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Quanto tempo leva até ele fazer 18 anos mesmo?!

Eu não sei vocês, mas eu tenho me admiro com a rapidez do tempo.

Deixando de lado a ‘filosofia barata’ , da qual eu sou praticante, andei revendo umas fotos e vídeos do Pedro da época do hospital e também de quando eu ainda estava de licença maternidade.  Ai gente…quanto amor em imagens!! Fiquei surpresa em ver que eu já tive um filho recém nascido todo molinho e com aquele cheirinho inconfundível de bebê, que fazia caretas e barulhinhos de neném novinho. Oiiinnnn!!!

O Pedro tem um ano e meio e eu já sinto falta dele bebê. Imagina na Copa kkkkkk…Brincadeiras a parte: é só comigo ou outras mães/tias/avós também sofrem dessa nostalgia precoce? Porque gente, do jeito que vai mês que vem ele deve pedir a chave do carro para o pai! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Fato é que eu me surpreendi com as fotos e vídeos dele no hospital e de como ele era pequeno e frágil e hoje é um menino serelepe e curioso. Arrumando as coisinhas dele que guardo como lembrança encontrei as roupinhas de prematuro. Olhei, e mesmo tendo vivido tudo aquilo, me peguei pensando “ele usava essas roupinhas e algumas ainda ficavam folgadas”.

Aqui no blog eu já escrevi (aqui) sobre as medidas do Pedro ao nascer, de como ele é o meu milagre, a maior e mais linda prova do amor de Deus por mim. Mas, como achei as roupinhas queria mostrar para vocês que não puderam conhecê-lo quando ele ainda era bem ‘pitico’ por conta da restrição às visitas.

Olhem só essas coisinhas…Ah, eu coloquei alguns objetos próximo das roupas para vocês conseguirem ter uma ideia de tamanho. Detalhes nas legendas.

 

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Esse foi o primeiro body dele. Detalhe: um pouquinho maior que a capinha de um DVD.

 

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Essa foi a primeira roupinha que ele vestiu na vida. Uns três dedos maior que um espetinho de churrasco!

 

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Olha aqui a prova de que a roupa micro ficava grande! Punhos dobrados para as mãozinhas aparecerem. Fotografei para registrar a primeira vez que ele vestiu roupa na vida. Ele já tinha mais de dois meses de nascido.

 

Meinhas! Acredita que ficava largo?! As enfermeiras diminuíam a largura das meias com esparadrapo para as elas não ficarem escapando toda hora.

Meinhas! Acredita que ficavam largas?! As enfermeiras diminuíam a largura das meias com esparadrapo para elas não ficarem escapando toda hora.

 

E por fim uma nossa <3

❤ E por fim uma nossa ❤

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Mãe da minha mãe, minha avó, a bisavó do Pedro

Nós três na minha formatura da faculdade

Nós três na minha formatura da faculdade

Faz uma semana que ela se foi: a mãe da minha mãe, minha avó, a bisavó do Pedro. Ela tinha Alzheimer, sofria com a doença já há alguns anos desde quando o grande amor da vida dela também partiu assim de repente numa manhã de janeiro.

A morte é sempre a morte. Dói embora saibamos que um dia ela vem e que devemos estar preparados. Pasmos diante da única certeza da vida, ficamos perdidos em pensamentos ora de tristeza e lamentação, ora de saudade e conformidade.

Dona Adelina deitou no sofá e não acordou mais. Quase dei uma risadinha de contentamento quando minha irmã me lembrou que, nos últimos anos, era exatamente o sofá o seu lugar predileto para deitar-se. Sarcasmo, ironia, bullying da vida morrer deitado no lugar que mais gosta?! Rá.

Vovó morreu sem sofrimento. Deitou e não acordou mais. Me conforta saber que não houve dezenas de indas e vindas de hospital. Não houve agulhas, imobilização, entubação, traqueostomia, gastrostomia, fraldas geriátricas, nem equipe médica dizendo à família que não havia mais nada a ser feito. Enfermeira por mais de 30 anos no Hospital Emílio Ribas tinha conhecimento para dizer a mim algumas vezes que nunca queria ser internada.

Aliás, a profissão é um capítulo a parte na vida da minha avó. Quando criança ela levava e buscava roupa para minha bisavó lavar e passar. Depois já mais velha trabalhou de empregada doméstica, atividade que lhe ajudou a construir (com as próprias mãos) a casa que tanto amava. Mas, o orgulho dela era dizer que trabalhou no Emílio Ribas por mais de 30 anos e que cuidou de muita gente naquelas epidemias de difteria…tinha também os soropositivos para HIV, os tuberculosos, os doentes sem diagnóstico fechado. Na parede da sala de TV dela tinha um quadrinho de agradecimento do hospital por tantos anos de serviço. Se alguém novo ía a casa dela, ela levava para mostrar o certificado.

Há uma década ela convivia com o Alzheimer. Usei convivia porque acho que seja realmente isso. Não há cura. É uma doença degenerativa que vai apagando aos poucos as memórias, a capacidade motora, a dignidade do indivíduo e a saúde da família a qual assiste a perda em vida de um dos seus.

Vimos vovó perder a vaidade essa que era uma das marcas da sua personalidade forte. Aquela mulher que adorava sapatos de salto alto, batom vermelho, perfume e vestidos se esqueceu também disso. Quando eu era menina ela sempre comentava, aprovando ou reprovando, a minha roupa quando eu chegava em sua casa. Com amor, ela me dizia “Você está tão linda, filha. Mas, essa cor é muito escura para você. Você tem que usar cores mais alegres”.

Muitas pessoas conhecem o Alzheimer pela falta de memória e/ou a repetição de frases. Vovó fazia as duas coisas. Mas tinha uma coisa boa quando ela repetia, repetia e repetia que faria uma pastelada para mim. Sabe qual é? Sinal de que essa doença horrível não conseguiu apagar da memória dela as nossas tardes em família onde filhos, tios e primos se reuniam para comer seus pastéis (massa feita por ela) de carne moída e queijo mussarela (sim, eu sei que a grafia correta não é essa, mas não consigo escrever muçarela rsrsrs)

Aliás, vovó cozinhava bem. Comida simples, caseira, cheirosa. Bife – pernil – feijoada – bacalhau – nhoque – fritada de batata – abobrinha refogada – doce de laranja, abóbora, pera – pães  – arroz doce – bolinho de chuva – bolo de fubá…huummm! Sabores que eu nunca vou esquecer. Nem isso, nem dela.

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Querida vó,

Eu vou sentir sua falta. Mas, por saber que está num lugar muito melhor do que aqui, onde não há dor ou restrição qualquer, eu me sinto bem. Acredito também que o Sr. José veio te buscar e agora, enfim, vocês podem ficar juntos de novo, passear de mãos dadas como gostavam e dançar ao som de muitos boleros.

Não se preocupe com a minha mãe, a sua Bel. Eu e minha irmã vamos cuidar dela sempre. Ela sente sua falta vó e às vezes acho que a ficha está caindo aos poucos. Contudo, fique em paz porque estamos aqui para ampará-la.

A moça que cuidava de você contou que você beijava a minha foto no porta-retrato  todos os dias. Fiquei tão emocionada com isso. Obrigada por todo amor e pelos natais da minha infância. Obrigada por ter sido boa comigo. Sou cheia de boas memórias nossas.

Até um dia.

Com amor,

Bilu. (apelido que me deu ainda criança)