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Bicicleta, filet mignon e paquera no mercado

Olha esse céu!

Olha esse céu!

Neste final de semana nós andamos de bicicleta, Pedro. Você adorou e a sua estreia no mundo das bikes foi acompanhada pelo papai, irmão e por mim. Eu imaginei que você ficaria quietinho sentado no meu colo (era um triciclo), mas que nada: quis ficar de pé segurando no ferrinho da frente e quando ultrapassávamos alguém você acompanhava com a cabeça e sorria para quem ficava para trás. Um lindo e simpático mini ciclista!

Foi bom sentir o sol e o ventinho no rosto não foi? O dia estava lindíssimo e quente. Céu azul com poucas nuvens bem branquinhas que atraíram muitas pessoas para o parque. Enquanto andávamos até o local onde alugamos as bikes você olhava para todas as direções e depois para mim e seu pai com o maior sorriso no rosto como se dissesse “vocês viram que legal?”.  Também ouvimos vários gritinhos e risadinhas. Você se divertiu tanto, filho.

Depois ainda passamos no shopping para jantar e eu, que achava que você ficaria irritado por já ter passado do seu horário de jantar e por estar suado, me surpreendi com você mais uma vez. Resmungou um pouquinho só até a comida chegar. Depois comeu comigo pedacinhos de filet mignon, arroz e polenta frita! Nhammmm….!

Passamos rapidinho no mercado só para pegar algumas coisas que estavam faltando e na fila do caixa você se encantou com uma menininha. Ela estava séria, mas você olhava para ela e sorria mostrando os seus 4 dentes. Ela permaneceu séria, embora não tenha desviado o olhar desde que te viu.  Você? Você continuou sorrindo e começou a balbuciar e bater com as mãozinhas no carrinho.

E eu pensei: “Mulheres!”. Kkkkkkkkkk

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Filhos com limitações

Nenhuma mãe quer ter filho com limitação. Mas acontece. A frase ficou um pouco seca e aparentemente carregada de revolta, mas não é bem isso. É apenas a realidade. Simples. Direta.

Estamos investigando se o Pedro tem de fato alguma lesão que atrase seu desenvolvimento mais do que o normal, mais do que esperado para um prematuro extremo como ele foi. Mas, o buraco é mais embaixo. Estamos investigando se o Pedro teve alguma lesão cerebral que o impeça de desenvolver normalmente funções básicas como sentar sem apoio e futuramente caminhar. A parte motora é mais visível e por isso indica mais facilmente que algo está fora do compasso. Ao que tudo indica a cognição está preservada.

Temos feito acompanhamento com uma neuropediatra, estamos fazendo exames, mas já disse aqui que a medicina não é tudo. Existe um Deus na minha vida que não me abandonou e sabendo do meu sonho me deu um filho perfeito. E que depois quando todos achavam que o Pedro não sobreviveria me mostrou o verdadeiro milagre da vida. E como se não bastasse me deu um filho saudável, esperto, sorridente! Então, calma.

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Você é o meu filho amado que saiu de mim antes da hora e eu sou a sua mãe que pediu incessantemente a Deus que me deixasse ter o privilégio de viver com você. Sim, porque é um privilégio poder conviver com você, ver seu sorriso, ver seus aprendizados, ver sua carinha de descobridor de um novo mundo! Não houve um dia, Amor, que eu não tenha agradecido a Deus pela sua vida.

Nós temos um entendimento somente com o olhar e que as palavras não podem dizer. Eu te olho, você me olha e ali nós somos um elo inquebrável.Imagem

Apesar de ouvir tudo aquilo da médica e sentir, e pensar, em muitas coisas me mantive forte. Acho que ainda estava processando tudo. Até que seu pai olhou para o banco de trás onde eu estava com você e mirou bem nos meus olhos. Olhou lá dentro e fez uma cara, também inexplicável em palavras, mas dizendo algo do tipo “Eu sei meu Bem”. Senti as lágrimas chegando e aquele nó na garganta começou a se desatar até sair como um gemido de desabafo. Chorei.

Chorei só ‘um pouco’, filho, porque chegamos ao laboratório e eu precisava parecer inteira e sã para fazermos seus exames. E você mais uma vez conseguiu mudar o meu dia. Contrariando todos os pensamentos gerados com as frases médicas você quase não me deixou terminar de fazer o cadastro dos exames de tão esperto que estava. Pegava tudo a sua volta: meu cabelo, minha blusa, seu pé, os papéis em cima do balcão, alça da sua bolsa. A atendente deve ter pensado que eu sou muito estabanada porque eu mal conseguia te segurar e guardar os papéis/documentos/seu cobertor.

Sabe…quando eu te abraço forte me sinto melhor. Eu não sei se é porque sinto que posso te proteger do mal, tirar todo sofrimento, ou se é porque na verdade é você que me transmite toda a sua alegria inata. Sempre ouço das pessoas o quanto você é risonho, que você é um bebê feliz, que é muito esperto. E filho, não há nada que alguém possa me dizer que seja melhor do que essas três coisas. Nada.

Pedro, você é o melhor filho que eu poderia ter. Você é o meu “Titi”, meu fofinho, meu bebê.

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Fofice do dia

Hoje pela manhã a caminho da médica você começou a ficar com sono só que eu não tinha podia te tirar da cadeirinha para ninar. Sei que gosta de um paninho encostado no rosto para dormir, mas também não era possível no momento. Me lembrei de uma cena da noite anterior em que você estava no meu colo resmungando pra dormir quando seu pai colocou a mão dele no seu rosto, meio te amparando e acarinhando, para te acalmar. Então, apoiei a minha mão na sua bochecha esquerda e você foi amolecendo, deixando a cabecinha cair e…dormiu. Tão sereno. Tão seguro. E eu pensei mais uma vez “que privilégio fazer isso por você”.

 

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Simpatia

Pedro, levantamos bem cedo nesta segunda-feira nublada, fria e molhada. Eu e o papai te levamos na neuropediatra. Nome complicado né? É uma médica que entende da cabeça da gente, do funcionamento dela.

No caminho até o consultório você foi distribuindo sorrisos aos que passavam e recebendo elogios de volta. Me impressiono em ver como você é simpático com todos e como todos te devolvem carinho. Mais uma vez se impressionaram com o fato de ter nascido com 25 semanas de gestação. “Nossa, só 25? Que pequenininho”; “Que apressado”.

Na sala de espera mais olhares para você e mais sorrisinhos. Chegada a nossa vez entro com você no colo, respondo algumas perguntas e te coloco na maca para a médica examinar. Tiram a sua roupinha (ai que dó tá friiiioo) e fazem testes nas suas perninhas, joelhos e pés.

A médica fala comigo sobre a sua espasticidade de membros inferiores, mas eu só consigo prestar atenção na sua cara de sapeca, no quanto você está agitado e balbuciando animadamente enquanto olha tudo ao seu redor. Você se mexe tanto que a médica precisa te aparar toda hora para que você não role da maca.

Entram algumas residentes (estudantes) e todas fazem aquele coro “Aiii que ‘bunitiiinho’”. Uma comentou da sua bochecha. Outra falou da sua esperteza. E uma delas falou “Como ele é simpático”. Todas ficaram olhando a médica terminar de te examinar e sorrindo pra você. Olhei pro seu pai e ele estava com uma cara de risinho também. Acho que estava pensando em como você está sapeca e como já faz sucesso com a mulherada! rs

Você sorri bastante. De manhã então…você é o Miss Simpatia. Você não acorda chorando. Quando te pego no berço você abre um sorrisão banguela e agita as perninhas e bracinhos. Tipo “Bom dia mamãe! Me pega daqui que eu quero começar meu dia”.

Sua alegria contagia, filho. E hoje você parecia um pontinho brilhante no meio daquela gente toda. Era eu passar com você que todo mundo mexia, comentava. Fiquei toda babona vendo como você se tornou um bebê feliz apesar do que passou na UTI. Seu sorriso alegra meu dia, sabia?! Até essa segundona nublada e fria.

Tem coisa mais valiosa que saúde e alegria de filho? Eu desconheço.