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Sobre não estar preparada para colocá-lo no quarto dele

Há uns meses eu venho pensando que já é tempo de colocar o Pedro, e seu berço, no quarto dele. Ensaiei comprar uma babá eletrônica para ficar mais segura, mas ainda não consegui fazer a mudança. Comecei a listar mentalmente os motivos do por que não. Alguns são até razoáveis como o medo dele engasgar, o rolar que ainda não acontece toda vez que ele tenta, a mania dele de gostar de dormir com a coberta sobre o rosto…

Na realidade ele já aprendeu a rolar sozinho, porém não consegue fazer isso sempre que quer. Então fico naquela dele não conseguir se virar (nos dois sentidos da palavra). Estando ali no meu quarto fico atenta a qualquer barulhinho, respiração diferente. Sento na cama e já consigo ver se está descoberto ou se o cobertor cobriu o rostinho. Prático. Seguro. Ou justificativas para mim mesma?!

Eu acho que são as duas coisas. De tempo em tempo alguém me pergunta quando vou colocá-lo no quarto dele. Antes eu ficava com um pouco de vergonha, buscava alguma maneira de explicar. Mas, agora assumi a verdade de que ainda não estou pronta. Talvez seja um pouco de trauma ainda dos tempos de UTI. Talvez seja o cordão umbilical que ainda não cortei. Talvez seja a forma de ficar mais tempo junto durante uma semana tão corrida.

E a reflexão segue…oh, Lord! Essa coisa de ser mãe é beemmmm mais complexa. Na próxima vida quero ser pai. Mentira! rsrsrsrs

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Fofurice do dia

Hoje a mamãe aqui deixou o Pedro no tapete de atividades enquanto tomava café da manhã com o papai. Da mesa de jantar conseguimos vê-lo no quarto e assim podemos comer com tranquilidade ao mesmo tempo em que conseguimos vigiá-lo! Terminamos o café e eu fui guardar as coisas na geladeira. Na volta olhei para o quarto e…..CADÊ O PEDRO? Gente não vi o menino. Corri até o quarto e lá estava o Pedro: fora do tapete, perto da parede e mexendo num brinquedo com os pézinhos. Posso com isso? Isso que ele ainda não engatinha. Pensa só no que está por vir.

Oin….filho minhoca do meu coração! rs

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Simpatia

Pedro, levantamos bem cedo nesta segunda-feira nublada, fria e molhada. Eu e o papai te levamos na neuropediatra. Nome complicado né? É uma médica que entende da cabeça da gente, do funcionamento dela.

No caminho até o consultório você foi distribuindo sorrisos aos que passavam e recebendo elogios de volta. Me impressiono em ver como você é simpático com todos e como todos te devolvem carinho. Mais uma vez se impressionaram com o fato de ter nascido com 25 semanas de gestação. “Nossa, só 25? Que pequenininho”; “Que apressado”.

Na sala de espera mais olhares para você e mais sorrisinhos. Chegada a nossa vez entro com você no colo, respondo algumas perguntas e te coloco na maca para a médica examinar. Tiram a sua roupinha (ai que dó tá friiiioo) e fazem testes nas suas perninhas, joelhos e pés.

A médica fala comigo sobre a sua espasticidade de membros inferiores, mas eu só consigo prestar atenção na sua cara de sapeca, no quanto você está agitado e balbuciando animadamente enquanto olha tudo ao seu redor. Você se mexe tanto que a médica precisa te aparar toda hora para que você não role da maca.

Entram algumas residentes (estudantes) e todas fazem aquele coro “Aiii que ‘bunitiiinho’”. Uma comentou da sua bochecha. Outra falou da sua esperteza. E uma delas falou “Como ele é simpático”. Todas ficaram olhando a médica terminar de te examinar e sorrindo pra você. Olhei pro seu pai e ele estava com uma cara de risinho também. Acho que estava pensando em como você está sapeca e como já faz sucesso com a mulherada! rs

Você sorri bastante. De manhã então…você é o Miss Simpatia. Você não acorda chorando. Quando te pego no berço você abre um sorrisão banguela e agita as perninhas e bracinhos. Tipo “Bom dia mamãe! Me pega daqui que eu quero começar meu dia”.

Sua alegria contagia, filho. E hoje você parecia um pontinho brilhante no meio daquela gente toda. Era eu passar com você que todo mundo mexia, comentava. Fiquei toda babona vendo como você se tornou um bebê feliz apesar do que passou na UTI. Seu sorriso alegra meu dia, sabia?! Até essa segundona nublada e fria.

Tem coisa mais valiosa que saúde e alegria de filho? Eu desconheço.