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Da série: a escola

Comecei esse texto muitas vezes e em nenhuma consegui me expressar claramente. Certamente porque eu mesma estou confusa, com dúvidas e mais ansiosa do que gostaria sobre o assunto. São muitas questões para abordar e várias reflexões e ‘mimimi’ de mãe. Por isso, decidi separar os textos para não ficar tão bagunçado. Será que dá?  Bem, vamos lá. Esse é o primeiro post de uma série de…quantos forem necessários!!! kkkkkk

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Há algum tempo estou a procura da escola. Eu disse ‘da’. E não ‘de’. O que demonstra que não é qualquer escola, mas a escola do Pedro. Na listinha de prioridades coisas básicas como limpeza, organização, profissionais qualificados/habilitados/com amor pelo o que fazem, projeto pedagógico e estrutura segura e adaptada para os pequenos. (calma, já vou falar sobre esse meu sonho de escola que não existe! rs)

Nesse tempo de busca já deixei de lado algumas exigências iniciais desnecessárias (?) e fundamentadas na convicção de mãe de primeira viagem. A conclusão é de que não existe a escola perfeita. Sempre vai ter alguma coisinha “fora do tino”. Mas, pelo o que tenho visto há todo tipo de escola: escolinha, escola, escolão. Boa, ruim, péssima. Umas mais voltadas para o desenvolvimento da criança e outras que já pedem avaliação para alunos do maternal. Aliás, numa dessas eu ouvi “Nosso ensino é voltado para resultados…”. E eu já me senti pressionada pelo Pedro.

Tive problemas sérios com as operações matemáticas e a forma como isso foi resolvido tratado pela escola só me fez carregar essa defasagem e ser assombrada por ela até o vestibular. Logo, essa frase “Nosso ensino é voltado para resultados…” me fez recuar. Voltei a época do primário (ensino fundamental) quando eu não conseguia resolver a subtração “quando o número de cima era menor do que o de baixo.”

E a professora? Ela não sabia explicar. Ou entender. Em sua total falta de paciência com a única aluna incapaz de fazer a subtração, ela deu continuidade ao conteúdo. Ela não captou o meu problema:  eu não via o número de cima como uma dezena. Eu o via como um número simples do qual era impossível subtrair 9 de zero, por exemplo. (nessa fase ainda não aprendemos números negativos)

Enfim…aprendi com uma coleguinha de sala que me disse “O zero é como se fosse 10”. O nome dessa gênia de sete anos era Camila! “Onde quer que esteja: obrigada Camila, aprendi subtração com você!” kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Por essas e por muitas outras razões, acho a fase escolar muito importante na vida de um indivíduo e acredito que as experiências vividas nesse ambiente molde muito da nossa personalidade, da percepção do mundo, do respeito ao próximo, noção de cidadania e, claro, a qualidade do nosso conhecimento. Muito é responsabilidade da família, porém a realidade é que nossos filhos/netos/sobrinhos passam metade ou o dia todo na escola. 5…8….até 12 horas nesse ambiente absorvendo tudo o que acontece ali. Ou seja, você precisa confiar na escola, no ambiente, nas professoras e auxiliares, no projeto pedagógico.

Preciso de uma escola que, acima de tudo, ajude o Pedro a melhorar as habilidades e o incentive a conquistar novas aptidões sem o travar por medo de errar ou por demonstrar que não sabe. Não quero que o atropelem. Alguns me falam que ele saberá se virar e precisa dar conta do recado porque na vida nada nem ninguém espera você ficar pronto.

Verdade.

Mas, será que esse atropelo faz alguém ficar preparado ou se adaptar (do jeito que dá) para continuar a corrida? Eu me adaptei e passei a vida escolar de recuperação em matemática. Imagine no colegial…fui péssima em física. Passava vergonha, não entendia nada, me sentia totalmente incapaz. Eu sei…zero de física.

Por sorte, tive outros professores ótimos. Se eu era ruim em matemática…conseguia me sair muito bem nas disciplinas de humanas e até biológicas. Ter bons professores, e profissionais dedicados, garantiu minha autoestima acadêmica e me fez ser ainda melhor no que eu tinha habilidade.

Aham, senta lá Beatriz. Você quer uma escola que não existe! É…eu poderia dizer que sim.

Porém, o resumo desse post é: eu quero para o meu filho uma escola que o respeite, o ajude a melhorar suas habilidades já adquiridas e o incite ao novo!

lapis

(continua….)

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Fizemos aniversário!

cupcake

Em junho o ‘Querido Pedro’ fez um ano e eu esqueci de comentar por aqui. Que desalmada essa autora que vos escreve!!! rs

Em 07/06/13 eu comecei esse blog de maneira tímida e sem qualquer intenção de ser lida por tantas pessoas. O primeiro post que publiquei foi esse aqui sobre o preconceito e as mães solteiras. Curiosamente, esse é o segundo texto que mais recebe acessos durante a semana, sabiam? Isso me mostra que o assunto é de interesse de muitas mulheres e que, provavelmente, muitas ainda devam sofrer com esse estigma que minimiza a responsabilidade da parte masculina na gravidez + criação.

E vocês vão me perguntar: Mas, Bia, e qual é o post mais acessado? Depende. Se estivermos falando daquele que ainda hoje é acessado mais vezes durante a semana é o “Pressentimento, simpatia, sonho premonitório”. Mas, os que tiveram mais acessos durante esse primeiro ano foram “A rotina do hospital e as amigas que ganhei” e “A última batatinha do saco! Sobre conquistas e orgulho de mim mesma”.

Olhando os números do painel de controle do blog eu penso que o Pedro deve ser realmente muito querido. Pois, vejo como as pessoas gostam de saber sobre as conquistas dele, as novas palavrinhas, os aprendizados. Além disso, me espanta e alegra perceber que vocês continuam lendo o blog mesmo ele sendo tão pessoal com escritos basicamente sobre a infância do meu filho e dos meus desafios perante a maternidade.

De vez enquando recebo e-mail de pessoas que nem nos conhecem, mas se identificam com o histórico de prematuridade ou com o tema daquele post e deixam sua opinião. É muito gratificante essa troca e o feedback de leitura. Para mim o ‘Querido Pedro’ deixou de ser apenas um diário e um espaço onde eu desabafo sobre o lado B da maternidade.

Gosto de vir aqui entreter, divertir, refletir, emocionar (por que não?) vocês. Nesse meio tempo já fomos matéria no Terra e compartilhados dezenas de vezes em páginas do Facebook. Por isso, quero dizer: Obrigada!

Top 10 desse 1º ano!

1 – O mundo não está tão moderninho: mãe solteira ainda sofre preconceito

2 – Ser mãe é…

3 – Irmão…uma das coisas boas da vida

4 – Obrigada Tia T.

5 – Sobre tabefe gratuito e perigos que a gente nem imagina

6 – Colo, dar ou não dar. Eis a questão

7 –  A dois dias de completar um ano: o relato de parto

8 – Afinal, hoje é sexta! Yeah!

9 – Mãe da minha mãe. Minha avó. Bisavó do Pedro

10 – O primeiro ano de vida

 Extras: 770 gramasA primeira vez que te vi; A mamãe e o Queen

 

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Pedro aos 19 meses

Outro dia eu comentava com uma amiga que está nos EUA cuidando de gêmeos (uma menina e um menino) o quanto essas crianças crescem rápido. Eu só falo isso? Sei que costumo falar disso aqui no blog com bastante frequência, mas gente: é a mais pura verdade. Um dia estão na sua barriga, no outro já estão andando por aí e abanando a cabeça em sinal negativo quando você pede para eles fazerem alguma coisa. Ai ai ai…ele nem fala e já me diz que não! #medodaadolescencia

Semana passada eu escrevi sobre o início do falatório lá em casa. Daquele dia até hoje não tivemos novidades no vocabulário. Em compensação nas gracinhas…

Hoje pela manhã fizemos todo o ritual de troca fralda, põe soro no nariz, escova o dente, lava o rosto e penteia o cabelo. Daí nesse momento eu lembrei do meu afilhado, na época com uns 11 meses mais ou menos, sentado no trocador e penteando o cabelo (do modo dele, claro). Eu, que ando empenhada em dar mais autonomia ao Pedro, coloquei a escovinha na mão dele e levei o bracinho até a cabeça fazendo o movimento de pentear. “Isso, filho. Penteia o cabelo”. Repeti a ação mais duas vezes. Na terceira vez deixei por conta dele. “Filho, penteia o cabelo”. E ele fez sozinho!!!! Ahhhhhh….o orgulho materno é algo lindo de sentir!

Depois fiz ele repetir para o pai mais três vezes…é claro! Afinal, a gente ensina e depois quer mostrar para todo mundo. #tadinho #maenaoenche kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Desde a semana passada Pedro também começou a dar tchau e a esfregar a barriguinha quando dizemos “Pedro, como lava a barriga?”.

No domingo enquanto estávamos na sala ele resmungava bravo no chão porque não conseguia abrir o livro sozinho. O pai, sentado no sofá, disse “Traz aqui, filho. Papai ajuda você”. Mais do que depressa Pedro começou a se arrastar e a arrastar o livro em direção ao sofá até chegar ao alcance do pai que repetiu o movimento de abrir e fechar o livro para o Pequeno.

Fofo…muito fofo. Mas, é mais que isso. É perceber que ele entende perfeitamente o que dizemos a ele. É ver que a cognição está funcionando muito bem…questão que nos preocupou por um tempo quando ainda éramos assombrados pelas possíveis sequelas da prematuridade extrema.

Agora dei por mim que algumas pessoas devem estar lendo e me achando boba por estar tão encantada com essas atitudes do meu filho. Mas, estou. Estou cada dia mais, aliás. Se tem uma coisa que vale a pena em ter filho é ver o crescimento dele, seus aprendizados, suas descobertas, as carinhas de surpresa e de “uuuaauuuu que incrível isso aqui”. Nesses quase 30 anos, poucas coisas e pessoas me emocionaram como (ou mais) do que ver essas pequenas conquistas do Pedro.

É maravilhoso acompanhar esse crescimento, o desenvolvimento dele de bebê para criança. As vezes fico um tempão observando ele brincar e me divirto vendo como ele resolve “os problemas” práticos. Engraçado perceber o quão complexos são esses aprendizados básicos como andar, levar o talher a boca, empilhar, encaixar, saber onde é a barriga, entender o que é pentear o cabelo…

É demais perceber o quanto eles aprendem e como aprendem rápido. Eu repito o movimento três, quatro vezes e lá está o Pedro imitando. Ele está uma verdadeira máquina de imitação. Uma graça. Um mocinho que agora aponta aquele mini dedo indicador para mostrar o que quer e que faz tchau balançando o braço todo. Como eu disse, um fofo esse meu filho! kkkkkkkkkkkk

#maebabona #maecoruja

motoca3

 

 

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Tirando o pó [cof cof] e atualizando as conquistas do Pedro

Oi gentis! Eu sei, eu sei…tô sumida desse cantinho. Acontece que no meio do caminho tinha uma pedra recesso de fim de ano e depois férias curtinhas para aproveitar o filhotinho. Daí vocês sabem…full time com o Pedro e muita preguiça = blog sem atualizar.

Mas, cá estou eu. Ainda com poucas ideias para escrever o que está diretamente ligado ao fato de que tenho ficado pouco tempo com o Pedro. Passamos as primeiras horas da manhã juntos, mas saio para trabalhar e quando volto ele já está dormindo. Logo, aproveitamos mesmo só no final de semana.

Sem querer entrar muito na reflexão dos prós e contras de trabalhar fora com um filho ainda pequeno…eu digo que “sim, é doído passar tanto tempo longe dele durante cinco dias da semana e não ser a primeira a ver as descobertas que ele faz”. “Compensa?”, alguns me perguntam. Eu digo que é complexo pesar esse tipo de coisa.

 Se eu pensar apenas nos termos da maternidade com apego, infância consciente, e no tempo que não volta mais eu largaria tudo e ficaria somente cuidado do Pedro, o levando para ver o mundo e experimentar as delícias de ser criança. No entanto, eu preciso compor renda, eu gosto de trabalhar, me sentir útil, produzir…então, o que é mais importante?

 Parei de tentar eleger isto. Convivo com as duas situações (quase sempre) bem. Um dia ou outro me dá um aperto no coração quando vejo o quão rápido ele está se desenvolvendo. Logo mais não terei um bebê. Contudo, tenho a sorte de poder contar com a minha sogra que cuida e ama o Pedro durante o tempo em que estou fora.

 Procuro ver essa realidade como o copo meio cheio e não meio vazio. Meu filho é amado e bem cuidado, aprende a conviver com outras pessoas, come alimentos diferentes dos que tem em casa, é estimulado por mais pessoas do que se ficasse em casa comigo, ganha autonomia e enche de amor corações empedernidos (isso merece um post a parte. Me lembrem!). Ou seja…ser a primeira a ver as descobertas dele pode não ser tão importante assim, saca?

 Quando estamos juntos tento aproveitar ao máximo. Beijo, cheiro, mordo, faço cócegas, canto, reclamo, dou bronca, faço festa, durmo junto, preparo as comidinhas, brinco no banho, tiro sarro, observo cada detalhe e agradeço a Deus por ter me dado um filho cheio de saúde.

 Domingo à noite enquanto o colocava para dormir ele descobriu que a mamãe tem cílios. Veja só! Esticou o bracinho e ficou passando o mini (nhóóim) dedão nos meus cílios achando a coisa mais bacana do dia. E eu? Fiquei babando, claro!

 Enquanto ele descobria meus cílios eu mais uma vez me apaixonava por ele. O cabelinho que não sabe se fica liso ou enrola, os lábios carnudos iguais ao do pai, os olhinhos mestiços levemente puxados, o narizinho. Peguei na mãozinha…aquela coisa pequena com cinco mini dedinhos. Olhei cada um deles. Estiquei e encolhi. Estiquei e encolhi e novo. Pensei: “como pode ser tão perfeitinho?!”. (sim, eu após 1 ano e três meses, continuo me surpreendendo como na primeira vez que o vi).

 Todo esse texto para dizer que não é fácil trabalhar fora o dia todo. Sinto saudade. Contudo, percebi que nossos momentos ficam mais deliciosos quanto mais comprometida eu fico com ele. Então, não importa “tanto” a quantidade de tempo se quando eu estou com ele eu estiver por inteiro: partilhando, ensinando, divertindo….

 É isso, gentis! Espero aparecer mais por aqui. Ajudem a tirar o pó daqui também. Alguém tem alguma sugestão de tema para post? Beijos.

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 Pedro aos 15 meses (1 ano e três meses):

  •  Já tem os dois dentes centrais de baixo e os dois de cima já começaram a aparecer
  • Mede: 71 cm
  • Se arrasta pela casa
  • Reclama pedindo para sair se vê alguém perto da porta
  • Fica de pé apoiado nos móveis, mas precisa de supervisão para não cair
  • Descobriu que o reflexo no espelho é ele mesmo
  • Continua com muita cócegas
  • Adora biscoito de polvilho
  • É apaixonado por água. Não pode ver uma torneira ligada que já quer colocar a mãozinha
  • Tomou o primeiro banho de mangueira com o primo na casa do avô L.
  • Usa roupa G ou tamanho 1, mas o shorts ainda é P ou M (cinturinha de pilão desse garoto! Kkk)
  • Brinquedos favoritos: controle remoto da televisão, escova de dente, potinhos coloridos de empilhar
  • Música do momento: “Borboletinha, tá na cozinha, fazendo chocolate para a madrinha…”
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Um ano de uma vida toda

Já faz um ano que eu passei pela experiência mais forte e chocante da minha vida. Sem exagero. Simples e seco assim. 17 de outubro de 2012…….17 de outubro de 2013.

Há um ano eu me senti mal no trabalho, internei, passei a noite no hospital, minha bolsa rompeu pela manhã e veio a cesárea de emergência. 25 semanas de gestação. Bebezico de 770 gramas. 29,5 cm. Meu Pedro chegou!

Quão bipolar é a vida que nos surpreende com momentos miscigenados de alegria e tristeza. O cérebro chega a fritar: sorrir de nervoso e chorar de alegria. Vivi uma montanha-russa de emoções até agora. No tempo de UTI, e um pouco depois dela, chorei todas as lágrimas que tinha em mim. Descobri uma força para suportar o sofrimento que nem sabia que tinha. Redescobri minha fé. Deixei para trás parte do que tinha virado habitual até ali.

Perdi e ganhei. Ganhei muito. Ganhei um coração que bate fora de mim, conheci o amor incondicional, gerei vida, cheirei bebê, acompanhei descobertas de criança, presenciei fofurices sem fim, revi conceitos, mudei atitudes, redescobri habilidades, relembrei músicas da infância, ganhei uma cicatriz (ou algumas), aprendi a pedir ajuda, aumentei minha fé…

Lá pelo segundo mês de UTI me lembro de pensar “Quando sairmos daqui os dias serão tão diferentes, as memórias ficarão tão distantes, que quase não vou me lembrar daqui”. E assim foi. Hoje quando lembro chego a duvidar de mim mesma e me espanto a constatar que nós passamos por tudo aquilo. Caramba, parece história de filme de drama. Mas, sim nós realmente vivemos aquele roteiro.

Envelheci bem mais que um ano em 365 dias…quanto a isso não há dúvida. Vivenciei o clichê do “amadurecer a força”. Não que antes eu fosse uma insensata, nem tão pouco uma fútil. Nada disso. Tô falando de amadurecimento interno, de reforma interior, de mudança obrigatória nas atitudes e de resiliência.

Quando temos um filho, renascemos com ele. Nunca mais seremos como antes. Demorei a entender isso e acho que ainda não aceitei totalmente a ideia. Porém, olho para o rosto do Pedro e penso que não poderia mais viver sem ele. Hoje ele faz parte de mim.

Esse é o primeiro ano de uma vida toda…ainda bem!

Te amo!

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Minha mãe já dizia e eu achava chato 2

Minha mãe (e pai) dizia que de um dia para o outro os filhos crescem. Eu ficava pensando “Aiii de um dia para o outro nada. Anos e mais anos. Já não sou criança há tanto tempo e bla bla bla”. Sempre naquele tom audacioso de piveta infantil egoísta que acha que entende muito da vida e que na verdade não sabe nada. Mas, tudo bem. A vida ensina (e em alguns momentos te coloca pra ajoelhar no milho kkkkkkk).

A cada dia percebo menos de bebê no Pedro e mais de criança. Por conta da prematuridade todo o desenvolvimento dele tem sido mais lento se comparado com uma criança nascida no tempo normal (38-40 semanas de gestação). Porém, devagarzinho (ou nem tanto assim) ele tem mostrado que em pouco tempo não teremos mais um bebê em casa. Mas, um menino. Um sapeca. Um curioso ligado no 220v!

Nas últimas duas semanas essa transformação chamou mais minha atenção. Comecei a perceber que enquanto mama ele não cabe mais confortavelmente no colo. Suas pernas ficam pra fora do colo e se estou na poltrona os pezinhos ficam empurrando o braço dela. Tá comprido meu menino. Escuto isso dos outros e faço as contas que me apontam um crescimento de 34 cm desde o nascimento. Caramba…mais que uma régua em um ano. Simulei com as mãos menos 30 e poucos centímetros em cima do corpinho dele e “Meu Deus como ele nasceu pequeno”. Ainda me surpreendo…incrível! rs

Outro indício é que o dentinho despontou. No fim da semana passada era só um pontinho branco perceptível só pra mim com olhar biônico de mãe. Entretanto, ontem de manhã ele abriu o sorriso habitual de quando vou pegá-lo no berço e tcharan: temos um dentão. Agora está lá para quem quiser ver. Uma semaninha só…

Pedro também começou a reclamar com sílabas. Fica bravo e diz “dá-dá-dá-dá” com entonação de “não estou gostando nadinha disso”. Não me seguro e rio da carinha dele, da sobrancelha franzida, da audácia de reclamar ainda tão novinho.

Ele também aprendeu a comer o biscoito de polvilho inteiro. Antes o finalzinho ficava preso dentro da mãozinha, ele choramingava e nós tínhamos que terminar de dar o biscoito para ele. Até que um belo dia dei o biscoito e fui terminar de lavar a louça. Quando olhei de volta percebi que não tinha nenhum pedacinho caído no cadeirão, nem embaixo dele, nem entre as perninhas. “Ué, você comeu tudo filho?”. Fiquei naquela dúvida. Dei outro e observei. Pois é…Pedro aprendeu a abrir a mão e enfiar o restinho na boca. Assim, de um dia para o outro. Orgulho!

A prova mais linda (será?) de que tenho um moço em casa é que agora quando está de barriga para baixo começou a enfiar a carinha no colchão/tapete, dobrar a perninha, levantar o bumbum e se arrastar pra frente. Siiimmmmm….um treino para engatinhar! É muito amor para o meu coração, gente.

Ah, e como pude esquecer: Pedro bate palma agora. Faz até barulho. Clap Clap clap várias vezes por dia, hora, meia hora. E eu que não sou boba passo o dia cantando “parabéns pra você, nesta data querida…”. kkkkkkkkkkk

Daí que…outro dia nasceu o Pedro e agora ele vai fazer um ano. “Mar géntem” o que foi que aconteceu que ele cresceu de um dia para o outro? Taí…minha mãe bem que dizia e eu achava chato! Kkkkkkkkkkk

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Repensando atitudes

Eu sempre achei que seria uma mãe daquelas linha dura. Aquela que não dá moleza para birras, que ensina a juntar as bagunças e que deixa comer sobremesa só depois de limpar o prato.

Ok. O Pedro ainda é pequeno e ainda não preciso adestrá-lo ensiná-lo certas coisas (não dá pra pular a fase das birras?), mas um episódio semana passada me fez ficar pensando em que tipo de mãe eu sou/serei para o Pedro.

No ônibus um menino chorava muito sentido para mãe dizendo que não tinha ganhado nenhum presente no aniversário. A mãe respondeu dizendo que isso era o resultado por ele não ter obedecido nem a ela, nem ao pai, nem a professora. Na hora fiquei com dó porque aniversário é uma data esperada o ano todo quando somos crianças. É o acontecimento do ano, aliás. É o nosso dia especial.

Então pensei qual seria a minha atitude perante o Pedro. Eu agiria da mesma maneira? Eu abria exceção por conta do aniversário e repreenderia de outra maneira? Não sei. Mas, a situação me fez refletir sobre o impacto das minhas escolhas e atitudes para a formação dele.

E a reflexão vai muito além de escolher dar ou não presente. O ato de dar um presente contém, na minha visão, uma trama de significados bem complexa. O que representa dar e receber presente? Bem, tem muitos significados ao meu ver. Positivos: demonstração de carinho, lembrança, afeto, recompensa (por conquistas) em certos casos. Negativos: compensação emocional, falta de consciência de valor ($).

O que eu estou passando para o meu filho quando perco a paciência e grito? O que estou ensinando ao meu filho quando respondo grosseiramente para alguém? O que estou transmitindo ao meu filho quando acordo mal humorada e não dou bom dia com um sorriso no rosto? O que estou passando como certo quando ele chora “pedindo ajuda/atenção” e eu deixo para depois porque estou ocupada com outra tarefa?

Sim, porque nessa fase eles são como esponjas. Aprendemos a partir daquilo que vemos os outros a nossa volta fazendo. Imitamos. Repetimos as atitudes, as falas. O que esperar de uma criança que convive com um pai (avô, padrasto, tio, irmão) cavalheiro, que divide tarefas em casa, que trata com respeito as pessoas? O que esperar da menina que convive com um exemplo de homem que só ofende a mãe, que a xinga, a destrata e a vê como mero objeto da casa?

Ok. Tudo que generaliza é ruim. Mas pensem: qual ambiente é, pelo menos na maioria das vezes, melhor para criar um serzinho que está formando personalidade, caráter, visão de mundo? É na primeira infância que a criança forma o comportamento afetivo/emotivo que levará para a vida adulta (leia mais sobre o assunto aqui ). Passamos a agir da forma como fomos ensinados ou, melhor dizendo, da maneira como vivenciamos as situações na infância.

Se você foi uma criança que teve pais presentes, carinhosos e que lhe estimularam a defender sua opinião, é bem provável que quando adulto continue a agir da mesma maneira com o próximo. Pois, isso está no seu inconsciente. No “DNA” do seu comportamento afetivo/emotivo. É o que você aprendeu. Mas, o contrário também pode acontecer. Se você foi criado para ser independente, se não estimulado a falar dos sentimentos, se foi tolhido quando expressava suas descobertas infantis…a introspecção fará parte da sua rotina. Bem, não preciso me estender sobre a parte de convívios com indivíduos violentos…

Para a nossa alegria: tudo tem exceção! Conheço pessoas com uma infância terrível que poderiam ter se tornado seres desprezíveis…só que não se tornaram. Também conheço gente que tinha tudo considerado como essencial e virou um delinquente. Mas, to falando da maioria. Da média. E do comum: crianças que são influenciadas pelo ambiente em que vivem.

Difícil pensar sobre comportamento, não? Ainda mais quando precisamos analisar a nós mesmos para identificar o que queremos repetir e o que não queremos passar para frente. É preciso rever conceitos, e talvez revisitar um passado dolorido. Mexer em algumas feridas.

Melhor assim do que deixar o barco correr sem rumo. Já pensou perceber que o final do curso do rio termina numa queda d’água mortal?! Prefiro remar antes!