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Errando. Acertando. Amando. Ponto.

Eu acompanho alguns blogs sobre maternidade e infância e em quase todos há textos sobre a experiência dos primeiros dias com o bebê.  NENHUM relato diz “Ah, foi super fácil”; “Tirei de letra”; “Sabia exatamente o que fazer”; “Não chorei junto com o meu bebê”; “Nunca me senti sozinha com meu filho recém-nascido”. E sabe por que não lemos isso? Porque o começo é muito difícil mesmo.

Outro dia comecei a pensar como foi comigo e com o Pedro. Engraçado: eu não lembro de muita coisa. Tive que perguntar ao marido alguns detalhes que simplesmente sumiram da minha memória. Isso por si só já é um indício de que os dias devem ter sido…corridos confusos estranhos ou tudo isso junto.

Uma boa parte dessa loucura realidade se explica pela mudança hormonal drástica que acontece depois do parto. E a o restante se explica pela insanidade  condição materna. Depois de nove meses de barrigão estamos ali diante daquele pacotinho que depende da gente para tudo. E esse “depende da gente pra tudo” é o terror!!!

Até o bebê nascer você é a fulana de tal grávida. Mesmo com muitos afazeres (trabalho, casa, marido, amigos, família) você continua sendo só você. Consegue ir e vir (depende de quantas semanas está), comer (idem), dormir (idem2), sair com os amigos (idem 3)…mas, depois do parto…a vida muda pra sempre. E você também!

Pode ter soado como exagero essa minha última frase, porém é a mais pura verdade. Experiência própria e observada em muitas mulheres da minha vida pessoal e virtual. Mea (SIC) gente como é comum ler histórias e relatos de mulheres que simplesmente abilolaram, surtaram, enlouqueceram, deprimiram depois do parto. Eu fui uma. Só mais uma dentre tantas.

Cada história é diferente até porque somos todos seres peculiares, certo? Mas, em um ponto elas se encontram: a mudança radical que é se tornar mãe. Mesmo mulheres que se organizaram e programaram para ter filhos comentam ter sofrido muito porque se tornar mãe vai muito além do parir. Ser mãe é doação. Ser mãe é ter uma parte de você vivendo fora do seu corpo. Ser mãe é viver o amor incondicional. Ser mãe é se transformar em leoa, cozinheira, pediatra, nutricionista, organizadora de festa infantil, especialista em psicologia sem nunca ter ido à universidade. Ah, sim…e nos tornamos exageradas também. kkkk

Fiquei deprimida de verdade. Depressão pós-parto. Na época minha médica perguntou se eu não queria tomar alguma medicação que pudesse me fazer aguentar o tranco dos dias intermináveis na UTI. Um parêntese aqui. (Mais tarde viria saber que ela imagina que o Pedro não fosse sobreviver. Aliás, ela e muita gente. Mas, o Pedro está aí para mostrar que a medicina não sabe tudo). Fecha parêntese. Voltando ao assunto…

Eu optei por não tomar nada porque sabia que passaria para o leite e, tendo em vista o estado do Pedro, não queria que ele tivesse contato com mais alguma coisa que pudesse o atrapalhar. Preferi aguentar e deixá-lo bem longe de algo que não é natural (medicação). Já bastava anormalidade de estar fora do útero com apenas 25 semanas de gestação e todas as consequências disso.

Difícil? Difícil demais. Quase acabei com a minha sanidade (ou acabei?rs) e com o meu casamento. Penso ter feito certo pelo Pedro. Mas, sinto ter errado em ter postergado a minha recuperação porque depois da alta hospitalar sofri em casa com ele, comigo, com o marido. Sensação massacrante e que deixa feridas com casquinha sempre prontas a serem tiradas para recomeçar o sangramento.

Fuja disso! Suporte a tentação de arrancar a casca! Procure ajuda especializada se for necessário. Converse com os que estão próximo. E se você tem a impressão de que a depressão pós-parto é um tabu ainda…saiba que não é só impressão. É feio, é pecado ou é frescura de mulher fraca embora existam centenas de estudos científicos comprobatórios.

A sociedade te olha com cara de “você é um monstro” se você não consegue ao primeiro suspiro do filho “morrer de amor”. A sociedade te ensina desde menina que na maternidade tudo é perfeito e cheira a talco; que mãe não se cansa do choro do filho; que mãe tem que suportar tudo porque afinal “ela que escolheu isso”; “ela que tivesse pensado antes”; “ela que pariu Mateus que embale”.

Mas, querida leitora (ou leitor. Homens também leem isso aqui!), se você é mãe já sabe que tudo são fases. Passa. Um dia você se dá conta de que você não é mais a mesma linda mulher sem olheiras, de unhas impecáveis e cabelo espetacular que estava sempre disposta para baladas, viagens e aventuras. Mas, saiba: agora você é uma versão muito melhor de você mesma. Cabelos e unhas são quesitos estéticos passíveis de mudança. E um dia a beleza física, que é efêmera, deixa de ser importante. Já o caráter e o coração…

Tenho certeza que apesar de todos os perrengues que passou, sejam lá quais tenham sido, você é alguém muito melhor porque não há como se tornar mãe e sair ilesa sem nenhum aprendizado que te faça mais humana. Entenda, e nunca mais se esqueça disso, que você é perfeita mesmo com medo, com preguiça, descabelada ou estressada. A experiência da maternidade é absolutamente diferente, transformadora e complexa. Indefinível. E assim seguimos vivendo. Mudando de opinião. Errando. Acertando. Amando. Ponto.

força

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