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Ai meu coração

Eu voltei a trabalhar faz um mês mais ou menos. Mas, durante boa porta da licença maternidade eu ficava imaginando como seria voltar a trabalhar e deixar o Pedro em casa, com alguém ou numa creche.

Chegada a época de cortarmos de vez nosso cordão umbilical ficou decidido que o Pedro ficaria com a avó (sogra) o que me deixa bastante tranqüila quanto aos cuidados e ao amor dedicado a ele.

Nos primeiros dias ligava duas vezes: depois do almoço para saber se comeu bem e no final da tarde para saber se estava tudo bem. Passados alguns dias ligava uma vez só. Hoje até consigo ficar sem ligar (uau!).

A adaptação dele foi super tranqüila. Fiquei feliz com isso e respirei aliviada por saber que ele não estava sofrendo com a nossa separação (só eu! rsrs). Então, um belo dia acontece: a avó não pode ficar o neto. Ai meu Deus, e agora? Pensa, pensa, pensa.

Não posso faltar. O pai também não porque acabou de voltar de uma licença por acidente de trabalho. Pensa, pensa, pensa. E se eu levar ele pro trabalho? Ele pode ficar vendo TV quietinho e….eerrrrrrrr…..tá voltei a realidade.  E agora?

Recorri a minha mãe. Ela também trabalha, também tem seus mil afazeres. Mas, como sempre nessa vida quando a coisa fica feia a gente grita “mããããeeeee”. Ela super hiper maravilhosa, como sempre, se virou nos 30 (brega escrever isso hein?!) e ficou com o Pedro para mim.

 – Alô? Oi mãe. Está tudo bem por aí?

– Está, filha. Ele veio dormindo no carro e agora está olhando a casa.

Escuto uns grunhidos de bebê meio irritado. Penso “tudo bem ele faz isso quando cansa e quer fazer outra coisa: colo, mamar, virar para o outro lado”.

Desligo tranqüila e vou almoçar.

Meia hora depois o celular toca.

 – Oi mãe.

– Be, o Pedro não parou de chorar desde aquela hora. Já dei a mamadeira, a chupeta… O que eu faço? (leia com voz de desespero)

Na hora eu não sabia o que falar. Só ouvia os berros do Pedro. Ele esgoelava bravo, muito bravo! “Ai minha Nossa Senhora das mães que trabalham fora o que eu faço?”, pensei.

– Não sei, mãe. Põe ele no banho. Se não passar, eu vou pra casa.

Foi a primeira coisa que saiu, gente. Não foi racional. Foi um impulso. Até porque de onde eu trabalho até onde eu moro levaria NO MÍNIMO uma hora.

Fato é que funcionou. Depois de quase comer todas as unhas, arrancar os cabelos e ter uma úlcera esperando por notícias minha mãe ligou.

– Passou. Dei banho. Ele brincou e agora está dormindo.

Ai meu coração Pedro! Você está me envelhecendo antes da hora.

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