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Minha mãe já dizia e eu achava chato 2

Minha mãe (e pai) dizia que de um dia para o outro os filhos crescem. Eu ficava pensando “Aiii de um dia para o outro nada. Anos e mais anos. Já não sou criança há tanto tempo e bla bla bla”. Sempre naquele tom audacioso de piveta infantil egoísta que acha que entende muito da vida e que na verdade não sabe nada. Mas, tudo bem. A vida ensina (e em alguns momentos te coloca pra ajoelhar no milho kkkkkkk).

A cada dia percebo menos de bebê no Pedro e mais de criança. Por conta da prematuridade todo o desenvolvimento dele tem sido mais lento se comparado com uma criança nascida no tempo normal (38-40 semanas de gestação). Porém, devagarzinho (ou nem tanto assim) ele tem mostrado que em pouco tempo não teremos mais um bebê em casa. Mas, um menino. Um sapeca. Um curioso ligado no 220v!

Nas últimas duas semanas essa transformação chamou mais minha atenção. Comecei a perceber que enquanto mama ele não cabe mais confortavelmente no colo. Suas pernas ficam pra fora do colo e se estou na poltrona os pezinhos ficam empurrando o braço dela. Tá comprido meu menino. Escuto isso dos outros e faço as contas que me apontam um crescimento de 34 cm desde o nascimento. Caramba…mais que uma régua em um ano. Simulei com as mãos menos 30 e poucos centímetros em cima do corpinho dele e “Meu Deus como ele nasceu pequeno”. Ainda me surpreendo…incrível! rs

Outro indício é que o dentinho despontou. No fim da semana passada era só um pontinho branco perceptível só pra mim com olhar biônico de mãe. Entretanto, ontem de manhã ele abriu o sorriso habitual de quando vou pegá-lo no berço e tcharan: temos um dentão. Agora está lá para quem quiser ver. Uma semaninha só…

Pedro também começou a reclamar com sílabas. Fica bravo e diz “dá-dá-dá-dá” com entonação de “não estou gostando nadinha disso”. Não me seguro e rio da carinha dele, da sobrancelha franzida, da audácia de reclamar ainda tão novinho.

Ele também aprendeu a comer o biscoito de polvilho inteiro. Antes o finalzinho ficava preso dentro da mãozinha, ele choramingava e nós tínhamos que terminar de dar o biscoito para ele. Até que um belo dia dei o biscoito e fui terminar de lavar a louça. Quando olhei de volta percebi que não tinha nenhum pedacinho caído no cadeirão, nem embaixo dele, nem entre as perninhas. “Ué, você comeu tudo filho?”. Fiquei naquela dúvida. Dei outro e observei. Pois é…Pedro aprendeu a abrir a mão e enfiar o restinho na boca. Assim, de um dia para o outro. Orgulho!

A prova mais linda (será?) de que tenho um moço em casa é que agora quando está de barriga para baixo começou a enfiar a carinha no colchão/tapete, dobrar a perninha, levantar o bumbum e se arrastar pra frente. Siiimmmmm….um treino para engatinhar! É muito amor para o meu coração, gente.

Ah, e como pude esquecer: Pedro bate palma agora. Faz até barulho. Clap Clap clap várias vezes por dia, hora, meia hora. E eu que não sou boba passo o dia cantando “parabéns pra você, nesta data querida…”. kkkkkkkkkkk

Daí que…outro dia nasceu o Pedro e agora ele vai fazer um ano. “Mar géntem” o que foi que aconteceu que ele cresceu de um dia para o outro? Taí…minha mãe bem que dizia e eu achava chato! Kkkkkkkkkkk

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Avô tem chapeuzinho, vovó tem grampinho (aviso: texto longo como a vida deles kkkk)

Mais alguém aprendeu essa dica quando estava sendo alfabetizado? De que o acento circunflexo era o chapéu do vovô e o acento agudo era o grampinho do cabelo da vovó?! Regras de acentuação a parte a dica é no mínimo fofa e funciona bem, não? Eu pelo menos nunca mais esqueci. Mas, o que eu também nunca mais esqueci foi dos meus avós. Na verdade eu só conheci a minha avó materna e meu avô paterno. Um de cada lado. Justo.

O engraçado de quando a gente não conhece alguém, mas gostaria de ter tido a oportunidade, é que criamos várias fantasias sobre ela. Eu gostaria muito de ter conhecido minha batchan (avó em japonês) que, segundo contam, era uma mulher muito bonita, inteligente e a frente de seu tempo. Mas, sempre fiquei pensando se ela gostaria de mim já que era uma japonesa super tradicional e não gostava muito da ideia do meu pai querer se casar com a minha mãe por ela ser gaijin (estrangeira). Será que ela gostaria de mim: filha de japonês com gaijin? Eu seria também uma gaijin. A mestiça. Brasileira. Olhos puxados com pele morena.

Meu pai me contou certa vez que quando foi apresentar a minha mãe para a família durante um jantar minha batchan teria dito à mesa na frente de todos: “Mas, ela é gaijin”. Senti raivinha quando soube disso porque não deixa de ser uma forma arcaica de preconceito. E outra, meu ditchan (avô em japonês) ao contrário dela não ligava para isso e repetiu até seus últimos dias para mim e para outros “Mamãe bom. Muito bom” se referindo a minha mãe. E advinha? Todos os filhos se casaram com brasileiros. Os três: meu pai, minha tia e meu tio. Então né…uma família de gaijins! Toma essa preconceito! Kkkkkkkk

Meu ditchan é outro enigmático para mim. Sei pouco, convivi pouco. Mas, as memórias que tenho são sempre interessantes. Ele era tão inteligente, embora fosse apenas um marceneiro. Aliás, será que eu posso dizer ‘apenas’. Ele construía violão! E tem mais: ele construiu um banquinho que não tombava para mim e para minha irmã alcançarmos a pia para escovar os dentes quando éramos dois toquinhos. Foi ele também que fez os portões para as escadas que nos impediam de nos esborrachar escada abaixo. Ele ía de bicicleta trabalhar na Barra Funda, desenhava, tinha uma biblioteca enorme na casa dele, cultivava orquídeas, tinha um laguinho com peixes e tartarugas. Que homem…

E a vó Adelina hein?! Mãe da minha mãe. Foi com quem eu tive mais contato e acho que meu referencial de avós foi construída com ela. Gente, o que essa mulher cozinhava era fora de sério. Natal era o dia mais especial do ano. Toda família reunida com direito a ceia tomando a mesa, música, cantoria de Noite Feliz e árvore de natal apoiada em um mar de presentes. Festeira essa mulher. Vaidosa: impecável com os cabelos e roupas. Caridosa. Gênio forte. Ela merece um post a parte.

Sobre o meu avô, pai da minha mãe eu sei muito pouco. Não me recordo sequer do nome. Mas, minha mãe uma vez me contou que ele comprava maria-mole para ela. E alguém que comprou maria-mole para a minha mãe durante a infância difícil que ela teve já merece o meu respeito. Valeu, vô!

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Tem coisa mais linda do que ouvir o marido dizer apontando uma foto no álbum de casamento dos pais “Essa era minha avozinha” (mãe da mãe)?? Não, não tem. Derreti!

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O mais interessante de escrever um texto sobre a data comemorativa de hoje, dia dos avós, é me dar conta de que os meus antepassados, sem exceção, tiveram vidas bem difíceis. Nenhum deles teve uma infância ou juventude tranqüila com direito a brincar e ser feliz. Todos foram bem pobres, passaram por muitas necessidades, tiveram que batalhar e trabalhar muito e tiveram pouco tempo para ser feliz no amor e na vivência em família.

Talvez não tenham sido bons pais olhando do ponto de vista do que hoje consideramos ser o ideal. Por vezes fiquei chocada com histórias que meu pai e minha mãe contavam dos pais deles. Mas, fui crescendo e aos poucos me dei conta de algo Divino porque só pode ter sido obra Dele mesmo.

Após anos e anos, gerações, hoje posso dizer que tive uma infância feliz. Eu pude brincar ao invés de trabalhar, não passei fome, nem frio, nem apanhei que nem bicho, tive caixa de lápis de cor com 36 cores, pude estudar em boas escolas, fui a faculdade, tive pares e mais pares de sapato, brinquei de boneca, ainda bebê conheci a praia…e tudo isso só foi possível porque lá atrás, há décadas, meus avós começaram a batalhar para ter a garantia de uma vida melhor para eles, para os filhos deles, para os filhos dos filhos deles.  

Obrigada avós! A trajetória continua. Agora poderei dar uma infância e vida ainda melhor para o Pedro que, com certeza, saberá da história de vocês. Porque eu vou contar a ele que ele faz parte de uma família de fortes.

Curiosidade: Nunca gostei desse negócio de fazer homenagem familiar com nome de filho como foi obrigada a fazer a Kate Midleton com seu George Alexander Louis. Mas, depois que o Pedro nasceu minha prima me contou que meu bisavô se chamou Pedro! Não sei nada sobre ele, mas me disseram que minha avó gostava muito dele o que já me deixou aliviada. Bem…fiz uma homenagem sem saber. He he he