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Sobre tabefe gratuito e perigos que a gente nem imagina

dente_de_leao

No fim de semana fomos ao mercado comprar algumas coisas que tinham acabado em casa. Era fim de tarde e eu já estava próximo a porta de saída quando um menino, de uns7/8 anos, se aproximou e PAF!…deu um tabefe na cabeça do Pedro que estava sentadinho naquelas cadeirinhas do carrinho de compras, sabe?! Assim…do nada.

Eu fiquei meio paralisada sem entender o que estava acontecendo. Pedro começou a chorar (tadinho, deve ter doído!) e eu empurrei o carrinho para o lado de fora. Peguei o Pedro no colo e vi o menino se aproximando de novo de nós já com o braço levantado para bater de novo.

Segurei/afastei o menino esticando o meu braço para ele não conseguir chegar perto. Fiquei preocupada dele continuar nos cercando, tentar bater no Pedro novamente e tentei nesses segundos pensar no que faria caso ele tentasse. Olhava em volta procurando os pais, os responsáveis dessa criança, mas não vi ninguém. O local estava cheio de gente, aquela muvuca de entra e sai de porta de shopping.

Por sorte meu marido estava próximo e afastou o menino também procurando quem estava, ou deveria estar, cuidando daquela criança. Foi tudo muito rápido, menos de 10 segundos. Eu fiquei angustiada e pensativa depois disso: pelo tapa, pela vulnerabilidade nossa e da criança que estava sozinha, pelos perigos que a gente nem imagina.

Essa situação toda me fez lembrar daqueles casos em que as pessoas foram agredidas na rua, do nada…Lembram daquele cozinheiro que foi esfaqueado num ponto de ônibus da Avenida Paulista, e daquele moço que levou um tacada de beisebol na Livraria Cultura?

Nós não estamos preparados para situações que fogem do comum. Quase sempre estamos desatentos principalmente em lugares que frequentamos rotineiramente. Bem…valeu a experiência para reforçar o conselho de que todo cuidado é pouco e de que a atenção deve ser constante.

 

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Boletim médico e devaneios de mãe na padoca

Hoje fomos ao oftalmologista. Pedro ainda tem um pouco de hipermetropia mas, segundo o médico, é normal para a idade dele. Graças a Deus estamos, de fato, livres da Retinopatia da Prematuridade. O Fundo de Olho está limpo e retorno só daqui um ano. Êêêêê!!!

Durante a consulta fiquei observado o Pedro no colo do pai enquanto o médico o examinava e me lembrei de algumas coisas. Como cresceu esse menino! Da última vez que estivemos no consultório ele tinha seis meses e fez o exame de fundo do olho deitado na mesa do oftalmo. Hoje ele estava todo serelepe querendo só ficar de pé no colo do pai e reclamou um monte quando o médico pingou colírio nos olhinhos.

Meu coração de mãe sorriu feliz da vida ao ouvir “Está tudo bem. Retorno só daqui um ano”. Adeus, risco para baixa visão! O Pedro venceu você! Rá!

Daí começamos a segunda parte da manhã com um gostoso café da manhã na padoca. E eu fiquei ainda mais feliz porque eu adoro tomar café da manhã em padaria com todas aquelas coisas gostosas ao alcance dos olhos, nariz, mãos e boca! Misto quente com suco de abacaxi e dois mini pãezinhos doces cobertos com chocolate derretido e raspinhas. Nhaaaammmm. #2quilosamais

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Enquanto eu terminava meu delicioso misto, o marido e o F* foram ao banheiro. Eu olhei para o lado e vi o Pedro brincando de pegar os pés e puxar as meias. Uma cena simples e realmente capaz de enternecer o coração desta mãe.

Pedro brincava feliz e alheio ao mundo ao seu redor. Esse mundo que tanto tem de bom e de ruim . O que mais me chamou atenção na cena foi a fragilidade, a vulnerabilidade dele. O bebê conforto estava de costas pra mim de modo que ele não podia me ver. O pai e o irmão levantaram, saíram de sua visão e mesmo assim ele permaneceu sereno brincando com suas meias.

O imaginei ali sozinho. Poderia me levantar e sair sem ninguém perceber porque o balcão era alto demais.

Pensei que aquela cena deve ser semelhante a última que muitas mães veem quando abandonam seus filhos . Ou quando os perdem quando são levados por algum monstro. Imaginei um bebê (qualquer criança) sendo deixada para trás e o meu coração se partiu em mil pedaços porque eu sei que isso acontece diariamente.

O abandono é algo que me fere grandemente. Uma criança (um adulto, um idoso, um deficiente, um animal, todos nós) que é deixado para trás fica com uma ferida que não cicatriza. O abandono é ausência, é solidão, é saber que não se é querido…bem-vindo.

Fiquei parada olhando o Pedro com o misto quente já frio na mão. Me lembrei das matérias recentes que li sobre abandono, omissão,  abuso, violência contra crianças, das centenas de abrigos onde moram crianças com histórias que chegam a embrulhar o estômago de tanta crueldade. Isso não é tolerável!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

É preciso cuidado com os pequenos. E a responsabilidade é de todos nós: mães, pais, tios (as), primos (as), amigos (as). Porque ser conivente é tão pior quanto quem pratica o ato de violência.

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Éééééé…eu sei. Tô sumida! Mil desculpas. De vez enquando  sou abatida pela onda cansaço+trabalho+afazeres domésticos+rotinas e acabo ficando sem pique para escrever. Não me abandonem, queridos leitores!!! rsrsrsrsrs