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João, feliz aniversário!

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“João, dinda te ama do tamanho da árvore”, digo eu.

“Eu ti amo do tamanho do meio do telhado, Dinda”, diz ele.

“Então, eu te amo do tamanho de cima do telhado”, respondo.

“Ãããhhh…”, ele diz e fica pensativo. “Eu ti amo do tamanho da areia”, ele rebate tentando imitar quando eu digo que o amo igual ao número dos grãos de areia da praia.

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João,

a Dinda te ama um tantão tão grande que nem os grãos de areia da praia são suficientes para comparar esse amor!

Eu torço por vocês todos os dias, mas o seu  aniversário é uma data em que todos nós celebramos a sua chegada na nossa vida! E sabe, nossos dias são muito mais alegres com você por perto!

Você é uma grande menino de (quase) três anos e nos contagia com o seu sorriso, com o som da sua risada e suas ‘tiradas’ sensacionais! Além do mais, você é menino muito esperto e nos surpreende todos os dias com seus aprendizados e artes.

Continue sendo esse menino doce e cheio de luz de Deus. Que o Papai do Céu sempre o proteja e encha de saúde.

Um beijo bem grandão, Dinda e Pepo.

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Fizemos aniversário!

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Em junho o ‘Querido Pedro’ fez um ano e eu esqueci de comentar por aqui. Que desalmada essa autora que vos escreve!!! rs

Em 07/06/13 eu comecei esse blog de maneira tímida e sem qualquer intenção de ser lida por tantas pessoas. O primeiro post que publiquei foi esse aqui sobre o preconceito e as mães solteiras. Curiosamente, esse é o segundo texto que mais recebe acessos durante a semana, sabiam? Isso me mostra que o assunto é de interesse de muitas mulheres e que, provavelmente, muitas ainda devam sofrer com esse estigma que minimiza a responsabilidade da parte masculina na gravidez + criação.

E vocês vão me perguntar: Mas, Bia, e qual é o post mais acessado? Depende. Se estivermos falando daquele que ainda hoje é acessado mais vezes durante a semana é o “Pressentimento, simpatia, sonho premonitório”. Mas, os que tiveram mais acessos durante esse primeiro ano foram “A rotina do hospital e as amigas que ganhei” e “A última batatinha do saco! Sobre conquistas e orgulho de mim mesma”.

Olhando os números do painel de controle do blog eu penso que o Pedro deve ser realmente muito querido. Pois, vejo como as pessoas gostam de saber sobre as conquistas dele, as novas palavrinhas, os aprendizados. Além disso, me espanta e alegra perceber que vocês continuam lendo o blog mesmo ele sendo tão pessoal com escritos basicamente sobre a infância do meu filho e dos meus desafios perante a maternidade.

De vez enquando recebo e-mail de pessoas que nem nos conhecem, mas se identificam com o histórico de prematuridade ou com o tema daquele post e deixam sua opinião. É muito gratificante essa troca e o feedback de leitura. Para mim o ‘Querido Pedro’ deixou de ser apenas um diário e um espaço onde eu desabafo sobre o lado B da maternidade.

Gosto de vir aqui entreter, divertir, refletir, emocionar (por que não?) vocês. Nesse meio tempo já fomos matéria no Terra e compartilhados dezenas de vezes em páginas do Facebook. Por isso, quero dizer: Obrigada!

Top 10 desse 1º ano!

1 – O mundo não está tão moderninho: mãe solteira ainda sofre preconceito

2 – Ser mãe é…

3 – Irmão…uma das coisas boas da vida

4 – Obrigada Tia T.

5 – Sobre tabefe gratuito e perigos que a gente nem imagina

6 – Colo, dar ou não dar. Eis a questão

7 –  A dois dias de completar um ano: o relato de parto

8 – Afinal, hoje é sexta! Yeah!

9 – Mãe da minha mãe. Minha avó. Bisavó do Pedro

10 – O primeiro ano de vida

 Extras: 770 gramasA primeira vez que te vi; A mamãe e o Queen

 

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Sobre aniversários, os de idade e os de incubadora

Outro dia seguia para trabalho e ouvi um menininho comentar com a mãe. “1, 2, 3, 4, 5…..100. Eu vou viver atéééé os 100 anos e depois vou morrer”, disse ele. Sorri sem olhar para os dois e pensei como é linda a inocência e a sinceridade das crianças. É puro. É um pensar e falar.

A conversa sobre quanto tempo viver me fez pensar sobre o meu próprio aniversário que está logo aí. Eu durante esses quase 27 anos sempre gostei de comemorar a data. É um dia em que eu sinto minha energia diferente. É um dia em que pessoas muito queridas me dizem, ou fazem, coisas de tamanha delicadeza para me mostrar que o tempo não é capaz de desfazer amizades verdadeiras e que elas gostam de mim exatamente do jeito que eu sou. E eu? Eu fico sorrindo querendo viver 100 anos.

Fiquei pensando: será que mesmo depois de tanto tempo minha mãe ainda se emociona quando lembra do meu nascimento? Sempre gostei de ouvi-la contando sobre o dia do meu nascimento, de como foi a primeira vez que ela me viu de “olhinhos piscando rápido e o cabelo todo espetado”.

É tão emocionante o nascimento. É um milagre indescritível e de fato sublime. O baby está na barriguinha da mommy e de repente PLUFT! Ar nos pulmões, claridade nos olhos, frio na pele, sensação de fome. É vida começando. A lembrança do Pedro saindo da minha barriga é tão forte! Aquele choro anunciando a vida. Aquelas lágrimas que não consegui segurar que escorreram quente pra minha nuca. As palavras do pai do Pedro no meu ouvido “Nasceu, Amor. Nosso filho nasceu. Ele é piquitico”.

Tudo isso (nada prolixa!) para contar que o aniversário desse ano tem comemoração dupla porque, enquanto eu completo 27 anos, o Pedro completa um ano fora da incubadora. Há um ano cheguei na UTI pela manhã e levei o maior susto vendo um bercinho aquecido no lugar onde ficava a incubadora dele. O primeiro pensamento foi já imaginando o pior, retrocesso…Mas, nada! Meu menino tinha finalmente saído da incubadora após 2 meses e 5 dias de nascimento.

Lembro de ter ficado paralisada em frente ao bercinho com as mãos no rosto, incrédula olhando para ele. Um misto de euforia e medo.

As auxiliares de enfermagem vieram conversar comigo só que eu não conseguia prestar atenção direito no que elas estavam falando. Só voltei a realidade quando elas disseram “Agora, o acesso a ele é livre apesar de todo o cuidado que ainda permanece. Você já pode trocar as fraldas e dar banho todos os dias”. “Ai meu coração!!”, eu pensei.

Nesse dia (22/12/2012) eu e o Pedro começamos a nossa relação de toque. Até então só nos víamos pelo “vidro” da incubadora e ficávamos em contato nas horas do Canguru. Foi incrível poder tocá-lo; pegar no colo; cuidar; sentir o cheirinho e pouco a pouco começar uma rotina próxima do normal entre mãe e filho. Nesse mesmo dia troquei a primeira fralda dele tremendo de medo. Ele tinha pouco mais de 2kg!

Por isso, e tudo mais, parabéns para nós Pedro! Você é sempre o meu melhor presente.

Olhem que tamanico de gente! Isso porque já tinha crescido. Ainda nem podia usar roupinha.

Olhem que tamanico de gente! Isso porque já tinha crescido. Ainda nem podia usar roupinha.

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Um ano de uma vida toda

Já faz um ano que eu passei pela experiência mais forte e chocante da minha vida. Sem exagero. Simples e seco assim. 17 de outubro de 2012…….17 de outubro de 2013.

Há um ano eu me senti mal no trabalho, internei, passei a noite no hospital, minha bolsa rompeu pela manhã e veio a cesárea de emergência. 25 semanas de gestação. Bebezico de 770 gramas. 29,5 cm. Meu Pedro chegou!

Quão bipolar é a vida que nos surpreende com momentos miscigenados de alegria e tristeza. O cérebro chega a fritar: sorrir de nervoso e chorar de alegria. Vivi uma montanha-russa de emoções até agora. No tempo de UTI, e um pouco depois dela, chorei todas as lágrimas que tinha em mim. Descobri uma força para suportar o sofrimento que nem sabia que tinha. Redescobri minha fé. Deixei para trás parte do que tinha virado habitual até ali.

Perdi e ganhei. Ganhei muito. Ganhei um coração que bate fora de mim, conheci o amor incondicional, gerei vida, cheirei bebê, acompanhei descobertas de criança, presenciei fofurices sem fim, revi conceitos, mudei atitudes, redescobri habilidades, relembrei músicas da infância, ganhei uma cicatriz (ou algumas), aprendi a pedir ajuda, aumentei minha fé…

Lá pelo segundo mês de UTI me lembro de pensar “Quando sairmos daqui os dias serão tão diferentes, as memórias ficarão tão distantes, que quase não vou me lembrar daqui”. E assim foi. Hoje quando lembro chego a duvidar de mim mesma e me espanto a constatar que nós passamos por tudo aquilo. Caramba, parece história de filme de drama. Mas, sim nós realmente vivemos aquele roteiro.

Envelheci bem mais que um ano em 365 dias…quanto a isso não há dúvida. Vivenciei o clichê do “amadurecer a força”. Não que antes eu fosse uma insensata, nem tão pouco uma fútil. Nada disso. Tô falando de amadurecimento interno, de reforma interior, de mudança obrigatória nas atitudes e de resiliência.

Quando temos um filho, renascemos com ele. Nunca mais seremos como antes. Demorei a entender isso e acho que ainda não aceitei totalmente a ideia. Porém, olho para o rosto do Pedro e penso que não poderia mais viver sem ele. Hoje ele faz parte de mim.

Esse é o primeiro ano de uma vida toda…ainda bem!

Te amo!

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A dois dias de completar um ano: o relato do parto

A dois dias do Pedro completar um ano sinto algo que não sei explicar muito bem. É uma mistura bem maluca de emoções. Estou abismada de como o tempo correu tão rápido a ponto de só as comemorações formais me lembrarem que faremos um ano nessa relação de mãe e filho.

Ontem a noite ao deitar fiquei pensando que ano passado nessa mesma época o tempo já estava bem quente. Eu gravidinha de seis meses já sofria um pouco para ir ao trabalho. Pensava “Nossa, imagine quando estiver com barrigão de 9 meses”. Mal sabia eu…rs

Lembrei também do aniversário do afilhado duas semanas antes do nascimento prematuro do Pedro. Fui de vestido e salto no maior estilo “grávida também se cuida”. Ao final do mesmo dia comecei a dar os primeiros espirros de uma gripe horrenda que me deixou de cama por 10 dias. Nessa noite namorei a luz da lua na varanda da casa da minha sogra e fiz preguiça no sofá com o marido enquanto ele tirava umas fotos da minha barriga. HAHAHA… hoje quando olho essas imagens acho que parece que eu tinha uma almofada embaixo da roupa!!

Os dias seguiram e minha obstetra me afastou do trabalho porque a gripe estava me deixando moída. No dia 13 (um sábado) voltei do shopping onde havia encontrado duas grandes amigas e senti uma forte dor do lado direito da barriga. Liguei para a médica. Liguei para o marido que estava trabalhando. Pedi socorro ao pai porque não conseguia ir até a cozinha buscar o Buscopan. A dor era tão forte que eu não conseguia andar, nem sentar, fiquei travada de pé apoiada num móvel do meu antigo quarto. Tomei remédio, deitei, dormi.

Acordei no domingo (15) me sentindo melhor, mas ainda com uma dorzinha chata. Marido saiu do trabalho e fomos ao hospital: fiz exames, fui medicada e me mandaram de volta pra casa. Dois dias depois voltei ao trabalho, mas não consegui ficar na minha mesa nem por uma hora. Comecei a me sentir estranha: frio, tremedeira, fraqueza, dor no lado direito da barriga. Fui ao ambulatório: temperatura, pressão, glicemia estavam normais. Liguei para a obstetra e fui ao consultório. O exame físico indicou contrações e um pouco de febre. Fui internada na hora.

No soro colocaram Inibina que parecia água para mim. As contrações continuaram e, se até então eu não sentia nada, naquela altura já sentia as contrações (ainda sem dor) em ondas subindo até o meu umbigo. Nada de descobrirem o que era aquela dor do lado direito na barriga. Ultrassons, exame de urina, até ressonância magnética fizeram para investigar se não era uma apendicite.

Por precaução minha médica me deixou internada. No dia seguinte, 17/10, às 7 da manhã minha bolsa rompeu durante uma ida ao banheiro para o xixi matinal! Uma quarta-feira quente, ensolarada e de muito trânsito em São Paulo. Para ter uma ideia meu pai demorou mais de duas horas para chegar na Paulista. Imagine se eu não tivesse ficado internada e precisasse chegar rapidamente ao hospital…

O trabalho de parto seguiu. Contrações doloridas com intervalos malucos e nada de dilatação. (pausa: o exame de toque dói absurdamente mais do que a contração. Case defendido por todas as mulheres que perguntei).

O marido permaneceu ao meu lado o tempo todo. Acompanhou tudo do jeito calado dele, mas sem largar a minha mão por nenhum momento. Cada vez que vinha a dor eu recebia carinho no rosto, na mão, nos cabelos. Ainda me impressiono de lembrar que esses pequenos  gestos me deixaram mais confortada, mais confiante, mais protegida.

Se eu estava assustada? Demais. Num grau difícil de explicar. Eu estava muito confusa. Sabia da enorme chance/probabilidade dele não sobreviver. Queria reverter o processo. Queria tampar a saída. Mas sabia que teriam que tirá-lo da minha barriga. Eram muitos pensamentos ao mesmo tempo. Eu queria uma pausa para conversar sobre o assunto com o marido (!!) porque nascia em mim uma culpa terrível e irracional. Eu não conseguia falar. Não conseguia organizar frases.

Sala de parto, acessos, anestesia, aflição da sensação de adormecimento, cheiro de carne queimada por causa do bisturi elétrico, chega o marido, carinho no rosto, mais cheiro de carne queimada. Eu estava muito tensa. Queria que terminasse logo. Fiquei o tempo todo olhando para uma luminária no teto. Orava pedindo força para suportar e vida para o Pedro.

Um choro. Um choro baixinho me tirou da louca tensão e me chamou de volta a realidade me avisando que ele tinha vida. Era ele…o meu Pedro, meu menino, meu aniversariante da semana.

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