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Te amo, Piriquito!

Filho,

só para você saber…

ontem te peguei no colo quando você já estava adormecido. Te peguei para colocar no berço e fui totalmente paralisada pela sua beleza, serenidade, inocência e confiança em mim. Olhinhos fechados, cílios perfeitos, sembrante de paz.

Fiquei um tempo com você no colo sentada na minha cama. Fiquei te olhando, vendo teus detalhes que eu já sei de cor e salteado. Ainda gastei um tempo sentindo teu calor, sua roupinha levemente úmida pelo verão tropical, cheirei seu cabelo e me senti grata pela tua vida! Grata por ser tua mãe.

Te amo, Piriquito.

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Obrigada tia T.

Filho,

quando eu era pequena, uns 3 ou 4 anos, eu tinha uma professora de quem eu gostava muito. O nome dela era Jojô. Embora ela desse atenção para todos os meus coleguinhas de sala, nós tínhamos uma ligação diferente. Eu a adorava e ela em troca também me dava uma atenção especial.

Tenho pouquíssimas lembranças dela já que era bem pequena, mas curiosamente quando lembro desses momentos sou invadida por um carinho imenso. As boas vivências que tive naquele tempo ficaram gravadas no meu inconsciente e obviamente no meu coração.

A escolinha que eu frequentava na época tinha uma metodologia bem interessante. Seria pedagogia Waldorf, Motessoriana, Construtivista ou a simplicidade de escolinha básica? Não sei precisar (será que minha mãe lembra?). Mas, me lembro dos dias que passava no parquinho fazendo bolinha de sabão de cima da casinha de madeira, das rodas de atividades, das colagens, dos preguinhos onde pendurávamos nossas mochilas e lancheiras…

Outra memória marcante é de que houve uma época de visita à casa dos amigos. Não sei a periodicidade, mas de vez enquando a turminha toda visitava a casa de um amigo. Imagine a animação: comer na casa do coleguinha, conhecer seu quarto e seus animais de estimação, seus brinquedos e todo o universo de fora da escola.

Então um dia (não me lembro do motivo ou se o motivo foi apenas o carinho) minha professora Jojô me levou para conhecer a casa dela. Ela tinha um cachorro lindo de pelos dourados e rabo comprido chamado Mel. O tapete da sala era daqueles peludinhos que estava na moda na época (preocupação com rinite é coisa recente, gente). E lembro de ter lanchado sanduíche no pão de forma cortado em forma de triângulo! Foi sem dúvida um momento de profunda diversão e carinho. Tanto que eu me lembro até hoje após quase três décadas.

Tô contando essa história filho porque há poucos dias foi a sua vez de viver uma história parecida com essa em que o amor e a dedicação profissional foram quesitos maiores do que o retorno financeiro.

A convite da sua fisio T. fomos a casa dela para uma sessão na piscina (hidroterapia) que é uma excelente opção para o seu tratamento motor. Fomos recebidos com muito carinho pela tia T. e por toda a família que estava presente quando chegamos. A princípio você ficou sério e interessado em olhar o espaço. Mas, isso foi só até o Luke aparecer. O Luke é o cachorrinho da tia T. Você ficou encantado, filho. Olhou, sorriu, gritou, passou a mão e até beliscou (vergonha kkkk).

"Mãããeee, vamos entrar!"

“Mãããeee, vamos entrar!”

Pouco depois fomos para piscina e você, que ama água, ficou eufórico para entrar.Olhe essa foto. Não preciso explicar nada. Você brincou, brincou, brincou….até que cansou e começou a ficar choroso. Te dei banho e depois você se entregou ao sono todo relaxadão no colo da tia T.

Tudo isso aconteceu em três horas, filho. Mas, foram horas em que observei tudo com muita calma para poder te contar depois. Pra te dizer que você é querido por muitos e há seis meses também pela sua tia T. que acredita na sua capacidade e põe carinho e dedicação em cada alongamento, estímulo, posição. O que ela te dá vai muito além de uma simples terapia e, por isso talvez, você goste tanto quando a vê na porta de casa.

Por fim, queria lhe dizer que não é necessário/obrigatório/vital ter amor em tudo na nossa vida. A gente consegue levar os dias sem ele, mas não sem ficar um pouco mal humorado, ranzinza com coisas pequenas e um sem graça solitário. Você vai ter tempo para experimentar isso e eu espero que sua escolha seja sempre o de deixar a vida leve.

Pedro, aproveite todo o amor que recebe. Brinque com o Luke como eu brinquei com o Mel. Curta a sua tia T. como eu curti a minha Jojô.

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Tia T.

Obrigada por todo carinho e empenho que tem com o Pedro. Eu sou realmente grata por todas as evoluções dele e por você acreditar e trabalhar os potenciais dele respeitando o tempo e as restrições motoras. Parabéns pelo profissionalismo e respeito, eu sei que não somos apenas cifrões!

Beijos,

Bia e Pedro.

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Carta a Deus

Escrito ao som de Oração ao Tempo – Caetano Veloso

“Querido Deus,

Eu nunca te escrevi. Você me deu um dom que me faz tão feliz, que traz o meu sustento e eu nunca retribuí com uma palavrinha sequer. Desculpe por isso. Eu nunca tinha me dado conta. Espero que ainda esteja em tempo.

Me sinto a vontade para escrever da minha maneira livre e espontânea porque você conhece meu coração melhor do que eu e por isso, sabe que eu gosto de ser direta nas palavras, não deixar nas entrelinhas.

Acontece, Pai, que durante as minhas reflexões natalícias/reveillonísticas me peguei pensando muito em o que eu quero realizar em 2014 (futuro) e nas falhas que cometi em 2013 (passado). Com o passar dos dias comecei a entrar num clima chato, tristonho, que nada tem a haver com essa época do ano em que devemos relembrar o nascimento do seu filho Jesus e sermos gratos por Ele ter dado a vida por todos nós. Maior prova de amor não há, certamente.

Percebi, Pai, que estava sendo egoísta contigo. Estava tendo a atitude que mais me deixa indignada com relação aos humanos. Perdã…Eu sei. Não preciso terminar a palavra porque em seu amor infinito já me perdoou antes mesmo que eu terminasse de escrever.

Eu só queria lhe dizer, e não deixar passar a oportunidade, que sou completamente grata pela minha vida. Por tudo, meu Senhor. Tem dias que me sinto tão cansada que adormeço sem antes fazer uma oração de agradecimento. Contudo, não entenda isso como desleixo, falta de gratidão.

Sou grata pelo meu respirar, caminhar, enxergar. Pela minha linda família. Pelo meu emprego. Pelas pessoas queridas com quem tenho o prazer de desfrutar essa vida. Pela proteção nos trajetos. Pelas conquistas pessoais. Por todas as paisagens que já pude ver. Pelos pequenos presentes que me concede diariamente.

Obrigada Pai, por ser tão generoso comigo. Obrigada por esse amor infindável que não desiste de mim mesmo quando o questiono, cometo meus erros e perco a paciência.

Obrigada meu Senhor pelo presente mais lindo que eu poderia ter recebido. A vida do Pedro é sem dúvida a maior prova desse seu Amor infindável e da sua misericórdia. Me desculpe pela briga que tivemos naquele banheiro de hospital quando ele nasceu. Eu sentia a dor e via as feridas na alma sem compreender que grande aprendizado o Senhor me reservava. O Pedro é maravilhoso, Pai! Que lindos olhos o Senhor escolheu para sorrir para mim!!

Obrigada por ter permitido que eu vivesse dias tão lindos com o homem com quem hoje sou casada. Eles foram tão importantes para mim como o Senhor bem sabe. Com ele aprendo a partilhar, ceder, amar, perdoar, e…..cozinhar! Claro! kkkkkkkkkkkkkk

Obrigada pela natureza tão linda que criou. Fico encantada em frente ao mar, olhando a Lua e as montanhas, percebendo a perfeição dos animais e de toda a sinergia que isso tem.

Obrigada pelos milagres que concede, pelos casais que une, pelas segundas, terceiras, quartas, quintas…chances que nos dá.

Também queria que soubesse que sou feliz por agora te chamar de Pai. Lembra eu não conseguia fazer isso?! Achava estranho quando faziam. Foi preciso tempo para que eu me acostumasse a ser tão íntima de ti. Aconteceu no momento de dor mais difícil que tive até aqui, mas em que Tu me ensinaste a ser melhor. Muito melhor.

Obrigada, Pai. Foi preciso que Tu fosses duro comigo para que eu então entendesse que ser humilde não é apenas tratar os outros como iguais, vai além. É ter certeza do seu amor infinito e confiar. Confiar de olhos fechados mesmo em momentos difíceis. Ter disponibilidade para mudar hábitos. Saber agradecer. É oferecer a outra face em algumas situações. É compreender que ninguém é autossuficiente.

Com todo o meu amor,

                                             filha.”

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Um ano de uma vida toda

Já faz um ano que eu passei pela experiência mais forte e chocante da minha vida. Sem exagero. Simples e seco assim. 17 de outubro de 2012…….17 de outubro de 2013.

Há um ano eu me senti mal no trabalho, internei, passei a noite no hospital, minha bolsa rompeu pela manhã e veio a cesárea de emergência. 25 semanas de gestação. Bebezico de 770 gramas. 29,5 cm. Meu Pedro chegou!

Quão bipolar é a vida que nos surpreende com momentos miscigenados de alegria e tristeza. O cérebro chega a fritar: sorrir de nervoso e chorar de alegria. Vivi uma montanha-russa de emoções até agora. No tempo de UTI, e um pouco depois dela, chorei todas as lágrimas que tinha em mim. Descobri uma força para suportar o sofrimento que nem sabia que tinha. Redescobri minha fé. Deixei para trás parte do que tinha virado habitual até ali.

Perdi e ganhei. Ganhei muito. Ganhei um coração que bate fora de mim, conheci o amor incondicional, gerei vida, cheirei bebê, acompanhei descobertas de criança, presenciei fofurices sem fim, revi conceitos, mudei atitudes, redescobri habilidades, relembrei músicas da infância, ganhei uma cicatriz (ou algumas), aprendi a pedir ajuda, aumentei minha fé…

Lá pelo segundo mês de UTI me lembro de pensar “Quando sairmos daqui os dias serão tão diferentes, as memórias ficarão tão distantes, que quase não vou me lembrar daqui”. E assim foi. Hoje quando lembro chego a duvidar de mim mesma e me espanto a constatar que nós passamos por tudo aquilo. Caramba, parece história de filme de drama. Mas, sim nós realmente vivemos aquele roteiro.

Envelheci bem mais que um ano em 365 dias…quanto a isso não há dúvida. Vivenciei o clichê do “amadurecer a força”. Não que antes eu fosse uma insensata, nem tão pouco uma fútil. Nada disso. Tô falando de amadurecimento interno, de reforma interior, de mudança obrigatória nas atitudes e de resiliência.

Quando temos um filho, renascemos com ele. Nunca mais seremos como antes. Demorei a entender isso e acho que ainda não aceitei totalmente a ideia. Porém, olho para o rosto do Pedro e penso que não poderia mais viver sem ele. Hoje ele faz parte de mim.

Esse é o primeiro ano de uma vida toda…ainda bem!

Te amo!

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“Filho vai com calma que a mamãe ainda está se acostumando com essa coisa de te ver grande!”

Ter filhos é assim: um exame Beta HCG diz que você está gravidíssima. Daí você passa um tempinho sentindo mal estar, engorda, fica com barrigão. De repente ele nasce e no outro dia já está por aí batendo palminha e espalhando fofura. Eu e o Pedro vamos fazer um ano no próximo mês gente. Como pode? Foi muito rápido esse último ano. Tá, péra. Um parêntese aqui. O que foi ruim passou devagar que eu achei que nunca fosse terminar. Mas, o que foi bom…ah…isso passou muito rápido!!

Pedro está um menino. Observo a cada dia que ele perde suas características de bebê e ganha mais de criança sapeca. Ele ainda está bem abaixo da linha de crescimento e peso se comparado com uma criança nascida no tempo certo. Eu como mãe por vezes me pego aflita pensando que ele precisa crescer mais, engordar mais, fazer isto e mais aquilo logo. Então, me lembro de que é preciso esperar. Esperar o tempo dele. Esperar que ele esteja pronto. Preciso conter minha ansiedade e compreender que com o Pedro o tempo corre numa velocidade diferente.

É lindo, algo sublime mesmo, ver as conquistas dele. Outro dia quase chorei por vê-lo de pé segurando na poltrona com auxílio da fisio. De quebra uma olhada para trás e um sorriso enorme direcionado para mim. Vi nisso uma amostra de como será o ensaio para os primeiros passos. Me emocionei ao imaginar meu Pequeno ganhando autonomia e fazendo algo que em dias corriqueiros não damos valor: andar. (lembrando que esse era um risco real no caso dele).

Há quase um ano nascia o Pedro. Saiu de mim chorando baixinho, na altura permitida pelos seus pulmões prematuros, mas alto o suficiente para expressar que ele queria vida tanto quanto eu o queria vivo! Quando nasceu escorregadio, macio e quente, ele era um estranho completo para mim. Mas, hoje…hoje ele é o meu coração todo! De desconhecido só sobrou o desafio da maternidade. Como se fosse só…

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Filhos com limitações

Nenhuma mãe quer ter filho com limitação. Mas acontece. A frase ficou um pouco seca e aparentemente carregada de revolta, mas não é bem isso. É apenas a realidade. Simples. Direta.

Estamos investigando se o Pedro tem de fato alguma lesão que atrase seu desenvolvimento mais do que o normal, mais do que esperado para um prematuro extremo como ele foi. Mas, o buraco é mais embaixo. Estamos investigando se o Pedro teve alguma lesão cerebral que o impeça de desenvolver normalmente funções básicas como sentar sem apoio e futuramente caminhar. A parte motora é mais visível e por isso indica mais facilmente que algo está fora do compasso. Ao que tudo indica a cognição está preservada.

Temos feito acompanhamento com uma neuropediatra, estamos fazendo exames, mas já disse aqui que a medicina não é tudo. Existe um Deus na minha vida que não me abandonou e sabendo do meu sonho me deu um filho perfeito. E que depois quando todos achavam que o Pedro não sobreviveria me mostrou o verdadeiro milagre da vida. E como se não bastasse me deu um filho saudável, esperto, sorridente! Então, calma.

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Você é o meu filho amado que saiu de mim antes da hora e eu sou a sua mãe que pediu incessantemente a Deus que me deixasse ter o privilégio de viver com você. Sim, porque é um privilégio poder conviver com você, ver seu sorriso, ver seus aprendizados, ver sua carinha de descobridor de um novo mundo! Não houve um dia, Amor, que eu não tenha agradecido a Deus pela sua vida.

Nós temos um entendimento somente com o olhar e que as palavras não podem dizer. Eu te olho, você me olha e ali nós somos um elo inquebrável.Imagem

Apesar de ouvir tudo aquilo da médica e sentir, e pensar, em muitas coisas me mantive forte. Acho que ainda estava processando tudo. Até que seu pai olhou para o banco de trás onde eu estava com você e mirou bem nos meus olhos. Olhou lá dentro e fez uma cara, também inexplicável em palavras, mas dizendo algo do tipo “Eu sei meu Bem”. Senti as lágrimas chegando e aquele nó na garganta começou a se desatar até sair como um gemido de desabafo. Chorei.

Chorei só ‘um pouco’, filho, porque chegamos ao laboratório e eu precisava parecer inteira e sã para fazermos seus exames. E você mais uma vez conseguiu mudar o meu dia. Contrariando todos os pensamentos gerados com as frases médicas você quase não me deixou terminar de fazer o cadastro dos exames de tão esperto que estava. Pegava tudo a sua volta: meu cabelo, minha blusa, seu pé, os papéis em cima do balcão, alça da sua bolsa. A atendente deve ter pensado que eu sou muito estabanada porque eu mal conseguia te segurar e guardar os papéis/documentos/seu cobertor.

Sabe…quando eu te abraço forte me sinto melhor. Eu não sei se é porque sinto que posso te proteger do mal, tirar todo sofrimento, ou se é porque na verdade é você que me transmite toda a sua alegria inata. Sempre ouço das pessoas o quanto você é risonho, que você é um bebê feliz, que é muito esperto. E filho, não há nada que alguém possa me dizer que seja melhor do que essas três coisas. Nada.

Pedro, você é o melhor filho que eu poderia ter. Você é o meu “Titi”, meu fofinho, meu bebê.

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Fofice do dia

Hoje pela manhã a caminho da médica você começou a ficar com sono só que eu não tinha podia te tirar da cadeirinha para ninar. Sei que gosta de um paninho encostado no rosto para dormir, mas também não era possível no momento. Me lembrei de uma cena da noite anterior em que você estava no meu colo resmungando pra dormir quando seu pai colocou a mão dele no seu rosto, meio te amparando e acarinhando, para te acalmar. Então, apoiei a minha mão na sua bochecha esquerda e você foi amolecendo, deixando a cabecinha cair e…dormiu. Tão sereno. Tão seguro. E eu pensei mais uma vez “que privilégio fazer isso por você”.

 

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Avô tem chapeuzinho, vovó tem grampinho (aviso: texto longo como a vida deles kkkk)

Mais alguém aprendeu essa dica quando estava sendo alfabetizado? De que o acento circunflexo era o chapéu do vovô e o acento agudo era o grampinho do cabelo da vovó?! Regras de acentuação a parte a dica é no mínimo fofa e funciona bem, não? Eu pelo menos nunca mais esqueci. Mas, o que eu também nunca mais esqueci foi dos meus avós. Na verdade eu só conheci a minha avó materna e meu avô paterno. Um de cada lado. Justo.

O engraçado de quando a gente não conhece alguém, mas gostaria de ter tido a oportunidade, é que criamos várias fantasias sobre ela. Eu gostaria muito de ter conhecido minha batchan (avó em japonês) que, segundo contam, era uma mulher muito bonita, inteligente e a frente de seu tempo. Mas, sempre fiquei pensando se ela gostaria de mim já que era uma japonesa super tradicional e não gostava muito da ideia do meu pai querer se casar com a minha mãe por ela ser gaijin (estrangeira). Será que ela gostaria de mim: filha de japonês com gaijin? Eu seria também uma gaijin. A mestiça. Brasileira. Olhos puxados com pele morena.

Meu pai me contou certa vez que quando foi apresentar a minha mãe para a família durante um jantar minha batchan teria dito à mesa na frente de todos: “Mas, ela é gaijin”. Senti raivinha quando soube disso porque não deixa de ser uma forma arcaica de preconceito. E outra, meu ditchan (avô em japonês) ao contrário dela não ligava para isso e repetiu até seus últimos dias para mim e para outros “Mamãe bom. Muito bom” se referindo a minha mãe. E advinha? Todos os filhos se casaram com brasileiros. Os três: meu pai, minha tia e meu tio. Então né…uma família de gaijins! Toma essa preconceito! Kkkkkkkk

Meu ditchan é outro enigmático para mim. Sei pouco, convivi pouco. Mas, as memórias que tenho são sempre interessantes. Ele era tão inteligente, embora fosse apenas um marceneiro. Aliás, será que eu posso dizer ‘apenas’. Ele construía violão! E tem mais: ele construiu um banquinho que não tombava para mim e para minha irmã alcançarmos a pia para escovar os dentes quando éramos dois toquinhos. Foi ele também que fez os portões para as escadas que nos impediam de nos esborrachar escada abaixo. Ele ía de bicicleta trabalhar na Barra Funda, desenhava, tinha uma biblioteca enorme na casa dele, cultivava orquídeas, tinha um laguinho com peixes e tartarugas. Que homem…

E a vó Adelina hein?! Mãe da minha mãe. Foi com quem eu tive mais contato e acho que meu referencial de avós foi construída com ela. Gente, o que essa mulher cozinhava era fora de sério. Natal era o dia mais especial do ano. Toda família reunida com direito a ceia tomando a mesa, música, cantoria de Noite Feliz e árvore de natal apoiada em um mar de presentes. Festeira essa mulher. Vaidosa: impecável com os cabelos e roupas. Caridosa. Gênio forte. Ela merece um post a parte.

Sobre o meu avô, pai da minha mãe eu sei muito pouco. Não me recordo sequer do nome. Mas, minha mãe uma vez me contou que ele comprava maria-mole para ela. E alguém que comprou maria-mole para a minha mãe durante a infância difícil que ela teve já merece o meu respeito. Valeu, vô!

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Tem coisa mais linda do que ouvir o marido dizer apontando uma foto no álbum de casamento dos pais “Essa era minha avozinha” (mãe da mãe)?? Não, não tem. Derreti!

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O mais interessante de escrever um texto sobre a data comemorativa de hoje, dia dos avós, é me dar conta de que os meus antepassados, sem exceção, tiveram vidas bem difíceis. Nenhum deles teve uma infância ou juventude tranqüila com direito a brincar e ser feliz. Todos foram bem pobres, passaram por muitas necessidades, tiveram que batalhar e trabalhar muito e tiveram pouco tempo para ser feliz no amor e na vivência em família.

Talvez não tenham sido bons pais olhando do ponto de vista do que hoje consideramos ser o ideal. Por vezes fiquei chocada com histórias que meu pai e minha mãe contavam dos pais deles. Mas, fui crescendo e aos poucos me dei conta de algo Divino porque só pode ter sido obra Dele mesmo.

Após anos e anos, gerações, hoje posso dizer que tive uma infância feliz. Eu pude brincar ao invés de trabalhar, não passei fome, nem frio, nem apanhei que nem bicho, tive caixa de lápis de cor com 36 cores, pude estudar em boas escolas, fui a faculdade, tive pares e mais pares de sapato, brinquei de boneca, ainda bebê conheci a praia…e tudo isso só foi possível porque lá atrás, há décadas, meus avós começaram a batalhar para ter a garantia de uma vida melhor para eles, para os filhos deles, para os filhos dos filhos deles.  

Obrigada avós! A trajetória continua. Agora poderei dar uma infância e vida ainda melhor para o Pedro que, com certeza, saberá da história de vocês. Porque eu vou contar a ele que ele faz parte de uma família de fortes.

Curiosidade: Nunca gostei desse negócio de fazer homenagem familiar com nome de filho como foi obrigada a fazer a Kate Midleton com seu George Alexander Louis. Mas, depois que o Pedro nasceu minha prima me contou que meu bisavô se chamou Pedro! Não sei nada sobre ele, mas me disseram que minha avó gostava muito dele o que já me deixou aliviada. Bem…fiz uma homenagem sem saber. He he he