0

Da série: a escola – O impasse da inclusão (ou da falta dela)

Como contei no post anterior…Pedro vai para a escola este ano!

A verdade? Tô com um misto de alegria e angústia. Feliz por ver meu menino crescendo, saber que a socialização com outras crianças e pessoas o fará evoluir em tantas áreas (física, emocional, cognitiva), vê-lo tão pequeno indo pra esse “mundão de meu Deus”! É uma vidinha tão curta começando uma fase tão importante.

A ansiedade e angústia ficam por conta da importância de achar uma escola bacana não só na parte da estrutura física e projeto pedagógico, mas também na parte social. Nesse momento estou muito preocupada com o tratamento que será dado ao meu filho! Ele será acolhido? Se sentirá seguro e feliz? As habilidades deles serão valorizadas e expandidas? E as limitações? Ah, o tratamento às limitações me atormentam tanto!

Como sabem o Pedro tem 2 anos e 3 meses e ainda não anda sozinho. Engatinha primorosamente. É rápido e já aprendeu a escalar alguns móveis. No entanto, não anda sem apoio. Sim, a prematuridade extrema e as 25 semanas de idade gestacional tem tudo a ver com isso. Desde que nasceu, Pedro enfrentou (e enfrenta) grandes desafios. Já superou “pedreiras” e deixou muitas regras da medicina sem explicação.

Mas, chegada a hora da escolarização me vejo num impasse: ele precisa ser tratado como igual, mas precisará de mais ajuda do que uma criança com desenvolvimento motor normal. Quero que ele seja incluído em todas as atividades, porém preciso de uma equipe disposta a auxiliá-lo a potencializar suas habilidades e trabalhar suas suas limitações sem privá-lo das atividades!

A verdade é que não sei se encontrarei essa disposição…se ela existe…se é possível. Enfim. Pedro não precisa de cuidados tão especiais, não toma remédio, tem controle de tronco e pescoço, senta sem apoio. Só que nesse momento ainda não anda sozinho, nem aprendeu a sentar e levantar de uma cadeirinha escolar infantil, por exemplo.

A dura verdade brasileira é que a maioria das escolas não está preparada para receber um aluno com qualquer necessidade diferente das convencionais. Que, aliás, pode ser mínima (como uma malformação ou amputação de membros) até mais complexas como a deficiência intelectual.

Visitei uma dezena de escolas e em todas fui questionada sobre o grau de deficiência do Pedro. Até aí…normal a escola querer saber. Minha decepção, tristeza, foi quando começaram a colocar alguns empecilhos e a surgir alguns comentários como “Só pegamos crianças que já andam. Para ter o Pedro aqui eu teria que dispor de um funcionário só para levá-lo a outros espaços quando as atividades forem fora de sala de aula”.

Bem, se ele não anda…já era esperado, não? Mas, senti na fala da coordenadora um problema. O que há por trás dessa frase? Talvez para você não soe preconceito, exclusão. Mas, o tom, o olhar, as expressões…ah, essas dizem muito sobre exclusão e a falta de vontade das escolas em ter um aluno que exija algo diferente.

Ouvi também “Não precisa matricular ele, nem comprar uniforme. Vamos fazer uma experiência por duas semanas e ver como ele se sai. Se a gente sentir que ficou tudo bem…”

Oi?

Péra! Deixa eu ver se entendi. Se a pessoa não se incomodar de pegá-lo no colo para ir a outro lugar e ele não der muito trabalho…ele poderá se tornar aluno formalmente.

Não, obrigada! Sua postura já mostrou que essa escola não é a melhor para o meu filho.

inclusão exclusão segregação integração

                                                           (continua…)

 

 

 

 

Anúncios
2

Sempre foi assim ou a cada ano a exploração é maior? – Da série: escolinha, escola, escolão


Eu sempre fui uma pessoa muito responsável com dinheiro. Adoro comprar, mas costumo pesquisar antes de pagar. Além de pechinchar e esperar a época das liquidações, promoções, troca de coleção. Assim, sempre compro coisas legais e boas por preços mais justos. Sendo assim, há tempos eu não me via comprando alguma coisa com um valor acima, ou muito acima, do que o esperado…planejado.

E então chegou essa nova fase de filho em fase escolar: lista de material, material didático, uniforme, mochila, lancheira, estojo…São tantas coisas que você precisa mandar para escolinha quando o aluno ainda é uma criança! Troca de roupa, toalha, fralda, lencinho umedecido, pomada, lancheira…

Está tudo muito caro. Alguns preços chegam a ser tão exorbitantes que eu fico chocada. Fiz uma longa pesquisa na internet e em algumas lojas físicas de shopping e de rua e as lancheiras estão custando, em média, R$ 100. CEM!!!! Sendo que vi mais de um modelo de mochila (simples) de adulto da Nike ou Addidas por R$ 90.

As mochilas infantis de personagem seguem totalmente regra do que está na moda. Quanto mais em destaque, mais caro! Sério….vi mochilas por R$ 289!!! Não sei vocês, mas eu acho tão fora da realidade!

Pesquisei. Pechinchei. Escolhi um kit (mochila, lancheira e estojo) a um preço justo. Ou seja, menos de R$ 200. Sempre foi assim ou a cada ano a exploração é maior? Sou mãe de primeira viagem. Me contem como é por aí!

mochila

0

Da série: a escola

Comecei esse texto muitas vezes e em nenhuma consegui me expressar claramente. Certamente porque eu mesma estou confusa, com dúvidas e mais ansiosa do que gostaria sobre o assunto. São muitas questões para abordar e várias reflexões e ‘mimimi’ de mãe. Por isso, decidi separar os textos para não ficar tão bagunçado. Será que dá?  Bem, vamos lá. Esse é o primeiro post de uma série de…quantos forem necessários!!! kkkkkk

………………………………………………………………………………………………………………………

Há algum tempo estou a procura da escola. Eu disse ‘da’. E não ‘de’. O que demonstra que não é qualquer escola, mas a escola do Pedro. Na listinha de prioridades coisas básicas como limpeza, organização, profissionais qualificados/habilitados/com amor pelo o que fazem, projeto pedagógico e estrutura segura e adaptada para os pequenos. (calma, já vou falar sobre esse meu sonho de escola que não existe! rs)

Nesse tempo de busca já deixei de lado algumas exigências iniciais desnecessárias (?) e fundamentadas na convicção de mãe de primeira viagem. A conclusão é de que não existe a escola perfeita. Sempre vai ter alguma coisinha “fora do tino”. Mas, pelo o que tenho visto há todo tipo de escola: escolinha, escola, escolão. Boa, ruim, péssima. Umas mais voltadas para o desenvolvimento da criança e outras que já pedem avaliação para alunos do maternal. Aliás, numa dessas eu ouvi “Nosso ensino é voltado para resultados…”. E eu já me senti pressionada pelo Pedro.

Tive problemas sérios com as operações matemáticas e a forma como isso foi resolvido tratado pela escola só me fez carregar essa defasagem e ser assombrada por ela até o vestibular. Logo, essa frase “Nosso ensino é voltado para resultados…” me fez recuar. Voltei a época do primário (ensino fundamental) quando eu não conseguia resolver a subtração “quando o número de cima era menor do que o de baixo.”

E a professora? Ela não sabia explicar. Ou entender. Em sua total falta de paciência com a única aluna incapaz de fazer a subtração, ela deu continuidade ao conteúdo. Ela não captou o meu problema:  eu não via o número de cima como uma dezena. Eu o via como um número simples do qual era impossível subtrair 9 de zero, por exemplo. (nessa fase ainda não aprendemos números negativos)

Enfim…aprendi com uma coleguinha de sala que me disse “O zero é como se fosse 10”. O nome dessa gênia de sete anos era Camila! “Onde quer que esteja: obrigada Camila, aprendi subtração com você!” kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Por essas e por muitas outras razões, acho a fase escolar muito importante na vida de um indivíduo e acredito que as experiências vividas nesse ambiente molde muito da nossa personalidade, da percepção do mundo, do respeito ao próximo, noção de cidadania e, claro, a qualidade do nosso conhecimento. Muito é responsabilidade da família, porém a realidade é que nossos filhos/netos/sobrinhos passam metade ou o dia todo na escola. 5…8….até 12 horas nesse ambiente absorvendo tudo o que acontece ali. Ou seja, você precisa confiar na escola, no ambiente, nas professoras e auxiliares, no projeto pedagógico.

Preciso de uma escola que, acima de tudo, ajude o Pedro a melhorar as habilidades e o incentive a conquistar novas aptidões sem o travar por medo de errar ou por demonstrar que não sabe. Não quero que o atropelem. Alguns me falam que ele saberá se virar e precisa dar conta do recado porque na vida nada nem ninguém espera você ficar pronto.

Verdade.

Mas, será que esse atropelo faz alguém ficar preparado ou se adaptar (do jeito que dá) para continuar a corrida? Eu me adaptei e passei a vida escolar de recuperação em matemática. Imagine no colegial…fui péssima em física. Passava vergonha, não entendia nada, me sentia totalmente incapaz. Eu sei…zero de física.

Por sorte, tive outros professores ótimos. Se eu era ruim em matemática…conseguia me sair muito bem nas disciplinas de humanas e até biológicas. Ter bons professores, e profissionais dedicados, garantiu minha autoestima acadêmica e me fez ser ainda melhor no que eu tinha habilidade.

Aham, senta lá Beatriz. Você quer uma escola que não existe! É…eu poderia dizer que sim.

Porém, o resumo desse post é: eu quero para o meu filho uma escola que o respeite, o ajude a melhorar suas habilidades já adquiridas e o incite ao novo!

lapis

(continua….)