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Licença poética egocêntrica

Versão do Pedro:

“….e a agulha da injeção era a pena de um p…”

“…Pedro!”

(pausa para risos)

“…e agulha da injeção era a pena de um pa…”

“…papai!”

(pausa para risos escrachados e desistência da mãe)

Versão original:

” (…)

O doutor era o peru( glu-glu)

a enfermeira era um urubu(uh-uh)

e a agulha da injeção

era a pena do pavão”

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A mamãe e o Queen

A fase gostosa da criança gostar/se entreter com música chegou lá em casa. Engraçado que desde o nascimento dele eu tentava estabelecer o “vínculo cantarolante” que falam por aí ser suuuuper importante/legal/estimulante/fofo…só que não rolava. Era eu cantar e ele nem ligar. Chorava mais alto? Atacava tomates? Kkkk

Eu incorporava a Whitney Houston e ele nem ‘tchum’. Frustrante minha gente.

Até que um dia ele estava lá todo bravo por ter acabado a hora do banho e sem pensar comecei a cantar. “Piruuuuulííííííííto que bate bate. Piruuuuulííííííííto que já bateu. Quem gosta de mim é ela quem gosta delááá? Sou êêêêêuuuu”. E de repente vejo um sorriso sem vergonha naquela carinha redonda. Ponto pra mim!

Depois desse dia eu sempre canto para ele quando ele está resmungando ou vai começar a chorar de birra. É batata. Ele para e fica me olhando cantar. Às vezes sorri. Às vezes mexe a boquinha junto. Às vezes bate palma. Nhóóóiimm!!! ❤ ❤ ❤

Comecei a experimentar outras músicas tradicionais infantis e algumas da Galinha Pintadinha que ele a-do-ra e escuta no final das sessões de fisioterapia. Outro dia usei essa artimanha no carro. O trânsito de São Paulo estava daquele jeito e não tinha o que fazer. Estava tudo tão parado que eu não tinha nem como encostar o carro em algum ponto e tirá-lo um pouco da cadeirinha. Até porque, o conhecendo bem, se fizesse isso e depois pusesse de novo na cadeirinha ele ligaria o “modo choro” novamente.

Nove de Julho travada e bebê esgoelando no banco de trás.” Oh my God, me teletransporta para casa, pensei”. Quem já passou por essa situação sabe bem o que é ter um bebê chorando cada vez mais alto dentro do carro e você não ter o que fazer.

Faço a lista mentalmente:

  • ·         Fome: não acabou de tomar mamadeira
  • ·         Fralda: também está trocada
  • ·         Dor: ?
  • ·         Tédio/irritação: sim…do anda-pára de SP

“Filho, por favor, ajuda a mamãe. Não tem o que fazer. Ò escuta a música que legal.” E eu aumento o som do rádio.

“Buáááááááááááá´”.

Que agonia minha gente! Olho pra frente, pros lados, pra trás. Tudo parado. Nem um movimento há 7 minutos. Aaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh……..

“Buáááááááááááá´”.

 “Filho, olha, canta com a mamãe: “Piruuuuulííííííííto que bate bate. Piruuuuulííííííííto que já bateu. Quem gosta de mim é ela quem gosta delááá? Sou êêêêêuuuu”.

Ao final da cantiga: silêncio. Uns resmunguinhos de bebê. Mas, silêncio.

Será que encontrei um jeito? Será? Será? Será?

“Buáááááááááááááááá”.

E a mãe recomeça: “Pó pó pó pópó. Pópó pópópó. Quem é que tem um monte de pintinhas? É a Galinha Pintadinha. Quem é que tem a pena azulzinha? É a Galinha Pintadinha….”

Ao final da música: silêncio.

Sim, minha gente!  Ele parou de chorar e depois de umas 4 músicas o trânsito andou um pouquinho e eu conseguir fugir para uma rota alternativa. Ufaaa.

Depois de tal feito e vendo o velocímetro nos 60 km/h a música que veio a cabeça não foi a do pirulito, nem de galinha com pena azulzinha nenhuma, foi do Queen…..

“Weeeee are the champions my frieeeendsssss. And we’ll keeeep ooooon fighting Tiiilllllllll the eeeennnnd….”

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk…