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Andou!

Eu pensei que quando o dia chegasse eu teria um livro para falar. Mas, eu só quero contar para vocês que ele ANDOU! ANDOUUUUUU.

24 de setembro de 2015. Aos 2 anos 11 meses e 10 dias, Pedro deu seus primeiros passos sem auxílio. Eu filmei, eu festejei, eu gritei, eu chorei e agradeci. Agradeci muito.

Primeiro agradeci à Deus por mais uma prova de amor e por sua infinita sabedoria. Depois fechei os olhos que estavam gordos de lágrimas e me joguei no sofá. Um misto de alegria e perplexidade me deixaram sem palavras.

Depois abri os olhos e fiquei olhando aquela carinha que é tão amada por mim e que continuou a brincar no ipad como se o seu ato tivesse sido corriqueiro. Aquele rostinho redondo, de boquinha bem-feita e cílios compridos ficou brincando enquanto eu sentia a serenidade e a alegria que só a gratidão nos proporciona.

E como se não bastasse a gratidão, eu senti orgulho. Orgulho por ter a oportunidade de conviver com o Pedro: um ser tão iluminado e persistente que, desde os primeiros momentos de vida, me surpreende e me ensina sobre amor, esperança, resiliência e doação. Orgulho dele. Orgulho da nossa parceria de vida.

Obrigada, Pedro! E parabéns, filho. O mundo é grande e lindo e você tem muito para andar.

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Da série: a escola

Comecei esse texto muitas vezes e em nenhuma consegui me expressar claramente. Certamente porque eu mesma estou confusa, com dúvidas e mais ansiosa do que gostaria sobre o assunto. São muitas questões para abordar e várias reflexões e ‘mimimi’ de mãe. Por isso, decidi separar os textos para não ficar tão bagunçado. Será que dá?  Bem, vamos lá. Esse é o primeiro post de uma série de…quantos forem necessários!!! kkkkkk

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Há algum tempo estou a procura da escola. Eu disse ‘da’. E não ‘de’. O que demonstra que não é qualquer escola, mas a escola do Pedro. Na listinha de prioridades coisas básicas como limpeza, organização, profissionais qualificados/habilitados/com amor pelo o que fazem, projeto pedagógico e estrutura segura e adaptada para os pequenos. (calma, já vou falar sobre esse meu sonho de escola que não existe! rs)

Nesse tempo de busca já deixei de lado algumas exigências iniciais desnecessárias (?) e fundamentadas na convicção de mãe de primeira viagem. A conclusão é de que não existe a escola perfeita. Sempre vai ter alguma coisinha “fora do tino”. Mas, pelo o que tenho visto há todo tipo de escola: escolinha, escola, escolão. Boa, ruim, péssima. Umas mais voltadas para o desenvolvimento da criança e outras que já pedem avaliação para alunos do maternal. Aliás, numa dessas eu ouvi “Nosso ensino é voltado para resultados…”. E eu já me senti pressionada pelo Pedro.

Tive problemas sérios com as operações matemáticas e a forma como isso foi resolvido tratado pela escola só me fez carregar essa defasagem e ser assombrada por ela até o vestibular. Logo, essa frase “Nosso ensino é voltado para resultados…” me fez recuar. Voltei a época do primário (ensino fundamental) quando eu não conseguia resolver a subtração “quando o número de cima era menor do que o de baixo.”

E a professora? Ela não sabia explicar. Ou entender. Em sua total falta de paciência com a única aluna incapaz de fazer a subtração, ela deu continuidade ao conteúdo. Ela não captou o meu problema:  eu não via o número de cima como uma dezena. Eu o via como um número simples do qual era impossível subtrair 9 de zero, por exemplo. (nessa fase ainda não aprendemos números negativos)

Enfim…aprendi com uma coleguinha de sala que me disse “O zero é como se fosse 10”. O nome dessa gênia de sete anos era Camila! “Onde quer que esteja: obrigada Camila, aprendi subtração com você!” kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Por essas e por muitas outras razões, acho a fase escolar muito importante na vida de um indivíduo e acredito que as experiências vividas nesse ambiente molde muito da nossa personalidade, da percepção do mundo, do respeito ao próximo, noção de cidadania e, claro, a qualidade do nosso conhecimento. Muito é responsabilidade da família, porém a realidade é que nossos filhos/netos/sobrinhos passam metade ou o dia todo na escola. 5…8….até 12 horas nesse ambiente absorvendo tudo o que acontece ali. Ou seja, você precisa confiar na escola, no ambiente, nas professoras e auxiliares, no projeto pedagógico.

Preciso de uma escola que, acima de tudo, ajude o Pedro a melhorar as habilidades e o incentive a conquistar novas aptidões sem o travar por medo de errar ou por demonstrar que não sabe. Não quero que o atropelem. Alguns me falam que ele saberá se virar e precisa dar conta do recado porque na vida nada nem ninguém espera você ficar pronto.

Verdade.

Mas, será que esse atropelo faz alguém ficar preparado ou se adaptar (do jeito que dá) para continuar a corrida? Eu me adaptei e passei a vida escolar de recuperação em matemática. Imagine no colegial…fui péssima em física. Passava vergonha, não entendia nada, me sentia totalmente incapaz. Eu sei…zero de física.

Por sorte, tive outros professores ótimos. Se eu era ruim em matemática…conseguia me sair muito bem nas disciplinas de humanas e até biológicas. Ter bons professores, e profissionais dedicados, garantiu minha autoestima acadêmica e me fez ser ainda melhor no que eu tinha habilidade.

Aham, senta lá Beatriz. Você quer uma escola que não existe! É…eu poderia dizer que sim.

Porém, o resumo desse post é: eu quero para o meu filho uma escola que o respeite, o ajude a melhorar suas habilidades já adquiridas e o incite ao novo!

lapis

(continua….)

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Brinquedos educativos e materiais recicláveis

Já comentei algumas vezes aqui no blog que o Pedro tem um atraso psicomotor por conta da prematuridade e, por isso, temos uma atenção especial com os estímulos sensoriais/de coordenação motora que damos a dele. Na verdade eu gostaria de fazer mais, mas admito que falta tempo e $.

Enfim, já me cobrei e me chateei muito por conta dessas “coisas a mais” que eu não faço ou não posso fazer por ele. Já vivenciei mais fortemente aquele velho clichê materno de sentir culpada, de achar que posso fazer mais e mais. Hoje estou na fase de aceitação de que mãe não é super heroína e tudo bem não dar contar de tudo. Ainda assim, de vez enquando o bichinho da cobrança faz eu me coçar. Bem, talvez isso seja positivo também…para não deixar eu me acomodar.

Enfim…sou dessas mãe que adoram ver a cria aprendendo coisas novas. O Pedro quando aprende alguma coisa nova é bombardeado com a minha repetição para ele fazer/falar de novo. Fazer o quê? É demais ver ele descobrindo o mundo. Ultimamente ando encantada com ele apontando as coisas e dizendo “Ó” com aquele tom de “Uauuuu, olha isso que legal!”.

Desde que começamos a fisioterapia sempre tentamos achar novas formas de estímulo, vivências sensoriais e motoras, além de atividades em que o Pedro se supere. Vira e mexe eu olho alguns sites que ensinam a criar situações, brincadeiras e brinquedos educativos. Mas, em prática mesmo eu coloquei poucas coisas. 1 – porque sempre faltava um material ou outro (tipo gliter!) e 2 – porque eu acabava demorando tanto que passava a vontade de montar o tal do brinquedo.

Mas, outro dia olhando uma página do Facebook sugerida por uma amiga terapeuta ocupacional (valeu Ge) achei umas ideias muito fáceis e interessantes. A maioria delas usava: tampinhas de garrafas, pote de sorvete, palitos de churrasco e só. OPA! Comecei a separar as tampinhas de todas as cores, pedi ajuda para minha mãe e também para a. Tia T. (fisio).

Adivinhem?

Tampinhas de refrigerante e caixa de Ferrero Rocher

Tampinhas de refrigerante e caixa de Ferrero Rocher

Ele ficou encantado com as tampinhas! Logo aprendeu a pegar, virar, girar, colocar e tirar de dentro dos potes e finalmente pudemos treinar as cores. Separando em grupinhos comecei a dizer o nome de cada cor e logo ele já sabia mostrar a cor quando pedíamos. As vezes ele ainda erra. Principalmente quando as cores começam com a mesma sílaba como VERmelho e VERde. Mas, na maioria das vezes ele acerta. A cor preferia é “axuul”.

Com as tampinhas também treinamos as funções de empilhar, enfileirar e rosquear. Já faz um tempo ele aprendeu a abrir garrafinhas. Pode parecer uma bobagem isso que estou contando. Mas, no caso do Pedro e de muitas crianças com atraso no desenvolvimento motor, essas pequenas conquistas são na verdade GRANDES aprendizados.

Aqui os puxadores permitem variar altura e lateralidade

Aqui os puxadores permitem variar altura e lateralidade

Outra atividade que elaborei com material reciclado foi a de encaixar. Usei o rolo de papelão (do papel toalha) e algumas pulseiras velhas minhas. Eu seguro o rolo e ele encaixa as pulseiras. Também uso os puxadores da gaveta da cômoda do quarto dele para diversificar altura, o tipo de encaixe e trabalhar a lateralidade.

Aprendi com essas experiências que, nem sempre, o brinquedo caro com luz e tecnologias mil é o que a criança mais gosta. Pedro tem alguns brinquedos caros da Chicco, Fisher Price, Bandeirantes. Mas, posso falar?! Ele brinca com eles poucos minutos por dia e depois prefere os carrinhos, a bola, a massinha e os livrinhos infantis. Ah, ultimamente ele também tem adorado abrir e fechar portas e gavetas. Além de tirar e guardar meus potes na cozinha.

É encantador perceber o quão rápido ele aprende as coisas. Mostro algumas vezes como faz e em poucos minutos ele está imitando, tentando até conseguir. Essas atividades também tem auxiliado o Pedro a manter a concentração. Como sempre foi muito agitado, ansioso, noto um pouco de dificuldade em manter o foco numa mesma função. Claro que tem a questão da idade…quando são muito pequenos as crianças não mantêm mesmo o foco por tempo prolongado. Mas, pelo sim pelo não…estamos trabalhando a atenção.

Bem, por hoje é só. Quis compartilhar com vocês essa parte da minha relação com o Pedro e também, quem sabe, dar ideias para vocês começarem a notar como objetos e materiais simples podem virar coisas legais . Vale tudo! Tem muita gente fazendo coisas muito bacanas e ganhando dinheiro com material reutilizado. Nem preciso comentar dos benefícios para o meio ambiente também, né?! Deem uma olhada nesses links: moda, decoração, brindes, brinquedos …

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Uma alegria imensa: “Querido Pedro” no Portal Terra

Obrigada!

Obrigada!

Oi gente!

Hoje vim aqui para agradecer à Deus, aos amigos queridos que me leem, ao Pedro que é a principal inspiração para este blog existir! Estou super feliz pelo “Querido Pedro” ter virado matéria no canal Carinho do Portal Terra por meio das mãos do amigo de faculdade, Felipe Gierstajn.

A história do ‘Querido Pedro’ começou há um ano quando no auge da minha necessidade de lidar com o perrengue da prematuridade extrema do meu filho decidi escrever um blog para desabafar, internalizar problemas, colocar para fora as situações boas e ruins que estava vivendo. O empurrão decisivo foi dado por uma amiga querida que trabalhava comigo na época. Durante o almoço daquele dia eu tinha contado sobre os preconceitos que já tinha passado por ter sido mãe aos 25 anos, idade considerada inapropriada pela sociedade pelo jeito. Ela me disse: “Bia, por que você não faz um blog para contar essas experiências?”.

TCHAM! Aquela ideia que já era uma sementinha na minha cabeça ganhou terra e água e amor kkkkkkkkkkkkkkkkkk

E então, da minha história triste e difícil (até aquele momento) nasceu o blog que tanto me ajudou a passar por aquela fase. A velha história de fazer uma limonada, ou caipirinha, com os limões que a vida te dá! Hoje esse espaço é muito mais de textos alegres.

Infelizmente escrevo menos do que gostaria porque tenho trabalho, filho (olhe só…você nem sabia kkk), freelas, casa e marido para cuidar! Quando as coisas estão mais calmas consigo escrever mais….mas, tem épocas que “minha gente, não é mole não!”.

Enfim, se tem uma coisa gratificante para quem gosta de escrever é saber que tem um leitor do outro lado da tela refletindo sobre aquelas palavras que escolhemos, organizamos em frases e expressamos num discurso. Pode ser que o texto passe batido, gere discordância,  proporcione um momento agradável de leitura ou até de identificação. O que me instiga mesmo é causar uma reflexão, um pensamento, uma emoção.

Por isso, obrigada a todos que me leem! De fato, a vida tem sido muito mais de limonadas do que limões azedos!  😉

PS: Quem quiser dar uma espiada na matéria o link é esse aqui:

“Blog sobre bebê é ideia de mãe para criar recordação digital”

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Deixe o seu relato também! (post longo, mas cheio de histórias contadas por amigos)

A conversa já rolava há um tempo até que eu comentei que a moça tinha perdido o bebê há apenas duas semanas. Do outro lado da linha minha mãe reagiu em tom de tristeza e lembramos de algumas histórias parecidas. Já li alguns relatos de mães que perderam seus bebês, filhos, e devo dizer que chorei em todos. É uma perda irreparável e que hoje sendo mãe  me afeta mais ainda. Perder o Pedro seria, sem dúvida, a maior dor. É algo tão complicado, chocante e sofrido que eu procuro não pensar nisso.

Entretanto, isso já foi um problema real duas vezes nesse curto espaço de tempo de vida dele. A primeira vez foi logo quando descobri que estava grávida (mais ou menos seis semanas). Senti uma cólica forte durante o almoço e quando retornei ao trabalho vi aquela mancha de sangue. Me desesperei porque não era pouco sangue. Corri para o hospital com uma amiga de longa data e no caminho fui fazendo as ligações (e orações).

 Demora no atendimento, soro, exame de toque e tensão nas alturas. Quanto medo de perder meu bebê. Um desespero que só quem passou sabe como é. O alívio só veio depois do ultrassom onde ouvi aquele pontinho vermelho piscando e fazendo tumtum-tumtum-tumtum.

A segunda vez foi quando ele nasceu. Não na hora do parto porque acho que eu estava tão atordoada…mas, quando o vi pela primeira vez. Ali sim foi um choque de realidade: 25 semanas, 770g, 29,5 cm, incubadora, mil cateteres, fiozinhos, luzinhas, apitos e botões. Naqueles primeiros dias eu disse “Se ele morrer eu nunca mais vou ser feliz”. Hoje, após 1 ano e 4 meses, eu diria a mesma coisa.

“Pensa no Pedro mãe”, disse ainda na ligação. “Ai, nossa eu não gosto nem de lembrar do medo que tivemos de perdê-lo. Eu olhava para ele tão frágil e rezava pedindo a Deus e aos anjos um milagre”.

Ela expressou tanta aflição na fala que me fez ficar pensando sobre o que as pessoas devem ter pensado naquela época. Porque foi uma fase muito difícil e delicada. Nos primeiros dias eu não atendia ninguém, não respondia mensagem. Eu não queria falar. Eu não sabia o que falar. Eu não queria ouvir um “eu sinto muito” ou “vai ficar tudo bem”.

Então como terá sido?! Saí perguntado por aí…

Naquele dia tentei falar com você, achei estranho não me atender e, logo em seguida, a Fran me ligou. Ouvir que você estava com muitas dores e que os médicos não sabiam a causa me deixou meio tonta. Eu não sabia se ligava pra sua mãe, se aguardava notícias. Impressionante como paramos de raciocinar nesses momentos. Daí pra frente foram preces pedindo para que os médicos descobrissem o q estava acontecendo. Foram muitas ligações até que uma delas trouxe a notícia de que o anjo Pedro tinha nos dado a alegria da sua chegada. Comemoração geral! Então, voltamos às preces pela sua recuperação e para que o Pedro fosse um guerreirinho e superasse o período crítico. Pedia a Deus que te cuidasse, que te colocasse no colo para que você ficasse firme e forte para passar segurança para o pequeno Pedro. E pensava: “O Senhor tem um propósito. Então, que seja feita a sua vontade. Mas, se não for pedir muito, que os dois fiquem bem”. Quando fui visitá-los no hospital, te encontrei com tanta esperança e vi nos seus olhos aquele amor que dizem ser encontrado apenas nos corações das mães. Ali eu tive certeza que ele ficaria bem e que um dia eu olharia para ele e não veria mais nenhum traço que lembrasse aqueles dias difíceis.E creio que os anjos disseram amém porque  1 ano depois lá estava ele… Pedrão…. todo sorridente se vendo na tela da tv durante a comemoração do seu primeiro aniversário. Lá estavam os amigos, os avós, a tia, os primos, o pai, o irmão…. e a mamãe… saudável e orgulhosa com o seu pequeno no colo… Garoto feliz! Se me lembro daqueles dias? Sim, só para agradecer. Amo vocês!” – Bete – Amiga do meu coração e  admiradora do sorriso do Pedro.

Prefiro voltar um pouco no tempo… no dia em que você descobriu a gravidez… lembro que estava deitada em minha cama e comecei a rir quando você falou que tinha dado positivo…eu ria e você chorava. Bom, isso foi mais para comparar com o dia do nascimento do Pepo. Se ri daquela vez, fiquei incrédula dessa segunda. Sim, isso é o pensamento que mais me vem na mente quando penso naquele dia. Não conseguia acreditar, todo mundo preparado para o chá de bebê dele, eu insistindo para que você fosse aqueles dias para a prefeitura…A ligação da Wania me falando da internação e a notícia que um nenezinho tão frágil tinha nascido foi chocante… tentei loucamente falar com a Carol para conseguir notícias, saber como estava minha amiga, e o mini Pedro? Quer saber o que mais senti? MEDO… medo pela fragilidade, medo porque os médicos não sabiam o que você tinha,  medo de não conseguir e nem ter bagagem suficiente para te ajudar, dar forças, mas no fim não podia deixar você perceber isso… você precisava se recuperar:  Pepo tinha apenas 770gramas. Só conseguia rezar e pedir que tudo ficasse bem com você e com ele. Olha, as horas entre saber que você tinha entrado em trabalho de parto e saber que estava tudo bem foram infinitas. Acompanhei tudo a distância e super apreensiva, não sabia muito o que fazer. Passado esse primeiro momento, só fui realmente saber o que você tinha sentido quando recebi seu e-mail…lembro que estava indo pra praia quando li…, e sim me debulhei em lágrimas imaginando tudo o que você contou e o quanto tinha sido mil vezes mais tensa toda a situação. Tem uma frase desse e-mail que sempre me lembro: “Ele chorou!”. O Pedro é um guerreiro amiga, e veio para ensinar muito para gente. Repeti muitas vezes isso para você, mas sei que você é quem mais sabe disso” – Julia – Amiga confidente! Linda, loira e inteligente! kkkkk

É muito triste saber que alguém tão próximo de você está passando por algum problema, principalmente quando envolve saúde. Quando soube que o Pedro havia nascido e estava na UTI chorei muito. Chorei porque passei a questionar Deus porque essas coisas acontecem com pessoas que são boas, de bom coração. Ele responderia alguns meses depois, quando eu (tia de coração) tivesse a chance de segurá-lo nos braços – em seu aniversário de um aninho. Lembro de ligar muitas vezes e não ter notícias, mandar torpedos e tentar obter informações com os familiares. Não sabia o que estava acontecendo com a Bia muito menos com o bebê. Chorei por ela, pela família, pelo Pedro. Chorei por sentir, em alguns momentos, que poderia perder alguém tão especial porque ela também corria riscos. Lembro de fazer o que poderia fazer naquele momento: orar com toda minha fé. Pedi aos espíritos de luz que levasse sabedoria, coragem e vitalidade aos dois. Foi tudo tão rápido e ao mesmo tempo tão demorado. Rápido no período de gravidez, entre o momento da internação e o nascimento, e demorado quando falamos do período em que o pequeno/grande Pedro permaneceu na UTI neonatal. Enfim, Deus é suprema inteligência e hoje tenho certeza de que tudo que a família enfrentou foi pela razão do amor. O Pedro está ficando um mocinho e a menina/mulher se transformou numa grande mãe. Tenho orgulho de ter conhecido de perto a história da vida real, sem edição, sem roteiro, e sim com um final feliz. Amo vocês!” – Fran – Amiga avoada, mas de uma doçura ímpar como essas linhas.

Eu não estava no Brasil quando tive a notícia da gravidez. Acho que de um modo geral o nascimento do Pedro veio rodeado de surpresas, todo o seu período, antes e depois. Quando pude finalmente dar um beijo em você a barriga já estava grande, você estava liiiinda gravidíssima. Perguntei como estava se sentindo e como estava sendo toda essa experiência. Como quem sabe do futuro você disse que a gravidez não iria até o final, você já achava que não seria uma gravidez de nove meses. O Pepe tinha pressa!! Na semana seguinte, dois dias no máximo, fiquei sabendo que vocês estavam no hospital. E logo em seguida veio a notícia de que o Pedro já tinha nascido. Meu Deus!!! Que medo. Fiquei preocupada e sem saber um pouco como reagir, nem você queria falar muito à respeito, não sabia o que estava acontecendo direito, a única coisa que sabia é que ele precisava ficar na UTI, pois ainda havia risco de vida. Como pode, né? Foi tudo tão rápido!! Só consegui te ver mais de um mês depois, você não tava muito para visitas e nem queria sair de perto do Pepe.Tomamos um café no Fran’s e aí sim você me contou como estavam as coisa, me mostrou toda orgulhosa como seu bebê tava lindo, e toda a evolução dele desde o nascimento. Foi ótimo te ver bem e confiante. Foi aí que eu senti que tudo ia ficar bem, você com os seus pressentimentos e eu com os meus. Costumo rezar de vez em quando, mas lembro que esse dia rezei mais forte pedi proteção e saúde ao Pedro e força pra você, que a cada dia que mostra quão forte é. Uma vez você escreveu que esse tipo de situação não vai para qualquer pessoa, é como se a mãe fosse escolhida, pois é preciso força. Tenho muito orgulho de você Biba, por mostrar que a força da mulher vai além do que esperamos e sabemos. E ao Pedro só desejo o melhor, que ele continue esse menino lindo com pressa de vida, mas que agora sem dar susto na mãe” – Gabi – Amiga cidadã do mundo, fala mil e uma línguas e seu sobrenome é procrastinação. Quando está no Brasil é melhor que chocolate!!

Levei um susto quando soube que o Pedrinho tinha nascido com apenas 6 meses de gestação, pois pensava que o “primeiro” susto – quando a Bia passou mal logo no comecinho – já tinha sido o suficiente rsrsrs. Mesmo com a surpresa, eu tinha certeza de que ele venceria a batalha, pois a sua vontade de viver era enorme  e o amor incondicional da mãezinha dava-lhe forças pra continuar lutando além das vibrações e orações dos parentes e amigos! Em nenhum momento duvidei que ele se recuperaria e cresceria tornando-se este garotão esperto e saudável! Afinal já temos uma certa afinidade, pois fui a primeira pessoa a sentir que ele estava chegando, lembra Bia? Agradeço a Deus a oportunidade de fazer parte da história de vocês família guerreira que eu adoooorrooooo!” – Wania – Ex-chefinha, amiga de todas as horas e que me socorreu no dia do 1º sangramento.

Eu não fiquei sabendo do nascimento do Pedro diretamente pela Bia. Soube da notícia via Facebook por um post da Carol que escreveu algo fofo sobre o nascimento, mas também pedindo para que as pessoas rezassem pela Bia e pelo Pedro. A primeira coisa que veio na minha cabeça foi: “Como assim nasceu???  Vi ela semana passada e só tava com uma barriga média. Não era hora ainda! Que menino apressado. Não basta minha prima (o bebê dela também nasceu prematuro, meses antes). Estão todos nascendo antes do tempo?!”. Haha! Depois foi: ”será que a Bia está bem? Ela estava sentiu uma dor naquele dia no shopping. Será que foi por isso? O que será que aconteceu?”.  Confesso que não me preocupei de imediato com o Pedro, e tenho uma explicação para isso. Minha irmã é médica neonatal,então minha ideia sobre nascimento prematuro é bem otimista já que ouço ela falar sobre pequenos, especialmente dos bem pequenininhos. Além disso, ela já havia trabalhado no Santa Catarina, mesmo hospital onde ficaram internados e ela dizia que lá era um dos melhores. Logo, imaginei que tudo ficaria bem. Ou melhor, eu sabia que o Pedro ficaria bem! Nunca desacreditei, mesmo quando a Bia me falava que ele era muuuuito pequeno e que estava entubado. A Bia tinha muito medo. Claro, ela mãe. Toda mãe é assim mesmo, sempre com medo de que algo ruim aconteça com sua cria. Haha! Foi um momento muito difícil para os pais. Muita coisa mudou na rotina deles. Não foi fácil lidar com uma situação hospitalar e aceitar um começo diferente da maioria. Posso dizer que foi um susto muito grande! O bom é que o tempo foi colocando tudo no lugar. Acho que todos aprenderam a desenvolver o dom da “paciência”. Nem tudo acontece no tempo que a gente quer, só Deus sabe o tempo certo das coisas” – Eli – Amiga da época da faculdade (mas parece que faz mais tempo! rs)

Estive com você um dia antes do nascimento do Pedro. Eu me lembro de termos ficado conversando por um bom tempo na enfermaria da Prefeitura enquanto esperávamos pelo atendimento. Você já estava com muitas dores e isso era uma coisa que dava para ver no seu rosto. No dia seguinte, o Cris me deu a notícia. Confesso que a primeira coisa que senti foi um misto de alegria e medo, ele era tão pequeno. Não sei se já te falei, mas tenho muito orgulho da força que teve para superar os momentos difíceis que viveu na UTI. Naquele dia em que fui te visitar, Bia, foi difícil conter as lágrimas ao ver você contar como era dura a rotina e como, mesmo assim, você se mantinha firme, esperançosa e cheia de amor” – Pri – Amiga do trabalho que me faz tanta falta nos finais de tarde.

Daí, certo dia, durante uma das nossas conversas de fim de expediente, a Bia chega para mim e diz: “Pretinho, tô grávida!”. Ao ouvir isto, congelei e tentei imaginar qual seria a coisa certa a dizer. Foi quando perguntei: Mas você está feliz? A resposta, claro, foi um sonoro SIM, acompanhado daquele belo e contagiante sorriso que se tornou constante todas as vezes que ela comentava ansiosa sobre a chegada do Pedrão. Quando finalmente o Pedro nasceu, fiquei imensamente feliz, mas, ao mesmo tempo, preocupado pensando no quão pequeno e frágil era este rapazinho. E que bom poder dizer “ERA”, pois dia a dia ele nos mostra que é um verdadeiro guerreiro e com uma imensa vontade de viver… Te dizer, viu…Tenho um orgulho danado da mãe que você se tornou Bia e fico muito honrado em perceber que, mesmo indiretamente, fiz parte desta incrível história que você escreveu” – Cris – Meu pretinho básico! Daquelas pessoas que você ri o tempo todo enquanto está por perto.

Foi muito rápido o que aconteceu com a Bia, um dia anterior ao nascimento do Pedro, ela chegou no trabalho pálida, com cara preocupada e se sentindo mal. Falei para ela voltar para casa ou ir direto para o hospital, antes, porém, perguntei se tinha alguém para vir buscá-la, pois sozinha ela não sairia do trabalho. As primeiras horas foram de muita expectativa e preocupação. Graças a Deus e com muita vibração positiva, Pedro nasceu e superou todas as dificuldades. É um grande guerreiro. Além disso, tem uma mãe maravilhosa e muito dedicada” – Roseli – Chefinha que segurou as pontas!

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Pedro compridão

altura

Quando saíamos hoje de casa encontrei minha vizinha que tem gêmeas e com quem troco muita figurinha sobre a prematuridade e todos os seus “ais”. Nos cumprimentamos e eu conversei  carinhosamente com a V. que estava no colo dela com carinha de poucos amigos (uma raridade visto que é super meiga e engraçadinha).

E foi nesse breve espaço de tempo, na simplicidade de um dia comum, que eu vi e ouvi algo que me deixou contente. Minha vizinha olhou para o Pedro no bebê conforto, fez uma expressão com as sobrancelhas levantadas e soltou “Nossa, Pedro!”.

Só isso: “Nossa, Pedro!”.

Eu olhei de volta para ele e vi o que causou “espanto” nela. Pedro está grande. Magro é verdade. Mas, comprido. Os pezinhos já ficam para fora do bebê conforto e nesse momento quando olhei para ele vi um menino compridão. Olhei de volta para a V. e para ele de novo.

Vocês conseguem entender o que aconteceu? Pela primeira vez, em um ano e três meses, eu não achei o Pedro muito menor do que uma outra criança da idade dele! Enquanto olhava para ele e para a V., que é poucos meses mais velha que ele, eu experimentei a sensação de equivalência. (?)

Talvez essa mania de comparar as medidas do Pedro com as de outras crianças seja só besteira da minha cabeça. Contudo, acho importante estar sempre atenta a sinais de que o crescimento pode estar fora do padrão. Tanto por conta da saúde, quanto para que no futuro ele não seja alvo de brincadeiras maldosas do tipo “vara pau”, “lá vai o anão”….e demais maldades infantis.

Foi preciso o acaso de um dia comum para eu acordar! Nenhuma das (mil) vezes em que alguém me disse que ele não era tão pequeno assim me soou tão realista quanto à expressão “Nossa, Pedro!” e aquelas sobrancelhas levantadas.

O curto diálogo conseguiu abrir meus olhos para o fato de que é hora de relaxar um pouco, afrouxar as mãos da gola da preocupação que me aprisiona desde o momento em que caí na real do que significava ter um bebê aos seis meses de gestação.

Será isso? Finalmente as complicações da prematuridade, aquelas que não nos permitiram ter um começo legal, estão ficando pelo caminho? Acho que sim.

É como se as complicações fossem roupas que ficaram apertadas com o nosso crescimento e agora já não nos servem mais. É tempo de renovar. É tempo de doar.

Crédito foto: Google.

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Sobre aniversários, os de idade e os de incubadora

Outro dia seguia para trabalho e ouvi um menininho comentar com a mãe. “1, 2, 3, 4, 5…..100. Eu vou viver atéééé os 100 anos e depois vou morrer”, disse ele. Sorri sem olhar para os dois e pensei como é linda a inocência e a sinceridade das crianças. É puro. É um pensar e falar.

A conversa sobre quanto tempo viver me fez pensar sobre o meu próprio aniversário que está logo aí. Eu durante esses quase 27 anos sempre gostei de comemorar a data. É um dia em que eu sinto minha energia diferente. É um dia em que pessoas muito queridas me dizem, ou fazem, coisas de tamanha delicadeza para me mostrar que o tempo não é capaz de desfazer amizades verdadeiras e que elas gostam de mim exatamente do jeito que eu sou. E eu? Eu fico sorrindo querendo viver 100 anos.

Fiquei pensando: será que mesmo depois de tanto tempo minha mãe ainda se emociona quando lembra do meu nascimento? Sempre gostei de ouvi-la contando sobre o dia do meu nascimento, de como foi a primeira vez que ela me viu de “olhinhos piscando rápido e o cabelo todo espetado”.

É tão emocionante o nascimento. É um milagre indescritível e de fato sublime. O baby está na barriguinha da mommy e de repente PLUFT! Ar nos pulmões, claridade nos olhos, frio na pele, sensação de fome. É vida começando. A lembrança do Pedro saindo da minha barriga é tão forte! Aquele choro anunciando a vida. Aquelas lágrimas que não consegui segurar que escorreram quente pra minha nuca. As palavras do pai do Pedro no meu ouvido “Nasceu, Amor. Nosso filho nasceu. Ele é piquitico”.

Tudo isso (nada prolixa!) para contar que o aniversário desse ano tem comemoração dupla porque, enquanto eu completo 27 anos, o Pedro completa um ano fora da incubadora. Há um ano cheguei na UTI pela manhã e levei o maior susto vendo um bercinho aquecido no lugar onde ficava a incubadora dele. O primeiro pensamento foi já imaginando o pior, retrocesso…Mas, nada! Meu menino tinha finalmente saído da incubadora após 2 meses e 5 dias de nascimento.

Lembro de ter ficado paralisada em frente ao bercinho com as mãos no rosto, incrédula olhando para ele. Um misto de euforia e medo.

As auxiliares de enfermagem vieram conversar comigo só que eu não conseguia prestar atenção direito no que elas estavam falando. Só voltei a realidade quando elas disseram “Agora, o acesso a ele é livre apesar de todo o cuidado que ainda permanece. Você já pode trocar as fraldas e dar banho todos os dias”. “Ai meu coração!!”, eu pensei.

Nesse dia (22/12/2012) eu e o Pedro começamos a nossa relação de toque. Até então só nos víamos pelo “vidro” da incubadora e ficávamos em contato nas horas do Canguru. Foi incrível poder tocá-lo; pegar no colo; cuidar; sentir o cheirinho e pouco a pouco começar uma rotina próxima do normal entre mãe e filho. Nesse mesmo dia troquei a primeira fralda dele tremendo de medo. Ele tinha pouco mais de 2kg!

Por isso, e tudo mais, parabéns para nós Pedro! Você é sempre o meu melhor presente.

Olhem que tamanico de gente! Isso porque já tinha crescido. Ainda nem podia usar roupinha.

Olhem que tamanico de gente! Isso porque já tinha crescido. Ainda nem podia usar roupinha.