti na fala da coordenadora um problema. O que há por trás dessa frase? Talvez para você não soe preconceito, exclusão. Mas, o tom, o olhar, as expressões…ah, essas dizem muito sobre exclusão e a falta de vontade das escolas em ter um aluno que exija algo diferente.

Ouvi também “Não precisa matricular ele, nem comprar uniforme. Vamos fazer uma experiência por duas semanas e ver como ele se sai. Se a gente sentir que ficou tudo bem…”

Oi?

Péra! Deixa eu ver se entendi. Se a pessoa não se incomodar de pegá-lo no colo para ir a outro lugar e ele não der muito trabalho…ele poderá se tornar aluno formalmente.

Não, obrigada! Sua postura já mostrou que essa escola não é a melhor para o meu filho.

inclusão exclusão segregação integração

                                                           (continua…)

 

 

 

 

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Da série: a escola

Comecei esse texto muitas vezes e em nenhuma consegui me expressar claramente. Certamente porque eu mesma estou confusa, com dúvidas e mais ansiosa do que gostaria sobre o assunto. São muitas questões para abordar e várias reflexões e ‘mimimi’ de mãe. Por isso, decidi separar os textos para não ficar tão bagunçado. Será que dá?  Bem, vamos lá. Esse é o primeiro post de uma série de…quantos forem necessários!!! kkkkkk

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Há algum tempo estou a procura da escola. Eu disse ‘da’. E não ‘de’. O que demonstra que não é qualquer escola, mas a escola do Pedro. Na listinha de prioridades coisas básicas como limpeza, organização, profissionais qualificados/habilitados/com amor pelo o que fazem, projeto pedagógico e estrutura segura e adaptada para os pequenos. (calma, já vou falar sobre esse meu sonho de escola que não existe! rs)

Nesse tempo de busca já deixei de lado algumas exigências iniciais desnecessárias (?) e fundamentadas na convicção de mãe de primeira viagem. A conclusão é de que não existe a escola perfeita. Sempre vai ter alguma coisinha “fora do tino”. Mas, pelo o que tenho visto há todo tipo de escola: escolinha, escola, escolão. Boa, ruim, péssima. Umas mais voltadas para o desenvolvimento da criança e outras que já pedem avaliação para alunos do maternal. Aliás, numa dessas eu ouvi “Nosso ensino é voltado para resultados…”. E eu já me senti pressionada pelo Pedro.

Tive problemas sérios com as operações matemáticas e a forma como isso foi resolvido tratado pela escola só me fez carregar essa defasagem e ser assombrada por ela até o vestibular. Logo, essa frase “Nosso ensino é voltado para resultados…” me fez recuar. Voltei a época do primário (ensino fundamental) quando eu não conseguia resolver a subtração “quando o número de cima era menor do que o de baixo.”

E a professora? Ela não sabia explicar. Ou entender. Em sua total falta de paciência com a única aluna incapaz de fazer a subtração, ela deu continuidade ao conteúdo. Ela não captou o meu problema:  eu não via o número de cima como uma dezena. Eu o via como um número simples do qual era impossível subtrair 9 de zero, por exemplo. (nessa fase ainda não aprendemos números negativos)

Enfim…aprendi com uma coleguinha de sala que me disse “O zero é como se fosse 10”. O nome dessa gênia de sete anos era Camila! “Onde quer que esteja: obrigada Camila, aprendi subtração com você!” kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Por essas e por muitas outras razões, acho a fase escolar muito importante na vida de um indivíduo e acredito que as experiências vividas nesse ambiente molde muito da nossa personalidade, da percepção do mundo, do respeito ao próximo, noção de cidadania e, claro, a qualidade do nosso conhecimento. Muito é responsabilidade da família, porém a realidade é que nossos filhos/netos/sobrinhos passam metade ou o dia todo na escola. 5…8….até 12 horas nesse ambiente absorvendo tudo o que acontece ali. Ou seja, você precisa confiar na escola, no ambiente, nas professoras e auxiliares, no projeto pedagógico.

Preciso de uma escola que, acima de tudo, ajude o Pedro a melhorar as habilidades e o incentive a conquistar novas aptidões sem o travar por medo de errar ou por demonstrar que não sabe. Não quero que o atropelem. Alguns me falam que ele saberá se virar e precisa dar conta do recado porque na vida nada nem ninguém espera você ficar pronto.

Verdade.

Mas, será que esse atropelo faz alguém ficar preparado ou se adaptar (do jeito que dá) para continuar a corrida? Eu me adaptei e passei a vida escolar de recuperação em matemática. Imagine no colegial…fui péssima em física. Passava vergonha, não entendia nada, me sentia totalmente incapaz. Eu sei…zero de física.

Por sorte, tive outros professores ótimos. Se eu era ruim em matemática…conseguia me sair muito bem nas disciplinas de humanas e até biológicas. Ter bons professores, e profissionais dedicados, garantiu minha autoestima acadêmica e me fez ser ainda melhor no que eu tinha habilidade.

Aham, senta lá Beatriz. Você quer uma escola que não existe! É…eu poderia dizer que sim.

Porém, o resumo desse post é: eu quero para o meu filho uma escola que o respeite, o ajude a melhorar suas habilidades já adquiridas e o incite ao novo!

lapis

(continua….)

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Brinquedos educativos e materiais recicláveis

Já comentei algumas vezes aqui no blog que o Pedro tem um atraso psicomotor por conta da prematuridade e, por isso, temos uma atenção especial com os estímulos sensoriais/de coordenação motora que damos a dele. Na verdade eu gostaria de fazer mais, mas admito que falta tempo e $.

Enfim, já me cobrei e me chateei muito por conta dessas “coisas a mais” que eu não faço ou não posso fazer por ele. Já vivenciei mais fortemente aquele velho clichê materno de sentir culpada, de achar que posso fazer mais e mais. Hoje estou na fase de aceitação de que mãe não é super heroína e tudo bem não dar contar de tudo. Ainda assim, de vez enquando o bichinho da cobrança faz eu me coçar. Bem, talvez isso seja positivo também…para não deixar eu me acomodar.

Enfim…sou dessas mãe que adoram ver a cria aprendendo coisas novas. O Pedro quando aprende alguma coisa nova é bombardeado com a minha repetição para ele fazer/falar de novo. Fazer o quê? É demais ver ele descobrindo o mundo. Ultimamente ando encantada com ele apontando as coisas e dizendo “Ó” com aquele tom de “Uauuuu, olha isso que legal!”.

Desde que começamos a fisioterapia sempre tentamos achar novas formas de estímulo, vivências sensoriais e motoras, além de atividades em que o Pedro se supere. Vira e mexe eu olho alguns sites que ensinam a criar situações, brincadeiras e brinquedos educativos. Mas, em prática mesmo eu coloquei poucas coisas. 1 – porque sempre faltava um material ou outro (tipo gliter!) e 2 – porque eu acabava demorando tanto que passava a vontade de montar o tal do brinquedo.

Mas, outro dia olhando uma página do Facebook sugerida por uma amiga terapeuta ocupacional (valeu Ge) achei umas ideias muito fáceis e interessantes. A maioria delas usava: tampinhas de garrafas, pote de sorvete, palitos de churrasco e só. OPA! Comecei a separar as tampinhas de todas as cores, pedi ajuda para minha mãe e também para a. Tia T. (fisio).

Adivinhem?

Tampinhas de refrigerante e caixa de Ferrero Rocher

Tampinhas de refrigerante e caixa de Ferrero Rocher

Ele ficou encantado com as tampinhas! Logo aprendeu a pegar, virar, girar, colocar e tirar de dentro dos potes e finalmente pudemos treinar as cores. Separando em grupinhos comecei a dizer o nome de cada cor e logo ele já sabia mostrar a cor quando pedíamos. As vezes ele ainda erra. Principalmente quando as cores começam com a mesma sílaba como VERmelho e VERde. Mas, na maioria das vezes ele acerta. A cor preferia é “axuul”.

Com as tampinhas também treinamos as funções de empilhar, enfileirar e rosquear. Já faz um tempo ele aprendeu a abrir garrafinhas. Pode parecer uma bobagem isso que estou contando. Mas, no caso do Pedro e de muitas crianças com atraso no desenvolvimento motor, essas pequenas conquistas são na verdade GRANDES aprendizados.

Aqui os puxadores permitem variar altura e lateralidade

Aqui os puxadores permitem variar altura e lateralidade

Outra atividade que elaborei com material reciclado foi a de encaixar. Usei o rolo de papelão (do papel toalha) e algumas pulseiras velhas minhas. Eu seguro o rolo e ele encaixa as pulseiras. Também uso os puxadores da gaveta da cômoda do quarto dele para diversificar altura, o tipo de encaixe e trabalhar a lateralidade.

Aprendi com essas experiências que, nem sempre, o brinquedo caro com luz e tecnologias mil é o que a criança mais gosta. Pedro tem alguns brinquedos caros da Chicco, Fisher Price, Bandeirantes. Mas, posso falar?! Ele brinca com eles poucos minutos por dia e depois prefere os carrinhos, a bola, a massinha e os livrinhos infantis. Ah, ultimamente ele também tem adorado abrir e fechar portas e gavetas. Além de tirar e guardar meus potes na cozinha.

É encantador perceber o quão rápido ele aprende as coisas. Mostro algumas vezes como faz e em poucos minutos ele está imitando, tentando até conseguir. Essas atividades também tem auxiliado o Pedro a manter a concentração. Como sempre foi muito agitado, ansioso, noto um pouco de dificuldade em manter o foco numa mesma função. Claro que tem a questão da idade…quando são muito pequenos as crianças não mantêm mesmo o foco por tempo prolongado. Mas, pelo sim pelo não…estamos trabalhando a atenção.

Bem, por hoje é só. Quis compartilhar com vocês essa parte da minha relação com o Pedro e também, quem sabe, dar ideias para vocês começarem a notar como objetos e materiais simples podem virar coisas legais . Vale tudo! Tem muita gente fazendo coisas muito bacanas e ganhando dinheiro com material reutilizado. Nem preciso comentar dos benefícios para o meio ambiente também, né?! Deem uma olhada nesses links: moda, decoração, brindes, brinquedos …

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Dicionário do Pedro – 2 anos e 2 meses

Abí ou Abiú = abrir ou abriu

Chou = fechou

Bíí = subir

Bôô = acabou ou desligou

Caííu – caiu

Tau = tchau

Aquíí = aqui

Papaíí ou paíí = pai

Êça = cabeça

Pé = pé

Uixx = luz

Au Au = cachorro

Uke = Luke, cachorrinho da fisio

Cá ou caô = carro

ÍÍtzaa = pizza

Peppa = a porquinha mais famosa do momento! rs

Coqui = Doki, desenho da Discovery Kids

Gaíínha = galinha. Raro ele falar, mas sai de vez enquando.

Fusca = fusca

Dinca = dinda

Tiu = tio

Ôô = vô

Pi = Fellipe (irmão)

Tete = mamadeira

Algo parecido com “igada” = obrigada.

Záá = já

Quinco = cinco

Dai = dez

Zuul = azul

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Os ciclos

Alguém alguma vez me disse que a vida é feita de ciclos! Nessa filosofia estaríamos sempre começando e encerrando etapas, nos aproximando e afastando de pessoas, chegando e deixando algum lugar, emprego,  cidade…num ciclo contínuo e infindável.

Na época achei a expressão bem didática e prática para explicar aqueles momentos de transição, mudança e transformação. Pensando um pouco acho que até poderíamos definir esses ciclos em : curtos, médios e longos. E talvez em easy (fácil) , medium (médio) e hard (difícil)! Quem sabe também em: superado, “marrô menos” e “carregarei pra vida toda”. rsrsrs

Brincadeiras a parte…há dois meses e uns quebrados encerrei um ciclo de 5 anos de trabalho no mesmo lugar. Tive que deixar amigos queridos para trás e junto com eles muitas lembranças e aprendizados. Vivi grandes momentos naquele lugar.  Cheguei ainda menina estudante e saí de lá mãe e profissional pós-graduada. Por sorte, sempre achei boas pessoas em meu caminho e confirmei a velha máxima de que colhemos aquilo que plantamos. Boas sementes resultam em ótima colheita! E eu lhes digo que colhi frutos primorosos.

Foi doído dar as costas no último dia. Eu chorei…é verdade! E quando voltei poucos dias depois para buscar alguns pertences me senti estranha naquele saguão enorme de entrada. Já não fazia mais parte dali. Dessa emoção surpresa, entendi que, de fato, aquela porta havia se fechado muito antes do final oficial. Eu só não tinha percebido. Engraçado analisar agora quando tudo já está diferente. Mas, a verdade é que eu já tinha encerrado aquele ciclo.

Por um mês e meio fiquei com o Pedro em casa. Dona de casa full time! Na primeira semana eu ainda me senti frustrada, deslocada, sem grande função. Mas, dia após dia, o Pedro e minhas novas funções me fizeram ver o quanto Deus é perfeito. Ele faz tudo certo. No tempo certo. Pendências de meses se resolveram. Muita coisa deslanchou e situações sobre as quais eu pensava o pior simplesmente foram brandas, controladas. Nada de bicho de 7 cabeças.

Já embalada por essa maré quase totalmente boa, e inundada pelo sentimento de gratidão, aprendi muito comigo mesma e descobri uma Beatriz diferente daquela que há um ano fazia o balancete de final de ano. Gostei do que vi e senti aquela leveza de saber que, embora nem tudo tenha sido realizado, tudo foi modificado!

Foi ótimo ficar com o Pedro e participar da rotina dele como eu não fazia desde a licença maternidade. Certamente fiquei ainda mais orgulhosa e babona. Me senti completamente grata por ser mãe dele, por ter a oportunidade de vê-lo crescendo, por ver que todo meu esforço (e cansaço) se justificam no amor que eu sinto por ele.

E nos 45 minutos do segundo tempo o meu final de 2014 mudou totalmente e eu voltei a trabalhar! Surpresas…devemos estar preparadas para elas.

Ufaaa…estava devendo uma passada por aqui. Há dias estou tentando postar, porém não quis publicar outros textos sem antes contar sobre as mudanças e o motivo do longo sumiço. Estava colocando as bagagens no lugar, acertando as velas do barco e me aconchegando no melhor lugar para curtir o que de melhor essa nova viagem me trouxer!

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Aprendendo com as crianças

Eu sou muito feliz sendo mãe. O tempo todo? Não, of course. A maternidade tem um lado B bem grande. Mas, eu sou muito feliz por ter o Pedro como filho, por aprender tanto, por receber tanto amor dele e poder me doar. É sempre uma troca mútua e intensa a nossa relação de mãe e filho!

Penso muito sobre como ensinar, educar e, ao mesmo tempo, manter a espontaneidade do Pedro impondo limites. Oh, God! É desafio  para a vida toda. Acho que é uma eterna tentativa de acerto e erro. Vamos testando. Se dá certo ótimo! Se sai errado lá vamos nós queimar tutano para buscar uma nova forma.

Mas, a verdade que o dia a dia tem me mostrado é que os filhos ensinam muito ao pais. Talvez até mais. Quando temos filhos temos a chance de aprender tudo de novo, sabe? De ver a vida com outros olhos. De repensar se aquilo que temos como verdade absoluta é de fato nosso ou nos foi ensinado através dos anos.

Nesses quase dois anos de vidinha o Pedro me ensinou demais sobre paciência, resiliência, fé, amor, maternidade, responsabilidade, empoderamento, autoconfiança, humildade…tanta coisa. Mas, tanta. E ontem ele me ensinou mais.

Enquanto me afastava do portão da casa da minha sogra consegui ver o Pedro no colo do meu sogro. Acenei, mandei beijo, abanei as mãos fazendo tchau. De repente vi o rosto do Pedro se iluminar de alegria. Uma alegria esfuziante, uma animação expressada por sorrisos e bater de palmas. Foi então que percebi que ele olhava para o final da rua onde o caminhão de gás entrava tocando aquela musiquinha clássica conhecida por quem morou em bairros de periferia ou cidades pequenas.

Achei engraçada a cena. Dei risada do Pedro porque nunca vi alguém tão feliz com o caminhão do gás! Nem dona de casa com o almoço pela metade fica feliz daquele jeito! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Fui trabalhar com a lembrança dele sorrindo e batendo palminhas. Por fim, aprendi mais uma: a vida é muito mais leve quando damos valor as pequeníssimas coisas do cotidiano. Se você aprende a ser feliz nas situações simples, não precisa de um grande acontecimento para se sentir animado.

Ah, e o seu bom humor (ou a falta dele) pode contagiar os outros! #ficadica

carinhas

“Deleite-se no Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração” – Salmos 37:4

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Pedro aos 19 meses

Outro dia eu comentava com uma amiga que está nos EUA cuidando de gêmeos (uma menina e um menino) o quanto essas crianças crescem rápido. Eu só falo isso? Sei que costumo falar disso aqui no blog com bastante frequência, mas gente: é a mais pura verdade. Um dia estão na sua barriga, no outro já estão andando por aí e abanando a cabeça em sinal negativo quando você pede para eles fazerem alguma coisa. Ai ai ai…ele nem fala e já me diz que não! #medodaadolescencia

Semana passada eu escrevi sobre o início do falatório lá em casa. Daquele dia até hoje não tivemos novidades no vocabulário. Em compensação nas gracinhas…

Hoje pela manhã fizemos todo o ritual de troca fralda, põe soro no nariz, escova o dente, lava o rosto e penteia o cabelo. Daí nesse momento eu lembrei do meu afilhado, na época com uns 11 meses mais ou menos, sentado no trocador e penteando o cabelo (do modo dele, claro). Eu, que ando empenhada em dar mais autonomia ao Pedro, coloquei a escovinha na mão dele e levei o bracinho até a cabeça fazendo o movimento de pentear. “Isso, filho. Penteia o cabelo”. Repeti a ação mais duas vezes. Na terceira vez deixei por conta dele. “Filho, penteia o cabelo”. E ele fez sozinho!!!! Ahhhhhh….o orgulho materno é algo lindo de sentir!

Depois fiz ele repetir para o pai mais três vezes…é claro! Afinal, a gente ensina e depois quer mostrar para todo mundo. #tadinho #maenaoenche kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Desde a semana passada Pedro também começou a dar tchau e a esfregar a barriguinha quando dizemos “Pedro, como lava a barriga?”.

No domingo enquanto estávamos na sala ele resmungava bravo no chão porque não conseguia abrir o livro sozinho. O pai, sentado no sofá, disse “Traz aqui, filho. Papai ajuda você”. Mais do que depressa Pedro começou a se arrastar e a arrastar o livro em direção ao sofá até chegar ao alcance do pai que repetiu o movimento de abrir e fechar o livro para o Pequeno.

Fofo…muito fofo. Mas, é mais que isso. É perceber que ele entende perfeitamente o que dizemos a ele. É ver que a cognição está funcionando muito bem…questão que nos preocupou por um tempo quando ainda éramos assombrados pelas possíveis sequelas da prematuridade extrema.

Agora dei por mim que algumas pessoas devem estar lendo e me achando boba por estar tão encantada com essas atitudes do meu filho. Mas, estou. Estou cada dia mais, aliás. Se tem uma coisa que vale a pena em ter filho é ver o crescimento dele, seus aprendizados, suas descobertas, as carinhas de surpresa e de “uuuaauuuu que incrível isso aqui”. Nesses quase 30 anos, poucas coisas e pessoas me emocionaram como (ou mais) do que ver essas pequenas conquistas do Pedro.

É maravilhoso acompanhar esse crescimento, o desenvolvimento dele de bebê para criança. As vezes fico um tempão observando ele brincar e me divirto vendo como ele resolve “os problemas” práticos. Engraçado perceber o quão complexos são esses aprendizados básicos como andar, levar o talher a boca, empilhar, encaixar, saber onde é a barriga, entender o que é pentear o cabelo…

É demais perceber o quanto eles aprendem e como aprendem rápido. Eu repito o movimento três, quatro vezes e lá está o Pedro imitando. Ele está uma verdadeira máquina de imitação. Uma graça. Um mocinho que agora aponta aquele mini dedo indicador para mostrar o que quer e que faz tchau balançando o braço todo. Como eu disse, um fofo esse meu filho! kkkkkkkkkkkk

#maebabona #maecoruja

motoca3

 

 

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Feliz dia das mães!

beijo

As minhas amigas costumam me perguntar como é ser mãe. E eu, que vivo essa realidade há apenas 2 anos, costumo ter a reação de ficar uns segundos em silêncio e começar a explicação com um sorriso seguido da expressão “Então…”.

Bem, até a data de hoje a melhor definição que eu tenho para a maternidade é: “ser mãe é algo muito doido”. Quem me conhece sabe que eu sou contrária àquela filosofia da maternidade cor de rosa porque eu levei uma porrada na cara da realidade quando fiquei grávida e quando o Pedro nasceu.

Mas, não falo só por mim. Isso seria muito egocêntrico e pouquíssimo confiável. Bastante superficial. Construí esse pensamento pelo que vi e ouvi de outras tantas mulheres: casadas, solteiras, com um ou vários filhos. Mulheres que se preparam para ser mãe ou não. Mulheres que tiveram, ou não, um pai para a criança dela .

Gosto de dizer que a maternidade é algo visceral porque te toma de tal forma que te leva aos extremos do que existe de bom e mal. O bom é que vale a pena! Juro!! Porque não há nada melhor que o Pedro. Porque não há nada tão ruim que o sorriso, a alegria e o bem-estar estampado no rosto do Pedro não consiga mudar em mim.

Ele me irrita quando não come e faz birra. Me tira do sério quando não quer dormir. Sinto vontade de picar em mil pedacinhos às vezes e vivo exausta. Mas é ele e só ele que me transforma e me encoraja, que me faz superar limitações, além de me fazer rir, me trazer de volta a doçura e me conectar com Deus.

E tem mais: acredito que a maternidade/paternidade nos deixa mais maleáveis com as coisas do dia-a-dia. Por exemplo: aprendemos, às vezes depois de dar muito murro em ponta de faca, que é impossível deixar a casa arrumadinha, impecável, decorada como ela costumava ser antes dos filhos. Adaptamos o Art Déco para um “Contemporâneo Experimental”. RS

Mas, tem mais: a gente suporta melhor a sujeira. Calma! A sujeira da roupa deles, quero dizer. Quando o Pedro começou a rolar e a se arrastar pelo chão tive uma fase crítica. Me dava “siricutico” ver aquela roupa ficando encardida. Até que dei por mim que a camiseta encardida era a prova viva da evolução cognitiva e motora do meu filho. Relaxei. Ou não haveria roupa suficiente nas gavetas.

E com esses exemplos ‘mequetrefes’, mas bem comuns na vida das mães, quero mostrar que eles nos transformam em pessoas melhores. É uma mudança de si mesma sem volta. Deixamos para trás o local que sempre habitamos, o nosso conforto e partimos para o desconhecido. (Para um habitat selvagem eu diria! HAHAHAHA…)

O mais interessante, intrigante, recompensador é perceber nos pequenos detalhes do dia-a-dia que, na verdade, são os filhos que ensinam mais aos pais.

Não se engane caro amigo! Você acha que está ensinando bons modos, andar de bicicleta e matemática? Que nada! Eles é que estão te dando uma segunda chance de rever seus atos de cidadania, te obrigando a ter hábitos mais saudáveis e finalmente te fazendo aprender que a ordem dos fatores não altera o produto.

Por isso, eu digo que “a maternidade é algo muito doido”. ‘Pramódi” ilustrar isso TUDO que eu falei acompanhem meus grifos e comentários na definição do Dicionário Michaelis:

“doi.do
adj 1 Que perdeu o uso da razão; alienado, louco. 2 Exaltado, temerário. (quem nunca? kkkk) 3 Extravagante. 4 Insensato. 5 Extraordinariamente afetuoso: Doido por crianças. 6 Arrebatado, entusiasta: Doido por música. 7 Muito contente. (porque eles nos enlouquecem, mas nos fazem contentes!! Contraditório né?! kkkkk) 8 Oposto à razão, à moderação, à prudência (falando de coisas): Pensamento doido. Corrida doida. Antôn (acepção 4): sensato, prudente.”

FELIZ DIA DAS MÃES para quem é mamãe, para quem será no futuro e para quem é “mãetia”, “mãevó”; “mãeirmã”…