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Andou!

Eu pensei que quando o dia chegasse eu teria um livro para falar. Mas, eu só quero contar para vocês que ele ANDOU! ANDOUUUUUU.

24 de setembro de 2015. Aos 2 anos 11 meses e 10 dias, Pedro deu seus primeiros passos sem auxílio. Eu filmei, eu festejei, eu gritei, eu chorei e agradeci. Agradeci muito.

Primeiro agradeci à Deus por mais uma prova de amor e por sua infinita sabedoria. Depois fechei os olhos que estavam gordos de lágrimas e me joguei no sofá. Um misto de alegria e perplexidade me deixaram sem palavras.

Depois abri os olhos e fiquei olhando aquela carinha que é tão amada por mim e que continuou a brincar no ipad como se o seu ato tivesse sido corriqueiro. Aquele rostinho redondo, de boquinha bem-feita e cílios compridos ficou brincando enquanto eu sentia a serenidade e a alegria que só a gratidão nos proporciona.

E como se não bastasse a gratidão, eu senti orgulho. Orgulho por ter a oportunidade de conviver com o Pedro: um ser tão iluminado e persistente que, desde os primeiros momentos de vida, me surpreende e me ensina sobre amor, esperança, resiliência e doação. Orgulho dele. Orgulho da nossa parceria de vida.

Obrigada, Pedro! E parabéns, filho. O mundo é grande e lindo e você tem muito para andar.

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Escrever é…

Escrever para mim é profissão! É atividade humana mais do que necessária e um privilégio para uma pequena parte da população mundial. É terapia para quem tem muitos pensamentos também! Mas, ultimamente, escrever tem sido uma nova forma de motivação e fonte de felicidade para mim!

Semana passada eu fui dar uma olhada nas estatísticas do blog e tive uma surpresa pra lá de boa. Vi o mapa de visualizações todo colorido mostrando os países que acessaram o Querido Pedro: EUA, Reino Unido, Japão. Pensei “Poxa, olha que demais a história do Pedro se espalhando pelo mundo!! Minhas tão singelas linhas sendo lidas em outros países”.

Claro, o que facilita muito é que tenho amigos espalhados pelo mundo todo! E o Facebook nos permite manter a conexão apesar dos milhares de quilômetros. Mas, com mais cuidado e curiosidade fui detalhando as estatísticas e….CARAMMMMMMMMBA: Dinamarca, Portugal, México, Argentina, Uruguai, Canadá, Suiça, Israel ,Egito, Namíbia…

“Peraí: não tenho amigo em todos esses lugares.”

mapa

A qualidade está ruim porque é foto do monitor do PC. Mas, vocês perdoam, né? rs

(Esse post acaba aqui por pura euforia e gratidão da autora) Thanks!!!!!!!!! I’m so glad!!!!!

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Uma alegria imensa: “Querido Pedro” no Portal Terra

Obrigada!

Obrigada!

Oi gente!

Hoje vim aqui para agradecer à Deus, aos amigos queridos que me leem, ao Pedro que é a principal inspiração para este blog existir! Estou super feliz pelo “Querido Pedro” ter virado matéria no canal Carinho do Portal Terra por meio das mãos do amigo de faculdade, Felipe Gierstajn.

A história do ‘Querido Pedro’ começou há um ano quando no auge da minha necessidade de lidar com o perrengue da prematuridade extrema do meu filho decidi escrever um blog para desabafar, internalizar problemas, colocar para fora as situações boas e ruins que estava vivendo. O empurrão decisivo foi dado por uma amiga querida que trabalhava comigo na época. Durante o almoço daquele dia eu tinha contado sobre os preconceitos que já tinha passado por ter sido mãe aos 25 anos, idade considerada inapropriada pela sociedade pelo jeito. Ela me disse: “Bia, por que você não faz um blog para contar essas experiências?”.

TCHAM! Aquela ideia que já era uma sementinha na minha cabeça ganhou terra e água e amor kkkkkkkkkkkkkkkkkk

E então, da minha história triste e difícil (até aquele momento) nasceu o blog que tanto me ajudou a passar por aquela fase. A velha história de fazer uma limonada, ou caipirinha, com os limões que a vida te dá! Hoje esse espaço é muito mais de textos alegres.

Infelizmente escrevo menos do que gostaria porque tenho trabalho, filho (olhe só…você nem sabia kkk), freelas, casa e marido para cuidar! Quando as coisas estão mais calmas consigo escrever mais….mas, tem épocas que “minha gente, não é mole não!”.

Enfim, se tem uma coisa gratificante para quem gosta de escrever é saber que tem um leitor do outro lado da tela refletindo sobre aquelas palavras que escolhemos, organizamos em frases e expressamos num discurso. Pode ser que o texto passe batido, gere discordância,  proporcione um momento agradável de leitura ou até de identificação. O que me instiga mesmo é causar uma reflexão, um pensamento, uma emoção.

Por isso, obrigada a todos que me leem! De fato, a vida tem sido muito mais de limonadas do que limões azedos!  😉

PS: Quem quiser dar uma espiada na matéria o link é esse aqui:

“Blog sobre bebê é ideia de mãe para criar recordação digital”

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Deixe o seu relato também! (post longo, mas cheio de histórias contadas por amigos)

A conversa já rolava há um tempo até que eu comentei que a moça tinha perdido o bebê há apenas duas semanas. Do outro lado da linha minha mãe reagiu em tom de tristeza e lembramos de algumas histórias parecidas. Já li alguns relatos de mães que perderam seus bebês, filhos, e devo dizer que chorei em todos. É uma perda irreparável e que hoje sendo mãe  me afeta mais ainda. Perder o Pedro seria, sem dúvida, a maior dor. É algo tão complicado, chocante e sofrido que eu procuro não pensar nisso.

Entretanto, isso já foi um problema real duas vezes nesse curto espaço de tempo de vida dele. A primeira vez foi logo quando descobri que estava grávida (mais ou menos seis semanas). Senti uma cólica forte durante o almoço e quando retornei ao trabalho vi aquela mancha de sangue. Me desesperei porque não era pouco sangue. Corri para o hospital com uma amiga de longa data e no caminho fui fazendo as ligações (e orações).

 Demora no atendimento, soro, exame de toque e tensão nas alturas. Quanto medo de perder meu bebê. Um desespero que só quem passou sabe como é. O alívio só veio depois do ultrassom onde ouvi aquele pontinho vermelho piscando e fazendo tumtum-tumtum-tumtum.

A segunda vez foi quando ele nasceu. Não na hora do parto porque acho que eu estava tão atordoada…mas, quando o vi pela primeira vez. Ali sim foi um choque de realidade: 25 semanas, 770g, 29,5 cm, incubadora, mil cateteres, fiozinhos, luzinhas, apitos e botões. Naqueles primeiros dias eu disse “Se ele morrer eu nunca mais vou ser feliz”. Hoje, após 1 ano e 4 meses, eu diria a mesma coisa.

“Pensa no Pedro mãe”, disse ainda na ligação. “Ai, nossa eu não gosto nem de lembrar do medo que tivemos de perdê-lo. Eu olhava para ele tão frágil e rezava pedindo a Deus e aos anjos um milagre”.

Ela expressou tanta aflição na fala que me fez ficar pensando sobre o que as pessoas devem ter pensado naquela época. Porque foi uma fase muito difícil e delicada. Nos primeiros dias eu não atendia ninguém, não respondia mensagem. Eu não queria falar. Eu não sabia o que falar. Eu não queria ouvir um “eu sinto muito” ou “vai ficar tudo bem”.

Então como terá sido?! Saí perguntado por aí…

Naquele dia tentei falar com você, achei estranho não me atender e, logo em seguida, a Fran me ligou. Ouvir que você estava com muitas dores e que os médicos não sabiam a causa me deixou meio tonta. Eu não sabia se ligava pra sua mãe, se aguardava notícias. Impressionante como paramos de raciocinar nesses momentos. Daí pra frente foram preces pedindo para que os médicos descobrissem o q estava acontecendo. Foram muitas ligações até que uma delas trouxe a notícia de que o anjo Pedro tinha nos dado a alegria da sua chegada. Comemoração geral! Então, voltamos às preces pela sua recuperação e para que o Pedro fosse um guerreirinho e superasse o período crítico. Pedia a Deus que te cuidasse, que te colocasse no colo para que você ficasse firme e forte para passar segurança para o pequeno Pedro. E pensava: “O Senhor tem um propósito. Então, que seja feita a sua vontade. Mas, se não for pedir muito, que os dois fiquem bem”. Quando fui visitá-los no hospital, te encontrei com tanta esperança e vi nos seus olhos aquele amor que dizem ser encontrado apenas nos corações das mães. Ali eu tive certeza que ele ficaria bem e que um dia eu olharia para ele e não veria mais nenhum traço que lembrasse aqueles dias difíceis.E creio que os anjos disseram amém porque  1 ano depois lá estava ele… Pedrão…. todo sorridente se vendo na tela da tv durante a comemoração do seu primeiro aniversário. Lá estavam os amigos, os avós, a tia, os primos, o pai, o irmão…. e a mamãe… saudável e orgulhosa com o seu pequeno no colo… Garoto feliz! Se me lembro daqueles dias? Sim, só para agradecer. Amo vocês!” – Bete – Amiga do meu coração e  admiradora do sorriso do Pedro.

Prefiro voltar um pouco no tempo… no dia em que você descobriu a gravidez… lembro que estava deitada em minha cama e comecei a rir quando você falou que tinha dado positivo…eu ria e você chorava. Bom, isso foi mais para comparar com o dia do nascimento do Pepo. Se ri daquela vez, fiquei incrédula dessa segunda. Sim, isso é o pensamento que mais me vem na mente quando penso naquele dia. Não conseguia acreditar, todo mundo preparado para o chá de bebê dele, eu insistindo para que você fosse aqueles dias para a prefeitura…A ligação da Wania me falando da internação e a notícia que um nenezinho tão frágil tinha nascido foi chocante… tentei loucamente falar com a Carol para conseguir notícias, saber como estava minha amiga, e o mini Pedro? Quer saber o que mais senti? MEDO… medo pela fragilidade, medo porque os médicos não sabiam o que você tinha,  medo de não conseguir e nem ter bagagem suficiente para te ajudar, dar forças, mas no fim não podia deixar você perceber isso… você precisava se recuperar:  Pepo tinha apenas 770gramas. Só conseguia rezar e pedir que tudo ficasse bem com você e com ele. Olha, as horas entre saber que você tinha entrado em trabalho de parto e saber que estava tudo bem foram infinitas. Acompanhei tudo a distância e super apreensiva, não sabia muito o que fazer. Passado esse primeiro momento, só fui realmente saber o que você tinha sentido quando recebi seu e-mail…lembro que estava indo pra praia quando li…, e sim me debulhei em lágrimas imaginando tudo o que você contou e o quanto tinha sido mil vezes mais tensa toda a situação. Tem uma frase desse e-mail que sempre me lembro: “Ele chorou!”. O Pedro é um guerreiro amiga, e veio para ensinar muito para gente. Repeti muitas vezes isso para você, mas sei que você é quem mais sabe disso” – Julia – Amiga confidente! Linda, loira e inteligente! kkkkk

É muito triste saber que alguém tão próximo de você está passando por algum problema, principalmente quando envolve saúde. Quando soube que o Pedro havia nascido e estava na UTI chorei muito. Chorei porque passei a questionar Deus porque essas coisas acontecem com pessoas que são boas, de bom coração. Ele responderia alguns meses depois, quando eu (tia de coração) tivesse a chance de segurá-lo nos braços – em seu aniversário de um aninho. Lembro de ligar muitas vezes e não ter notícias, mandar torpedos e tentar obter informações com os familiares. Não sabia o que estava acontecendo com a Bia muito menos com o bebê. Chorei por ela, pela família, pelo Pedro. Chorei por sentir, em alguns momentos, que poderia perder alguém tão especial porque ela também corria riscos. Lembro de fazer o que poderia fazer naquele momento: orar com toda minha fé. Pedi aos espíritos de luz que levasse sabedoria, coragem e vitalidade aos dois. Foi tudo tão rápido e ao mesmo tempo tão demorado. Rápido no período de gravidez, entre o momento da internação e o nascimento, e demorado quando falamos do período em que o pequeno/grande Pedro permaneceu na UTI neonatal. Enfim, Deus é suprema inteligência e hoje tenho certeza de que tudo que a família enfrentou foi pela razão do amor. O Pedro está ficando um mocinho e a menina/mulher se transformou numa grande mãe. Tenho orgulho de ter conhecido de perto a história da vida real, sem edição, sem roteiro, e sim com um final feliz. Amo vocês!” – Fran – Amiga avoada, mas de uma doçura ímpar como essas linhas.

Eu não estava no Brasil quando tive a notícia da gravidez. Acho que de um modo geral o nascimento do Pedro veio rodeado de surpresas, todo o seu período, antes e depois. Quando pude finalmente dar um beijo em você a barriga já estava grande, você estava liiiinda gravidíssima. Perguntei como estava se sentindo e como estava sendo toda essa experiência. Como quem sabe do futuro você disse que a gravidez não iria até o final, você já achava que não seria uma gravidez de nove meses. O Pepe tinha pressa!! Na semana seguinte, dois dias no máximo, fiquei sabendo que vocês estavam no hospital. E logo em seguida veio a notícia de que o Pedro já tinha nascido. Meu Deus!!! Que medo. Fiquei preocupada e sem saber um pouco como reagir, nem você queria falar muito à respeito, não sabia o que estava acontecendo direito, a única coisa que sabia é que ele precisava ficar na UTI, pois ainda havia risco de vida. Como pode, né? Foi tudo tão rápido!! Só consegui te ver mais de um mês depois, você não tava muito para visitas e nem queria sair de perto do Pepe.Tomamos um café no Fran’s e aí sim você me contou como estavam as coisa, me mostrou toda orgulhosa como seu bebê tava lindo, e toda a evolução dele desde o nascimento. Foi ótimo te ver bem e confiante. Foi aí que eu senti que tudo ia ficar bem, você com os seus pressentimentos e eu com os meus. Costumo rezar de vez em quando, mas lembro que esse dia rezei mais forte pedi proteção e saúde ao Pedro e força pra você, que a cada dia que mostra quão forte é. Uma vez você escreveu que esse tipo de situação não vai para qualquer pessoa, é como se a mãe fosse escolhida, pois é preciso força. Tenho muito orgulho de você Biba, por mostrar que a força da mulher vai além do que esperamos e sabemos. E ao Pedro só desejo o melhor, que ele continue esse menino lindo com pressa de vida, mas que agora sem dar susto na mãe” – Gabi – Amiga cidadã do mundo, fala mil e uma línguas e seu sobrenome é procrastinação. Quando está no Brasil é melhor que chocolate!!

Levei um susto quando soube que o Pedrinho tinha nascido com apenas 6 meses de gestação, pois pensava que o “primeiro” susto – quando a Bia passou mal logo no comecinho – já tinha sido o suficiente rsrsrs. Mesmo com a surpresa, eu tinha certeza de que ele venceria a batalha, pois a sua vontade de viver era enorme  e o amor incondicional da mãezinha dava-lhe forças pra continuar lutando além das vibrações e orações dos parentes e amigos! Em nenhum momento duvidei que ele se recuperaria e cresceria tornando-se este garotão esperto e saudável! Afinal já temos uma certa afinidade, pois fui a primeira pessoa a sentir que ele estava chegando, lembra Bia? Agradeço a Deus a oportunidade de fazer parte da história de vocês família guerreira que eu adoooorrooooo!” – Wania – Ex-chefinha, amiga de todas as horas e que me socorreu no dia do 1º sangramento.

Eu não fiquei sabendo do nascimento do Pedro diretamente pela Bia. Soube da notícia via Facebook por um post da Carol que escreveu algo fofo sobre o nascimento, mas também pedindo para que as pessoas rezassem pela Bia e pelo Pedro. A primeira coisa que veio na minha cabeça foi: “Como assim nasceu???  Vi ela semana passada e só tava com uma barriga média. Não era hora ainda! Que menino apressado. Não basta minha prima (o bebê dela também nasceu prematuro, meses antes). Estão todos nascendo antes do tempo?!”. Haha! Depois foi: ”será que a Bia está bem? Ela estava sentiu uma dor naquele dia no shopping. Será que foi por isso? O que será que aconteceu?”.  Confesso que não me preocupei de imediato com o Pedro, e tenho uma explicação para isso. Minha irmã é médica neonatal,então minha ideia sobre nascimento prematuro é bem otimista já que ouço ela falar sobre pequenos, especialmente dos bem pequenininhos. Além disso, ela já havia trabalhado no Santa Catarina, mesmo hospital onde ficaram internados e ela dizia que lá era um dos melhores. Logo, imaginei que tudo ficaria bem. Ou melhor, eu sabia que o Pedro ficaria bem! Nunca desacreditei, mesmo quando a Bia me falava que ele era muuuuito pequeno e que estava entubado. A Bia tinha muito medo. Claro, ela mãe. Toda mãe é assim mesmo, sempre com medo de que algo ruim aconteça com sua cria. Haha! Foi um momento muito difícil para os pais. Muita coisa mudou na rotina deles. Não foi fácil lidar com uma situação hospitalar e aceitar um começo diferente da maioria. Posso dizer que foi um susto muito grande! O bom é que o tempo foi colocando tudo no lugar. Acho que todos aprenderam a desenvolver o dom da “paciência”. Nem tudo acontece no tempo que a gente quer, só Deus sabe o tempo certo das coisas” – Eli – Amiga da época da faculdade (mas parece que faz mais tempo! rs)

Estive com você um dia antes do nascimento do Pedro. Eu me lembro de termos ficado conversando por um bom tempo na enfermaria da Prefeitura enquanto esperávamos pelo atendimento. Você já estava com muitas dores e isso era uma coisa que dava para ver no seu rosto. No dia seguinte, o Cris me deu a notícia. Confesso que a primeira coisa que senti foi um misto de alegria e medo, ele era tão pequeno. Não sei se já te falei, mas tenho muito orgulho da força que teve para superar os momentos difíceis que viveu na UTI. Naquele dia em que fui te visitar, Bia, foi difícil conter as lágrimas ao ver você contar como era dura a rotina e como, mesmo assim, você se mantinha firme, esperançosa e cheia de amor” – Pri – Amiga do trabalho que me faz tanta falta nos finais de tarde.

Daí, certo dia, durante uma das nossas conversas de fim de expediente, a Bia chega para mim e diz: “Pretinho, tô grávida!”. Ao ouvir isto, congelei e tentei imaginar qual seria a coisa certa a dizer. Foi quando perguntei: Mas você está feliz? A resposta, claro, foi um sonoro SIM, acompanhado daquele belo e contagiante sorriso que se tornou constante todas as vezes que ela comentava ansiosa sobre a chegada do Pedrão. Quando finalmente o Pedro nasceu, fiquei imensamente feliz, mas, ao mesmo tempo, preocupado pensando no quão pequeno e frágil era este rapazinho. E que bom poder dizer “ERA”, pois dia a dia ele nos mostra que é um verdadeiro guerreiro e com uma imensa vontade de viver… Te dizer, viu…Tenho um orgulho danado da mãe que você se tornou Bia e fico muito honrado em perceber que, mesmo indiretamente, fiz parte desta incrível história que você escreveu” – Cris – Meu pretinho básico! Daquelas pessoas que você ri o tempo todo enquanto está por perto.

Foi muito rápido o que aconteceu com a Bia, um dia anterior ao nascimento do Pedro, ela chegou no trabalho pálida, com cara preocupada e se sentindo mal. Falei para ela voltar para casa ou ir direto para o hospital, antes, porém, perguntei se tinha alguém para vir buscá-la, pois sozinha ela não sairia do trabalho. As primeiras horas foram de muita expectativa e preocupação. Graças a Deus e com muita vibração positiva, Pedro nasceu e superou todas as dificuldades. É um grande guerreiro. Além disso, tem uma mãe maravilhosa e muito dedicada” – Roseli – Chefinha que segurou as pontas!

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Olhos, os seus lindos olhos

olhos

Como sabem o tempo normal de uma gestação é de 38-40 semanas, tempo necessário para a formação e maturidade completa dos órgãos. Dependendo da quantidade de semanas que o bebê nasce ele terá maior ou menor chance de vida por conta das complicações advindas da imaturidade de seus órgãos. Em alguns casos a condição é incompatível com a vida. Mas hoje quero me ater à questão dos olhos.

Como o prematuro é um bebê que nasce antes do tempo, e portanto antes de ter todos os órgãos formados, é preciso considerar a formação incompleta dos olhos. Por isso, durante o tempo em que permaneceu na UTI o Pedro realizou o exame de Fundo de Olho a cada 15 dias. É um exame bastante aflitivo para quem vê, mas extremamente necessário para identificar precocemente uma doença chamada Retinopatia da Prematuridade que pode deixar o bebê cego. (Veja aqui um ótimo material da Fiocruz sobre as várias questões do prematuro. A parte sobre retinopatia está na página 111).

Trata-se de uma doença diretamente relacionada ao crescimento incorreto dos vasos sanguíneos que alimentam a retina (responsável pela formação de imagens/ transforma estímulo luminoso em nervoso). Em alguns casos mais graves, além do crescimento incorreto dos vasos, podem ocorrer sangramentos e descolamento da retina ocasionando a perda parcial ou completa da visão. Por isso, o acompanhamento com um oftalmologista, de preferência especialista em prematuros, deve ser contínuo até a formação completa dos nervos. No link acima tem um dado que diz “Estima-se que das 100.000 crianças cegas na América Latina, 24.000 são cegas em decorrência da Retinopatia da Prematuridade”.

Os bebês que acompanhei durante o tempo de UTI não tiveram nenhum problema. Bastou tempo para que os nervos pudessem terminar de se formar. Mas, me lembro de um único caso em que o diagnóstico precoce garantiu que o bebezinho não perdesse a visão. Os pais puderam optar pelo tratamento (fotocoagulação a laser ou crioterapia) e paralisaram o avanço da doença. Talvez um dia ele precise de óculos o que não é nada demais para quem poderia perder a visão, certo?

Aos seis meses, e já em casa conosco, o Pedro recebeu alta do oftalmo. Graças a Deus a retina dele, e os nervos ópticos, se formaram perfeitamente e o fantasma da Retinopatia da Prematuridade foi embora nos deixando bastante aliviados. Entretanto, na última consulta o médico pediu retorno quando o Pedro completasse 1 ano para refazer a medição de grau que acusou hipermetropia. Segundo o médico, isso é comum entre as crianças e pode ser revertido com o crescimento natural dos olhos. Prematuros também tem tendência a ter outros problemas como estrabismo e diferença de grau entre um olho e outro.

Mas, os cuidados devem ser com todas as crianças. É bom levar os pequenos ao oftalmologista com certa regularidade. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) 19 milhões de crianças são deficientes visuais. Dessas, 12 milhões possuem deficiência relacionada a erros refrativos que podem ser diagnosticados e corrigidos. Mas, como no Brasil não temos a cultura de levá-los ao oftalmologista como fazemos com o pediatra, por exemplo, o problema só costuma ser descoberto na escola.

O exame para recém-nascidos mais conhecido, e difundido pelas campanhas federais, ainda é o Teste do Pezinho que é importantíssimo mas também pode ser enquadrado no que eu chamo de “desigualdade de oportunidades médicas”. Esse nome eu inventei depois de perceber (eu já tinha percebi isso há muito tempo na verdade) que no Brasil existe um apartheid na saúde que nos divide em duas classes: ‘aqueles que tem acesso a saúde (SUS)’  e os que tem ‘acesso a saúde de verdade’. Me explico.

No Brasil os programas de triagem e tratamento são muito heterogêneos dependendo da região do país, estado e até cidade em que você vive. E se você tem dinheiro para pagar convênio e médico particular as coisas mudam ainda mais. Quando tive o Pedro pude escolher se queria o Teste do Pezinho simples (gratuito a todos), um intermediário ou o super. Óbvio a lista de doenças metabólicas investigadas aumentava de acordo com o preço que você queria/poderia pagar. Me digam se isso não é um crime contra as mães e crianças que não podem pagar pelo serviço? No site da própria Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia está escrito:

“O teste é obrigatório por lei e sua coleta é garantida e está disponível em todos os municípios brasileiros, sendo gratuito no Sistema Único de Saúde. Em todo o Brasil, é feita pelo menos a triagem do hipotireoidismo congênito e da fenilcetonúriaUma parte dos estados faz também a pesquisa de hemoglobinopatias (como a anemia falciforme) e alguns realizam também a pesquisa da fibrose cística. É possível triar cerca de 40 doenças com o Teste do Pezinho, mas geralmente os exames mais completos são realizados em laboratórios privados

Ou seja…se seu filho nascer no Norte ele tem acesso a uma coisa, no Nordeste a outra, no Sudeste outra. Aliás, fiquei chocada também quando descobri que as vacinas que dão nos postos de saúde são diferentes das de clínicas particulares. E não é apenas o fator de dar ou não reação. As vacinas são diferentes no espectro do que imunizam.

Também pude escolher entre o tipo de Exame do Olhinho. As opções seguiam os mesmo moldes do Teste do Pezinho. Quanto mais $, mais minucioso era o exame.

 Juro não ter nenhum laço afetivo/familiar com ninguém da área da oftalmologia. Kkkkkk Esse post foi escrito por livre e espontânea vontade de avisar pais e mães sobre a importância da saúde visual!!

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Sobre preconceito, maternidade e idade

O primeiro post do blog foi, de certa forma, sobre preconceito. Falei sobre o que vivenciei quando me descobri grávida e ainda não era casada. Mas, sabe quanto mais eu vivo mais percebo que somos TODOS cheios de preconceitos. Uns mais, outros menos. Porém, sempre temos algum (ou alguns).

Você pode pensar que não tem e bater no peito se dizendo o ser mais democrático, moderninho, pró-cadaumvivecomoquer! Mas, vamos falar sério agora. Não dá para ser totalmente sem preconceito. Uma hora ou outra a gente faz um julgamento seja sobre a roupa, o gosto musical, as atitudes pessoais/profissionais, modo de se portar… Julgamos e temos opinião. Às vezes a gente não verbaliza, mas o preconceito tá ali.

Bem, tudo isso para contar sobre uma reflexão minha durante o período em que permaneci no hospital com o Pedro na UTI (papo para muitos outros posts). Quem me conhece sabe da minha cara de menina. Eu não aparento ter meus 26 anos. Adivinhem qual foi a pergunta que mais respondi durante a internação do Pedro? Sim, foi: “quantos anos você tem?”.

Uma, duas, três…um monte de gente! No começo respondia meio envergonhada. Depois já sabia o que vinha após a interjeição “desculpa a curiosidade…” e já respondia antes do final da pergunta. Com o tempo aquilo foi me enchendo um pouco.

Comentava com o meu marido que quando andávamos pelos corredores as pessoas cochichavam “olha lá a mãe adolescente e o cara que engravidou a menina” “coitada, tão novinha”. No fim, a gente ria disso.

Até que um dia, dos 90 e tantos, eu fiquei olhando todas aquelas mães na UTI. Tinha mãe de tudo quanto é jeito, altura, tamanho, cor, classe social e …idade. Além de mim, novinha, tinham mães de mais de 40 anos.

Tinha uma igual a minha mãe…não fisicamente, mas no jeito de falar, vestir etc. Lembro até hoje: mãe de gêmeas,  marido mais jovem, método de fertilização in-vitro. Ficava pensando em como era pra ela estar ali. Como tinha sido a gravidez: de risco ou tranqüila? E a família? E os amigos? E por que esperaram tanto?

Então, me toquei. Enquanto eu me irritava por me acharem nova demais para ter filho, lá estava eu fazendo um juízo de valor. Me enchendo de pensamentos e suposições. Afinal…

Se somos jovens é porque somos jovens demais para ter filho.

Se temos mais de 35 anos, somos velhas para ter filho.

Se somos solteiras, coitadinhas!

Se somos casadas e o pai não vê o parto, que pai insensível.

Prenconceito: estamos fazendo isso errado!

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A rotina do hospital e as amigas que ganhei

Pedro, já contei aqui que a maioria das coisas que planejei para a sua vinda não deu certo. Ainda é um pouco dolorido administrar tudo isso porque a mamãe tem a mania de criar expectativas e se alimenta de sentimentos intensos. Eu ainda preciso me conscientizar que realidade não é novela. Mas, teimo em viver de forma a criar momentos especiais porque a vida por si não é leve filho.

Foi tudo muito rápido entre o dia em que passei mal, me internei e você nasceu. De um dia para o outro mais precisamente. Dor fortíssima do lado direito da barriga. Calafrios que me faziam tremer inteira. Consulta com a obstetra. Ida para o hospital. Internação. Soro com remédio para inibir as contrações. Vários exames de imagem (até uma ressonância magnética). Noite. Durmo. Dia. Levanto para fazer xixi. Bolsa estoura. Passam-se cinco horas. Centro cirúrgico. Você nasce!

No meio da correria, o seu choro. Meu choro. Início do nosso aprendizado. Foram 90 e poucos dias de internação e não houve um só dia em que não estive ao seu lado (mentira teve um. Quando eu e o papai estávamos preparando o apartamento para você! rs). Eram jornadas de 12 horas normalmente, tirava leite a cada 3 horas, esperava para fazer o Método Canguru com você, conversava com os médicos, olhava seu prontuário, acompanhava cada passagem plantão, fazia carinho, esperava por boas notícias. Tive muito medo das intercorrências. Chorei de cansaço e de saudade.

Mas, não tiveram só coisas ruins nesse tempo filho. Conheci pessoas muito legais e casos emocionantes de luta e superação. Com humor (sim, ainda sobrou algo dele no nosso íntimo) criamos uma relação interessante entre mães e a apelidamos de “Rádio Leite”. Os encontros rápidos na sala de ordenha (é isso mesmo. Igual a da vaca. A finalidade também) eram aproveitados para desabafar, para trocar informações, para vibrar com as conquistas dos bebês.

Incrível como nessa relação não havia julgamentos. Sério, filho, acho que foi a única vez na vida que presenciei o altruísmo. Uma amparava a outra, confortava, dava dicas, transmitia força e não questionava a fragilidade. Porque lá entendia-se que há dias bons e dias ruins. ESTÁVAMOS frágeis, não SOMOS fracas. Entende a diferença?

A elas minha eterna gratidão. Carla e Leo; Pilar, Valetina e Manuela; Maiza e Valentina; Gercilene, Bruno e Caio; Sheila, Thales e Laura; Angélica, José e Antonio; Michelle e Melissa; Loraine, Mariana e Julia; Andréia e Alan; Fernanda e Miguel; Ana Paula e João Vitor; Elisabete, Marina, Laura e Estela; Adriana e Maria; Daniela e Beatriz; Vanessa e Rafael; Bruna e Julia.