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Fizemos aniversário!

cupcake

Em junho o ‘Querido Pedro’ fez um ano e eu esqueci de comentar por aqui. Que desalmada essa autora que vos escreve!!! rs

Em 07/06/13 eu comecei esse blog de maneira tímida e sem qualquer intenção de ser lida por tantas pessoas. O primeiro post que publiquei foi esse aqui sobre o preconceito e as mães solteiras. Curiosamente, esse é o segundo texto que mais recebe acessos durante a semana, sabiam? Isso me mostra que o assunto é de interesse de muitas mulheres e que, provavelmente, muitas ainda devam sofrer com esse estigma que minimiza a responsabilidade da parte masculina na gravidez + criação.

E vocês vão me perguntar: Mas, Bia, e qual é o post mais acessado? Depende. Se estivermos falando daquele que ainda hoje é acessado mais vezes durante a semana é o “Pressentimento, simpatia, sonho premonitório”. Mas, os que tiveram mais acessos durante esse primeiro ano foram “A rotina do hospital e as amigas que ganhei” e “A última batatinha do saco! Sobre conquistas e orgulho de mim mesma”.

Olhando os números do painel de controle do blog eu penso que o Pedro deve ser realmente muito querido. Pois, vejo como as pessoas gostam de saber sobre as conquistas dele, as novas palavrinhas, os aprendizados. Além disso, me espanta e alegra perceber que vocês continuam lendo o blog mesmo ele sendo tão pessoal com escritos basicamente sobre a infância do meu filho e dos meus desafios perante a maternidade.

De vez enquando recebo e-mail de pessoas que nem nos conhecem, mas se identificam com o histórico de prematuridade ou com o tema daquele post e deixam sua opinião. É muito gratificante essa troca e o feedback de leitura. Para mim o ‘Querido Pedro’ deixou de ser apenas um diário e um espaço onde eu desabafo sobre o lado B da maternidade.

Gosto de vir aqui entreter, divertir, refletir, emocionar (por que não?) vocês. Nesse meio tempo já fomos matéria no Terra e compartilhados dezenas de vezes em páginas do Facebook. Por isso, quero dizer: Obrigada!

Top 10 desse 1º ano!

1 – O mundo não está tão moderninho: mãe solteira ainda sofre preconceito

2 – Ser mãe é…

3 – Irmão…uma das coisas boas da vida

4 – Obrigada Tia T.

5 – Sobre tabefe gratuito e perigos que a gente nem imagina

6 – Colo, dar ou não dar. Eis a questão

7 –  A dois dias de completar um ano: o relato de parto

8 – Afinal, hoje é sexta! Yeah!

9 – Mãe da minha mãe. Minha avó. Bisavó do Pedro

10 – O primeiro ano de vida

 Extras: 770 gramasA primeira vez que te vi; A mamãe e o Queen

 

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Feliz dia das mães!

beijo

As minhas amigas costumam me perguntar como é ser mãe. E eu, que vivo essa realidade há apenas 2 anos, costumo ter a reação de ficar uns segundos em silêncio e começar a explicação com um sorriso seguido da expressão “Então…”.

Bem, até a data de hoje a melhor definição que eu tenho para a maternidade é: “ser mãe é algo muito doido”. Quem me conhece sabe que eu sou contrária àquela filosofia da maternidade cor de rosa porque eu levei uma porrada na cara da realidade quando fiquei grávida e quando o Pedro nasceu.

Mas, não falo só por mim. Isso seria muito egocêntrico e pouquíssimo confiável. Bastante superficial. Construí esse pensamento pelo que vi e ouvi de outras tantas mulheres: casadas, solteiras, com um ou vários filhos. Mulheres que se preparam para ser mãe ou não. Mulheres que tiveram, ou não, um pai para a criança dela .

Gosto de dizer que a maternidade é algo visceral porque te toma de tal forma que te leva aos extremos do que existe de bom e mal. O bom é que vale a pena! Juro!! Porque não há nada melhor que o Pedro. Porque não há nada tão ruim que o sorriso, a alegria e o bem-estar estampado no rosto do Pedro não consiga mudar em mim.

Ele me irrita quando não come e faz birra. Me tira do sério quando não quer dormir. Sinto vontade de picar em mil pedacinhos às vezes e vivo exausta. Mas é ele e só ele que me transforma e me encoraja, que me faz superar limitações, além de me fazer rir, me trazer de volta a doçura e me conectar com Deus.

E tem mais: acredito que a maternidade/paternidade nos deixa mais maleáveis com as coisas do dia-a-dia. Por exemplo: aprendemos, às vezes depois de dar muito murro em ponta de faca, que é impossível deixar a casa arrumadinha, impecável, decorada como ela costumava ser antes dos filhos. Adaptamos o Art Déco para um “Contemporâneo Experimental”. RS

Mas, tem mais: a gente suporta melhor a sujeira. Calma! A sujeira da roupa deles, quero dizer. Quando o Pedro começou a rolar e a se arrastar pelo chão tive uma fase crítica. Me dava “siricutico” ver aquela roupa ficando encardida. Até que dei por mim que a camiseta encardida era a prova viva da evolução cognitiva e motora do meu filho. Relaxei. Ou não haveria roupa suficiente nas gavetas.

E com esses exemplos ‘mequetrefes’, mas bem comuns na vida das mães, quero mostrar que eles nos transformam em pessoas melhores. É uma mudança de si mesma sem volta. Deixamos para trás o local que sempre habitamos, o nosso conforto e partimos para o desconhecido. (Para um habitat selvagem eu diria! HAHAHAHA…)

O mais interessante, intrigante, recompensador é perceber nos pequenos detalhes do dia-a-dia que, na verdade, são os filhos que ensinam mais aos pais.

Não se engane caro amigo! Você acha que está ensinando bons modos, andar de bicicleta e matemática? Que nada! Eles é que estão te dando uma segunda chance de rever seus atos de cidadania, te obrigando a ter hábitos mais saudáveis e finalmente te fazendo aprender que a ordem dos fatores não altera o produto.

Por isso, eu digo que “a maternidade é algo muito doido”. ‘Pramódi” ilustrar isso TUDO que eu falei acompanhem meus grifos e comentários na definição do Dicionário Michaelis:

“doi.do
adj 1 Que perdeu o uso da razão; alienado, louco. 2 Exaltado, temerário. (quem nunca? kkkk) 3 Extravagante. 4 Insensato. 5 Extraordinariamente afetuoso: Doido por crianças. 6 Arrebatado, entusiasta: Doido por música. 7 Muito contente. (porque eles nos enlouquecem, mas nos fazem contentes!! Contraditório né?! kkkkk) 8 Oposto à razão, à moderação, à prudência (falando de coisas): Pensamento doido. Corrida doida. Antôn (acepção 4): sensato, prudente.”

FELIZ DIA DAS MÃES para quem é mamãe, para quem será no futuro e para quem é “mãetia”, “mãevó”; “mãeirmã”…

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O meu (não) entretenimento televisivo

garfield_pret_dormir

Hoje o post é bem curtinho, mas é sobre algo que tem assolado minhas noites de entretenimento televisivo. O fato é seguinte: eu durmo. Gente, é encostar no sofá no final do dia e eu desligo. Mas tipo…em cinco minutos, sabe?! Kkkkkkk

Às vezes termino de jantar super empolgada porque está passando alguma coisa legal na TV e penso “Ah, que sorte vou conseguir assistir”. Vou pro sofá toda alegrinha e em 10, 20 minutos no máximo, estou dormindo. E não é um sono qualquer é aquele que os olhos começam a pesar uma tonelada cada e por mais que você se esforce eles simplesmente fecham.

Até uns 15 anos de idade eu e minha irmã sempre tirávamos sarro da minha mãe porque era sentarmos para assistir a um filme e em 15 minutos ela estava dormindo. Riamos, reclamávamos e tirávamos sarro. Minha mãe explicava para mim e para minha irmã que estava muito cansada e, por isso, dormia. Nós bobinhas, do alto do nossos postos de filhas, ríamos e esperávamos a próxima sessão “cinema família” para constatar que, sim, nossa mãe iria dormir nos primeiros 15 minutos de filme.

Mas, como eu sempre digo a maternidade é um eterno cuspir para cima e cair na testa. Então, quem dorme nos primeiros 15 minutos de filme agora sou eu. Amigas mães, também acontece por aí?

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Falta de noção, preconceito ou indelicadeza gratuita?

Já relatei aqui outras vezes que passei por algumas situações desconfortáveis por ser jovem e já ser mãe. Os primeiros casos ocorreram ainda durante a gravidez quando me viam na rua, shopping, transporte público e era nítida a cara de “aff, grávida. Tão nova”. Olhavam para o meu rosto, depois para a barriga e em seguida a cara de reprovação.

Se eu ficava triste? Claro. Não sei se pelo preconceito ou pela indelicadeza gratuita. E vamos combinar que eu sou jovem, mas nem tanto assim…27 anos. Há nisso, aliás, algo bem discutível e que parece ser desconsiderado pelas pessoas: a idade é o que define se uma mulher vai ser uma boa mãe (ou pelo menos o que a sociedade considera boa mãe)? Desconsidera-se assim equilíbrio emocional que sabemos não chegar para algumas pessoas nem depois dos 30, 40, 50…

Não, gente. Eu não apoio a gravidez precoce na adolescência. Mas eu não apoio porque acho um pecado perder a chance de viver tudo o que se quer, de estudar, de pirar o cabeção, de ficar a toa, de escolher ir ou ficar…leveza e simplicidade,  deleites que a moral (?),  sociedade (?), nos permite apenas até uma certa idade. Tô falando mentira? E mais, não é somente porque acho que todo mundo tem que ter a fase ‘viva la vida loka’. É muito mais pela questão de não se tornar um ser humano frustrado, amargurado, pela falta de juventude.

Nós podemos ter 15, 20 ou 35 e ainda assim não estarmos preparadas para ser mãe. Na verdade, cá entre nós, eu acho que nenhuma mulher está pronta. Explico. A gente pode planejar, escolher o melhor momento da vida, mas acredito que nunca estamos prontas porque a maternidade é um processo e como tal demanda vivência, tentativa e erro, tempo.

Conheço um monte de mulher que está super certa da decisão e quando vê o positivo dá uma pirada. Cá entre nós novamente: acho super normal! Ter um filho é um passo sem volta, é para sempre, é acima de tudo a escolha de não ter controle (de nada).

Maternidade é algo visceral. Acho essa a minha melhor definição. Esse ‘troço’ muda você inteira por dentro. Te faz experimentar sensações físicas e emocionais (boas, ruins, muito boas, muito ruins) que você nunca conheceu. É tudo novo. O que mais me assustava era o fato de pensar na responsabilidade que é ter alguém sob sua tutela. Alguém para educar, mostrar princípios…não criar mais um monstro para avacalhar nosso já avacalhado mundo!

Agora conto o que me inspirou para esse post. Estávamos eu e o marido na fila do mercado quando a senhora atrás de nós olha para o Pedro no meu colo e dispara “Ele é seu irmão, né?”. Eu fiquei sem graça e respondi “Não. É meu filho!”. Ela repetiu “Ele é seu irmão, né?”. Eu achando que tinha falado baixo respondo mais alto “Não. É meu filho!”. Ela “SEU FILHO? NOOOOSSA”,  e ela que até então parecia ter gostado do Pedro virou a cara para olhar uma revista. O marido dela resmungou alguma coisa também enquanto abanava a cabeça com o sinal de reprovação.

Minha cara:    O.o

O que eu fiz de tão desprezível para ela virar a cara pra mim, me digam?! Ela tem sorte que a maternidade me fez colocar um freio nas palavras envenenadas que eu costumava disparar em quem me enchia o saco. Sorte dela que a minha mãe me deu educação e eu acho feio fazer barraco. Sorte dela que eu não fuzilei ela com o olhar o qual meus amigos apelidaram de mortal e desconcertante.

Enfim, desabafei. Ufaaa….kkkkkkkkk

Agora me digam: isso é só falta de noção, preconceito ou indelicadeza gratuita?

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Tirando o pó [cof cof] e atualizando as conquistas do Pedro

Oi gentis! Eu sei, eu sei…tô sumida desse cantinho. Acontece que no meio do caminho tinha uma pedra recesso de fim de ano e depois férias curtinhas para aproveitar o filhotinho. Daí vocês sabem…full time com o Pedro e muita preguiça = blog sem atualizar.

Mas, cá estou eu. Ainda com poucas ideias para escrever o que está diretamente ligado ao fato de que tenho ficado pouco tempo com o Pedro. Passamos as primeiras horas da manhã juntos, mas saio para trabalhar e quando volto ele já está dormindo. Logo, aproveitamos mesmo só no final de semana.

Sem querer entrar muito na reflexão dos prós e contras de trabalhar fora com um filho ainda pequeno…eu digo que “sim, é doído passar tanto tempo longe dele durante cinco dias da semana e não ser a primeira a ver as descobertas que ele faz”. “Compensa?”, alguns me perguntam. Eu digo que é complexo pesar esse tipo de coisa.

 Se eu pensar apenas nos termos da maternidade com apego, infância consciente, e no tempo que não volta mais eu largaria tudo e ficaria somente cuidado do Pedro, o levando para ver o mundo e experimentar as delícias de ser criança. No entanto, eu preciso compor renda, eu gosto de trabalhar, me sentir útil, produzir…então, o que é mais importante?

 Parei de tentar eleger isto. Convivo com as duas situações (quase sempre) bem. Um dia ou outro me dá um aperto no coração quando vejo o quão rápido ele está se desenvolvendo. Logo mais não terei um bebê. Contudo, tenho a sorte de poder contar com a minha sogra que cuida e ama o Pedro durante o tempo em que estou fora.

 Procuro ver essa realidade como o copo meio cheio e não meio vazio. Meu filho é amado e bem cuidado, aprende a conviver com outras pessoas, come alimentos diferentes dos que tem em casa, é estimulado por mais pessoas do que se ficasse em casa comigo, ganha autonomia e enche de amor corações empedernidos (isso merece um post a parte. Me lembrem!). Ou seja…ser a primeira a ver as descobertas dele pode não ser tão importante assim, saca?

 Quando estamos juntos tento aproveitar ao máximo. Beijo, cheiro, mordo, faço cócegas, canto, reclamo, dou bronca, faço festa, durmo junto, preparo as comidinhas, brinco no banho, tiro sarro, observo cada detalhe e agradeço a Deus por ter me dado um filho cheio de saúde.

 Domingo à noite enquanto o colocava para dormir ele descobriu que a mamãe tem cílios. Veja só! Esticou o bracinho e ficou passando o mini (nhóóim) dedão nos meus cílios achando a coisa mais bacana do dia. E eu? Fiquei babando, claro!

 Enquanto ele descobria meus cílios eu mais uma vez me apaixonava por ele. O cabelinho que não sabe se fica liso ou enrola, os lábios carnudos iguais ao do pai, os olhinhos mestiços levemente puxados, o narizinho. Peguei na mãozinha…aquela coisa pequena com cinco mini dedinhos. Olhei cada um deles. Estiquei e encolhi. Estiquei e encolhi e novo. Pensei: “como pode ser tão perfeitinho?!”. (sim, eu após 1 ano e três meses, continuo me surpreendendo como na primeira vez que o vi).

 Todo esse texto para dizer que não é fácil trabalhar fora o dia todo. Sinto saudade. Contudo, percebi que nossos momentos ficam mais deliciosos quanto mais comprometida eu fico com ele. Então, não importa “tanto” a quantidade de tempo se quando eu estou com ele eu estiver por inteiro: partilhando, ensinando, divertindo….

 É isso, gentis! Espero aparecer mais por aqui. Ajudem a tirar o pó daqui também. Alguém tem alguma sugestão de tema para post? Beijos.

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 Pedro aos 15 meses (1 ano e três meses):

  •  Já tem os dois dentes centrais de baixo e os dois de cima já começaram a aparecer
  • Mede: 71 cm
  • Se arrasta pela casa
  • Reclama pedindo para sair se vê alguém perto da porta
  • Fica de pé apoiado nos móveis, mas precisa de supervisão para não cair
  • Descobriu que o reflexo no espelho é ele mesmo
  • Continua com muita cócegas
  • Adora biscoito de polvilho
  • É apaixonado por água. Não pode ver uma torneira ligada que já quer colocar a mãozinha
  • Tomou o primeiro banho de mangueira com o primo na casa do avô L.
  • Usa roupa G ou tamanho 1, mas o shorts ainda é P ou M (cinturinha de pilão desse garoto! Kkk)
  • Brinquedos favoritos: controle remoto da televisão, escova de dente, potinhos coloridos de empilhar
  • Música do momento: “Borboletinha, tá na cozinha, fazendo chocolate para a madrinha…”
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Os primeiros dias em casa e a fofurice do dia

Eu leio muita coisa durante o dia e o tema “primeiros dias do bebê em casa” é bem comum. Então fiquei pensando em como foi comigo e com o Pedro. Engraçado, mas NENHUM relato dizia: “Ah, foi super fácil”, “Tirei de letra”, “Sabia exatamente o que fazer”, “Não chorei junto com o meu bebê”, “Nunca me senti sozinha com meu filho recém-nascido”. E sabe por que não lemos isso? Porque o começo é muito difícil mesmo.

A gente nunca foi mãe e “de repente” estamos ali com aquele pacotinho dependendo da gente para tudo. É falta de entrosamento, é excesso de responsabilidade, é preocupação em ser a melhor mãe que podemos ser. Nesse momento a gente ainda não sabe que

Comigo e com o Pedro teve a questão do hospital. Estava exausta, física e emocionalmente, dos 90 dias de internação dele quando o dia da alta chegou. Fiquei explodindo de felicidade e morrendo de medo de levá-lo para casa…tudo ao mesmo tempo. Lembro de ter confirmado a notícia (já pré-avisada) por telefone, ter saído correndo para o quarto, pulado na cama e dito para o marido “Vamos buscar nosso bebê!!!!!”.

Avisei a família que finalmente o levaríamos para casa e fiquei em estado de agitação permanente. Acho que deve ser essa a sensação de uma mulher que consegue ter um parto em tempo normal e vai para a maternidade sabendo que o bebê estará em seus braços em questão de horas. Enfim, cheguei no hospital a mil e estava tão afoita que troquei a roupinha dele toda atrapalhada. Parecia que era a primeira vez que fazia aquilo. Então, chegou o momento de levá-lo para fora da porta do hospital. De passar por aqueles corredores, elevadores e saguão agora com ele no colo. Na saída chamei a recepcionista que me dava o crachá todos os dias para ela o conhecer.

Lembro de entrar no carro, colocá-lo na cadeirinha e me dar conta de como ele ainda era pequeno e frágil mesmo com três meses de vida. Era muita cadeirinha para pouco Pedro. Eu precisava até colocar a mão nas costas dele para o cinto, apertado no máximo, não ficar folgado demais e também para não deixar o pescoço dele “dobrado” e dificultar a respiração.

Lembro de ter pensado “Sério mesmo que vão me deixar sair com ele? As pessoas sabem que eu não faço ideia de como cuidar de um bebê?”. No caminho para casa redescobri como a cidade é barulhenta e poluída. Pensava “Nossa esse ar horroroso está entrando no pulmão dele. Bem no pulmão dele que só respirou ar de hospital e que é broncodisplásico”.

Fui o caminho todo tensa. Pensando se ia dar conta, rezando para ele não passar mal e ter que voltar correndo para a emergência. Chegamos em casa onde minha mãe já nos aguardava com o almoço. Pusemos ele na sala ainda na cadeirinha. E depois tem um ‘gap’ na minha memória. Não sei o que fiz com ele depois naquele dia.

Mas, me recordo de ver como o berço era enooorme para ele. De levantar umas…VÁRIAS vezes durante a noite para ver se estava tudo bem, se estava coberto, para amamentar, para verificar a respiração. Aliás, a checagem da respiração era uma ação compulsiva minha. Verificava milhares de vezes por dia. Parava de lavar a louça na metade só para ver a barriguinha subindo e descendo. Quando não podia parar pedia para o marido ver se estava bem e sem-pre perguntava se ele tinha checado a respiração. Típico trauma de quem é mãe de filho que ficou na UTI com respiração mecânica (40 dias de entubaçao, uma semana no cepap, dias a perder de vista com oxigênio na incubadora e depois em máscara).

Até que um belo dia depois de pensar (e chorar) 54892 de vezes que não vai conseguir, que não vai dar conta, que você é pior mãe do mundo, acontece uma certa mágica no infinito que nos empresta força e sabedoria e as coisas simplesmente fluem. Bruxaria, feitiçaria, magia, mandinga….sei lá. Um dia nos damos conta de que passou aquela fase nada cor de rosa sem contato social de arrancar os cabelos inicial.

O que antes amedrontava não assusta mais. O que antes era difícil se tornou corriqueiro. E o melhor: percebemos que nosso filho nos adora mesmo quando não sabemos o que ou como fazer. Até porque ‘toda’ mãe é perfeita. A sua não é? E ela não sabe o que fazer o tempo inteiro, né?! Então.

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Fofurice do dia

Hoje o Pedro acordou às 4h30 da madrugada querendo mamar. Preparei a mamadeira, dei para ele. E caí na cama de novo. Como o berço dele ainda está no meu quarto comecei a ouvir aquele ronc-ronc de nariz entupido. Pensei “aiiii vou ter q levantar de novo. Está tão frio fora do edredom!”.

Ronc-ronc………ronc-ronc……..ronc-ronc……ronc-ronc……..

HUNF! Levantei e fui buscar o soro no quarto dele. Quando voltei ele já estava de olhinho fechado quase dormindo. Dei uma mexidinha nele para ele não acordar assustado com o soro entrando pela narina. Ele abre o olhinho me vê com o vidrinho na mão e fica esperando.

Tchuf em uma narina. Tchuf na outra.

Olho para ele para me certificar se está tudo bem. Ele fecha os olhinhos e sorri como se estivesse falando “Ufa, obrigado. Tava ruim para respirar. Agora guarda o soro e vamos dormir, mamãe!”.

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A maternidade: o momento em que você deixa de ser você para ser uma nova você!

A maternidade é uma das coisas mais surreais da vida de uma mulher.

(sur.re.al)

1. Que não corresponde à realidade objetiva; que não condiz com a razão, de tão estranho, incongruente ou absurdo; que tem o caráter ou a natureza do sonho

2. Que tem características próprias do surrealismo

Adoro a parte que deixei em negrito porque ela resume em poucas palavras o sentido da maternidade. Porque ser mãe é isso: é algo longe da razão de tão estranho, incongruente ou absurdo. È lindo. È ruim. È feliz. É difícil. É maravilhoso. É complicado. É sério. É fonte de riso, alegria. É ‘padecer no paraíso’ como dizem. É muito mais que isso e eu ainda não consigo explicar. Se é que um dia vou conseguir…acho que não.

A mulher vê aquelas duas listrinhas no exame da farmácia ou o positivo no exame de sangue e a vida muda ali. Naquele momento você deixa de ser quem era e passa a ser outra. No início (e depois de parir kkkkk) ficamos disformes como aquela geleca que brincávamos quando crianças. Só com o tempo vamos aprendendo a ser alguém de novo. Mas, é impossível voltar a ser como antes. Não dá. Às vezes penso que a natureza faz isso para garantir a sobrevivência do filhote. He he he…

Primeiro a ficha tem que cair e às vezes acontece junto com um choque “meeeeeuuuu Deeeeuusss, virei mãe. Ai. Caramba. Terei um mini ou uma mini dependendo de mim forever and ever”. E você percebe que o ‘forever and ever’ que você sempre achou ser a coisa mais arrebatadora de corações realmente é. Só que… é assustador a princípio.

Vem a avalanche de hormônios, as preocupações, as terríveis mudanças de humor, apetite, gostos, prioridades. E “depois de nove meses você vê o resultado” como diria a velha música. O pós-parto é difícil. Há uma queda abissal de hormônios, vem a amamentação (que nem sempre é fácil), as horas sem dormir, fraldas, gorfadas, banho, choros aparentemente sem razão, dor na cesárea, peito doendo/vazando, casa para dar conta, e… a vontade de enfiar a cabeça na terra que nem avestruz.

É uma adaptação e como toda adaptação é preciso paciência para acertar o que precisa ser mudado. O problema é que nessa fase a paciência está na casa do car****….não posso falar. O momento cor de rosa da maternidade não é esse. Ele vem aos poucos depois.

O pai tem papel central para por ordem nessa bagunça toda. A maneira como o marido, namorado, noivo reage diz muito sobre como será essa fase. Não jogando a batata quente na mão deles, mas “Ei! Vocês são a parte racional nesse momento. A mãe definitivamente não está normal como vocês já devem ter percebido. kkkkkkk”.

Coitados dos pais (e de quem está próximo kkkk). Imagino como deva ser difícil lidar com uma grávida ou recém parida (hehehehe). É tanta coisa. E também deve passar pela cabeça deles se será sempre assim, se nunca mais seremos aquelas doces mulheres cheias de amor para dar e sem reclamação para fazer. “Onde está aquela mulher linda de unhas feitas, cabelo espetacular e lingerie sexy? E esse mau humor? Essas paranóias todas vem de onde?”.

Não é mole ser companheiro e marido. Parabéns a vocês maridões, namorados e noivos que sabem entender sua esposa, namorada e noiva. Que não deixam de amar suas mulheres com as novas curvas que a gravidez as deu. Que preferem vê-la feliz e tranqüila a cobrar por uma unha de esmalte novo. E que vêem até graça na sua garota vestida de forma tão despojada, sem a preocupação que a fazia escrava do salto alto e roupas da última moda.

Pode parecer que não, mas agradecemos a Deus por ter vocês ao nosso lado num momento tão importante (e delicado por que não?!) de nossas vidas. Agrademos por toda ajuda, gentileza e atos de compreensão. Também apreciamos muito o auxílio nos afazeres domésticos. Enxergamos nisso a preocupação de vocês em não nos deixar sobrecarregadas.

Fazemos coisas influenciadas por hormônios e por toda a fragilidade que sentimos, eu juro! Mas, não há nada melhor do que o abraço firme e quente de vocês para acalmar qualquer coração agitado. Às vezes só queremos colo e nos sentir protegidas.