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Eu esqueci…ai meu coração!

Filho, hoje a mamãe saiu correndo e…eu esqueci de te dar tchau! Desculpe. Isso nunca tinha acontecido. Papai me ajudou a calçar os sapatos, abri a porta da sala, apertei o botão do elevador e ele não estava funcionando. Passei correndo pela sala, pedi para o papai fechar a porta e fui para os fundos ver se o elevador de serviços estava funcionando. Joguei beijo e desci. Andei apressada até o ponto de ônibus. E já dentro do coletivo me lembrei “Não dei tchau pro Pedro. Aiiii….como assim?”.

Deu uma dorzinha no coração, filho. Fiquei chateada mesmo por não ter te dado o beijo rotineiro, dito pra Deus te abençoar e para você obedecer a vovó. Hunf. Enfim, terei que passar por essa hoje.

Daí me veio a memória a cena que há pouco tinha visto: você no colo do seu pai enquanto eu terminava de lavar a louça. Ao me ver abriu o sorriso. Aquele mais lindo que você tem. Aquele sem dente nenhum. Aquele acompanhado de uma franzidinha de nariz! Aquele que alegra os meus dias mais desanimados. Aquele que me derrete por inteiro. Aquele que parece uma conversa entre mãe e filho. Tão lindo.

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 Tilt de mãe

Costumo deixar o Pedro no tapete de atividades enquanto arrumo alguma coisa na casa durante a manhã. Daí hoje fui lavar a louça e quando passei pela sala dei aquela olhada de relance para o quarto só para dar uma conferidinha e… “Ué cadê o Pedro?”.

 TILT na cabeça da mãe

 “Ah, tá no berço. Coloquei ele lá. Tá brincando com o móbile.”

 Ufa. Por que né, gente…aonde teria ido parar a criança? kkkkkkkkkkkkkkk

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Avô tem chapeuzinho, vovó tem grampinho (aviso: texto longo como a vida deles kkkk)

Mais alguém aprendeu essa dica quando estava sendo alfabetizado? De que o acento circunflexo era o chapéu do vovô e o acento agudo era o grampinho do cabelo da vovó?! Regras de acentuação a parte a dica é no mínimo fofa e funciona bem, não? Eu pelo menos nunca mais esqueci. Mas, o que eu também nunca mais esqueci foi dos meus avós. Na verdade eu só conheci a minha avó materna e meu avô paterno. Um de cada lado. Justo.

O engraçado de quando a gente não conhece alguém, mas gostaria de ter tido a oportunidade, é que criamos várias fantasias sobre ela. Eu gostaria muito de ter conhecido minha batchan (avó em japonês) que, segundo contam, era uma mulher muito bonita, inteligente e a frente de seu tempo. Mas, sempre fiquei pensando se ela gostaria de mim já que era uma japonesa super tradicional e não gostava muito da ideia do meu pai querer se casar com a minha mãe por ela ser gaijin (estrangeira). Será que ela gostaria de mim: filha de japonês com gaijin? Eu seria também uma gaijin. A mestiça. Brasileira. Olhos puxados com pele morena.

Meu pai me contou certa vez que quando foi apresentar a minha mãe para a família durante um jantar minha batchan teria dito à mesa na frente de todos: “Mas, ela é gaijin”. Senti raivinha quando soube disso porque não deixa de ser uma forma arcaica de preconceito. E outra, meu ditchan (avô em japonês) ao contrário dela não ligava para isso e repetiu até seus últimos dias para mim e para outros “Mamãe bom. Muito bom” se referindo a minha mãe. E advinha? Todos os filhos se casaram com brasileiros. Os três: meu pai, minha tia e meu tio. Então né…uma família de gaijins! Toma essa preconceito! Kkkkkkkk

Meu ditchan é outro enigmático para mim. Sei pouco, convivi pouco. Mas, as memórias que tenho são sempre interessantes. Ele era tão inteligente, embora fosse apenas um marceneiro. Aliás, será que eu posso dizer ‘apenas’. Ele construía violão! E tem mais: ele construiu um banquinho que não tombava para mim e para minha irmã alcançarmos a pia para escovar os dentes quando éramos dois toquinhos. Foi ele também que fez os portões para as escadas que nos impediam de nos esborrachar escada abaixo. Ele ía de bicicleta trabalhar na Barra Funda, desenhava, tinha uma biblioteca enorme na casa dele, cultivava orquídeas, tinha um laguinho com peixes e tartarugas. Que homem…

E a vó Adelina hein?! Mãe da minha mãe. Foi com quem eu tive mais contato e acho que meu referencial de avós foi construída com ela. Gente, o que essa mulher cozinhava era fora de sério. Natal era o dia mais especial do ano. Toda família reunida com direito a ceia tomando a mesa, música, cantoria de Noite Feliz e árvore de natal apoiada em um mar de presentes. Festeira essa mulher. Vaidosa: impecável com os cabelos e roupas. Caridosa. Gênio forte. Ela merece um post a parte.

Sobre o meu avô, pai da minha mãe eu sei muito pouco. Não me recordo sequer do nome. Mas, minha mãe uma vez me contou que ele comprava maria-mole para ela. E alguém que comprou maria-mole para a minha mãe durante a infância difícil que ela teve já merece o meu respeito. Valeu, vô!

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Tem coisa mais linda do que ouvir o marido dizer apontando uma foto no álbum de casamento dos pais “Essa era minha avozinha” (mãe da mãe)?? Não, não tem. Derreti!

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O mais interessante de escrever um texto sobre a data comemorativa de hoje, dia dos avós, é me dar conta de que os meus antepassados, sem exceção, tiveram vidas bem difíceis. Nenhum deles teve uma infância ou juventude tranqüila com direito a brincar e ser feliz. Todos foram bem pobres, passaram por muitas necessidades, tiveram que batalhar e trabalhar muito e tiveram pouco tempo para ser feliz no amor e na vivência em família.

Talvez não tenham sido bons pais olhando do ponto de vista do que hoje consideramos ser o ideal. Por vezes fiquei chocada com histórias que meu pai e minha mãe contavam dos pais deles. Mas, fui crescendo e aos poucos me dei conta de algo Divino porque só pode ter sido obra Dele mesmo.

Após anos e anos, gerações, hoje posso dizer que tive uma infância feliz. Eu pude brincar ao invés de trabalhar, não passei fome, nem frio, nem apanhei que nem bicho, tive caixa de lápis de cor com 36 cores, pude estudar em boas escolas, fui a faculdade, tive pares e mais pares de sapato, brinquei de boneca, ainda bebê conheci a praia…e tudo isso só foi possível porque lá atrás, há décadas, meus avós começaram a batalhar para ter a garantia de uma vida melhor para eles, para os filhos deles, para os filhos dos filhos deles.  

Obrigada avós! A trajetória continua. Agora poderei dar uma infância e vida ainda melhor para o Pedro que, com certeza, saberá da história de vocês. Porque eu vou contar a ele que ele faz parte de uma família de fortes.

Curiosidade: Nunca gostei desse negócio de fazer homenagem familiar com nome de filho como foi obrigada a fazer a Kate Midleton com seu George Alexander Louis. Mas, depois que o Pedro nasceu minha prima me contou que meu bisavô se chamou Pedro! Não sei nada sobre ele, mas me disseram que minha avó gostava muito dele o que já me deixou aliviada. Bem…fiz uma homenagem sem saber. He he he

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Sobre culpa e fungos

Então, você tem um dia cansativo de trabalho e o tempo está frio como…como…como naqueles documentários sobre a saga dos pingüins nas tempestades de neve. Aí você fica super feliz porque o marido foi te salvar buscar no metrô e a sogra fez uma sopinha ma-ra-vi-lho-sa que vai te liberar de fazer jantar quando chegar em casa (fora que a comida dela é sempre uma delícia!). Até que às 11 e tanto da noite você vai trocar a roupa de cama do berço do filhotinho.

Tira tudo e começa a colocar a limpa. Levanta o colchão e…AAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHH visualiza algo verde no estrado do berço.

M-O-F-O!

Como assim, mofo?????

“Amooorrrrr, vem ver uma coisa!”.

Chega o marido e fica com a mesma cara de “Ãhn? Como assim mofo?”. MOOOOOOOFOOOOOOOO. Caramba, meu. Não basta estar super frio e você querer dormir logo…tem que ter uma surpresa dessa. E o que eu faço? Não há previsão de sol pelo menos por mais uma semana.

Me digam como aquele mofo foi parar ali? Está sempre tudo arejado. O local onde fica o berço (obviamente) não é úmido. O Pedro só molhou o colchão (e foi bem pouco) uma vez que a fralda vazou xixi e eu esturriquei o estofamento num sol escaldante de verão. Nada que justifique aquele mofo verde intruso ali. Aliás, não só num ponto. Ele estava em mais de uma ripa do estrado.

Primeiro fiquei irritada, brava. Mas, depois uma culpa foi tomando culpa de mim.

“Amor?!” (sussurrando)

“Hum?” (marido quase dormindo e soterrado embaixo do edredom)

“Como foi que o mofo foi para ali? Será que é por causa disso que ele andou com o nariz ruim?”

“Não sei. Acho que não”. (marido fofo tentando me acalmar…e dormir. kkkkk)

Fiquei pensado naquelas imagens com zoom que vemos da colônia de fungos na época da escola. Milhares e zilhões de fungos. Depois pensei nos ácaros em como são feios e terríveis para nosso sistema respiratório. Pensei no pulmão broncodisplásico dele. Tanto cuidado para não pegar vento, meses sem sair de casa e definitivamente no nosso caso o inimigo estava morando ao lado! kkkkkkkk

O jeito foi limpar tudo e ir dormir. Mas, engana-se quem pensou que este foi o fim da noite. Alguém sabe de algum efeito toxicológico causado por fungos que fazem a criança não querer dormir?! Pedro estava elétrico.

Não embalava o sono sabe?! Ficou acordando trocentas vezes e reclamava até a gente pegar no berço. Estranho porque ele nunca faz isso. Uma vez no colo…dormia em questão de segundos. Era por no berço e os olhos se arregalavam. Após muitos embalos ele dormiu por algumas horinhas. Se eu dormi?

Eu levantei várias vezes para ver se ele estava coberto porque agitado daquele jeito ía se descobrir com certeza. Até que lá pelas cinco da madruga ele acorda e fica resmungando no berço para gente pegar. Fui, dei tete, ele cochilou. O coloquei no berço e ele…ACORDOU animado para brincar. Gente, nessa hora deu vontade de chorar e gritar de irritação por causa do sono.

Se tem uma coisa que me tira do eixo é ficar privada de dormir. Eu não consigo. Minha biologia não permite. É fisiológico. Sempre fui assim. Olhei pra ele no berço e disse que não iria pegá-lo, que era hora de dormir e não de brincar. Ele deu mais uns resmungos e eu saí de perto repetindo interiormente “Por favor, não chore volte a dormir. Por favor, não chore volte a dormir…”.

Dormiu. Acordou às 7h40 e eu pensando nos fungos. Me sentindo a maior culpada pela invasão desses monstros. Como eu não os percebi ali tão debaixo do meu nariz?! Que mãe eu sou? Me senti culpada. Pensei no risco para os pulmões.

Com o passar do tempo a maternidade te ensina a racionalizar mais (ou minimamente). Tratei de pensar que o episódio nada tinha haver com a minha maternidade, nem com falta de atenção com o Pedro.

Dizem que a gente vive melhor quando aprende a rir até dos problemas. E eu ri dessa história hoje pela manhã quando lembrei da frase “O primeiro filho é um sobrevivente”. Ela nunca fez tanto sentido! kkkk

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Lembro-me desse momento da minha mãe. “Que mulher especial é você!” Tinha tudo para ser uma pessoa triste, infeliz e revoltada com a vida. Poderia não acreditar no amor e tampouco respeitar o próximo já que tantas vezes não tiveram sequer consideração com você. No entanto, você é doce, carinhosa, alegre…a mãe mais linda que eu poderia ter!

Hoje eu te entendo mais. O nascimento do Pedro me fez te compreender e até chorar quando percebi o quanto devo ter te deixado de cabelo em pé de preocupação. Não que eu tenha sido uma má filha. Longe disso. Sempre fui comportada como sabe. Mas, me refiro a preocupação de mãe sabe?! Enquanto estive com o Pedro no hospital me lembrei várias vezes daquela vez que fiquei internada quando era menina e ninguém sabia o que era. Imagino como seu coração deve ter sofrido.

Fiquei embasbacada ao descobrir o quanto sempre fui amada, pois agora sei o que é amor de mãe e filho. Obrigada por tudo sempre. O seu ventre e teus seios, seu amor, as noites sem dormir, os ensinamentos, as brincadeiras, o colo, os princípios, os livros, a fé, os bolos, os franguinhos com batata, as gemadas nas gripes intermináveis…

Mãe, se algum dia passou pela sua cabeça que você errou comigo. Deixa disso! Você foi a melhor para mim. Te amo!

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Atualizações!

– Você foi na primeira festinha de aniversário da sua vida. Domingo fomos festejar o aniversário da Jujuba e advinha? Você entrou na piscina de bolinhas. No começo fez que ía chorar. Mas bastou eu começar a mexer nas bolinhas ao seu redor para você começar a sorrir e tentar pegá-las também. Depois de um tempo ficou paralisado olhando aquele mar de bolinhas coloridas. O que será que estava passando pela sua cabeça, hein?

– Você está quase rolando sozinho (virar de barriga para baixo) e em poucos dias te veremos sentado sozinho sem apoio! Você só desequilibra quando se empolga demais e acaba se jogando para trás…ou para os lados. Kkkk

– A hora do banho está cada vez mais animada….e nós cada vez mais molhados! Lembro que quando te levamos para casa você não gostava muito de tomar banho (Cascão!), mas agora é só alegria. Começo a tirar a sua roupa e você já agita as perninhas e braços. Te coloco na banheira e pronto: é água para todos os lados. Você balbucia “aguuu, aguuu” e chof chof chof molha minha roupa, meu pé e quem está por perto. Você adora os patinhos de borracha e os “monstrinhos-bola” que soltam água pela boca (presente da tia Li).

– Está com a deliciosa mania de pegar no rosto de quem está no colo. Passa a mãozinha, tenta pegar o nariz (as vezes pega), olha olha olha. Um fofo.

– Para tocar sua fralda está cada vez mais difícil. Agora você fica se virando olhar qualquer coisa no trocador.

– Na hora da papinha você está um moço abrindo a boca sozinho quando a colher chega perto. Pegou a mania de ficar segurando o cinto de segurança do carrinho também enquanto come. Pega, alisa, olha, solta. Pega de novo, segura na pontinha, alisa, solta…..

– Sente cócegas nas costelas, cócegas no bumbum, cócegas no pescoço…tá um verdadeiro “cosquento”!

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Ah! Os seus olhos…que lindos olhos

Pedro, deixa eu te contar sobre um dia incrível que tivemos. Faz um tempo já e olha a contradição: foi no hospital.

Apesar de termos muitos momentos importantes na nossa relação de mãe e filho têm alguns que são mais marcantes, sabe? Hoje estou me referindo a primeira vez que te vi de olhos abertos a me fitar lá de dentro da incubadora. Era um domingo nublado. Você ainda não enxergava (retina incompleta), tampouco sabia que eu era sua mãe, mas foi emocionante. Foi a primeira vez que  falei de verdade com você. Cantei também.

No tempo da barriga eu achava muito estranho falar com você apesar de todo mundo me aconselhar. Quer saber do mais maluco? Eu conversava com você em pensamento nesse tempo. Veja só: eu que achava estranho conversar com a barriga, conversava em pensamento porque achava menos doido. Vai entender a cabeça de uma grávida, não?! kkkk

Mas, voltando…fiquei admirada de ver seus olhos abertos. Lembro de pensar na perfeição da natureza e agradecer a Deus por ter a oportunidade de vivenciar aquele instante. “Oi Pedro. Eu sou sua mãe. Que olhos lindos você tem”. Com o tempo entendi que não eram os seus olhos em si (embora ache lindo as duas jabuticabinhas levemente puxadinhas) era o seu olhar.

Que olhar mais profundo você tem. Curioso. Atento. Com a amamentação essa minha paixão aumentou ainda mais. Te dar o peito e ver sua carinha de satisfação me deixava super contente. Você que já amamentou, lembra-se dessa expressão?! Incrível, né?!

O legal é que gravei esse momento e ele ficou eternizado. Agora posso mostrar. Na época gravei para o seu pai que estava trabalhando e para aqueles que sempre oravam e torciam por você. Assim pude mostrar a sua garra. Sempre que revejo as imagens da época do hospital tenho certeza de estar assistindo um vídeo real sobre milagre. Ali diante dos meus olhos estava você. A cada dia me mostrando que a sua vida não dependia de mim, nem somente dos médicos e de dinheiro, mas da vontade de uma força muito muito maior.

Depois desse dia eu e papai nunca mais fomos embora antes de você dormir. Não deixávamos você enquanto estivesse com os olhinhos abertos. Fiz o possível para você não se sentir sozinho. Te amo.

PS: O vídeo tem imagens (óbvio) de bebê prematuro na UTI, gente. Não é fofo. Ele tinha oito dias de vida. Mas, você vai achar lindo se conseguir enxergar a beleza da vida! Espero que após ver o vídeo você tenha mais fé, mais esperança e entenda que é possível vencer mesmo quando tudo indica o contrário. O Pedro está aí para provar isso. Bom fim de semana a todos!

SAMSUNG

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Os primeiros dias em casa e a fofurice do dia

Eu leio muita coisa durante o dia e o tema “primeiros dias do bebê em casa” é bem comum. Então fiquei pensando em como foi comigo e com o Pedro. Engraçado, mas NENHUM relato dizia: “Ah, foi super fácil”, “Tirei de letra”, “Sabia exatamente o que fazer”, “Não chorei junto com o meu bebê”, “Nunca me senti sozinha com meu filho recém-nascido”. E sabe por que não lemos isso? Porque o começo é muito difícil mesmo.

A gente nunca foi mãe e “de repente” estamos ali com aquele pacotinho dependendo da gente para tudo. É falta de entrosamento, é excesso de responsabilidade, é preocupação em ser a melhor mãe que podemos ser. Nesse momento a gente ainda não sabe que

Comigo e com o Pedro teve a questão do hospital. Estava exausta, física e emocionalmente, dos 90 dias de internação dele quando o dia da alta chegou. Fiquei explodindo de felicidade e morrendo de medo de levá-lo para casa…tudo ao mesmo tempo. Lembro de ter confirmado a notícia (já pré-avisada) por telefone, ter saído correndo para o quarto, pulado na cama e dito para o marido “Vamos buscar nosso bebê!!!!!”.

Avisei a família que finalmente o levaríamos para casa e fiquei em estado de agitação permanente. Acho que deve ser essa a sensação de uma mulher que consegue ter um parto em tempo normal e vai para a maternidade sabendo que o bebê estará em seus braços em questão de horas. Enfim, cheguei no hospital a mil e estava tão afoita que troquei a roupinha dele toda atrapalhada. Parecia que era a primeira vez que fazia aquilo. Então, chegou o momento de levá-lo para fora da porta do hospital. De passar por aqueles corredores, elevadores e saguão agora com ele no colo. Na saída chamei a recepcionista que me dava o crachá todos os dias para ela o conhecer.

Lembro de entrar no carro, colocá-lo na cadeirinha e me dar conta de como ele ainda era pequeno e frágil mesmo com três meses de vida. Era muita cadeirinha para pouco Pedro. Eu precisava até colocar a mão nas costas dele para o cinto, apertado no máximo, não ficar folgado demais e também para não deixar o pescoço dele “dobrado” e dificultar a respiração.

Lembro de ter pensado “Sério mesmo que vão me deixar sair com ele? As pessoas sabem que eu não faço ideia de como cuidar de um bebê?”. No caminho para casa redescobri como a cidade é barulhenta e poluída. Pensava “Nossa esse ar horroroso está entrando no pulmão dele. Bem no pulmão dele que só respirou ar de hospital e que é broncodisplásico”.

Fui o caminho todo tensa. Pensando se ia dar conta, rezando para ele não passar mal e ter que voltar correndo para a emergência. Chegamos em casa onde minha mãe já nos aguardava com o almoço. Pusemos ele na sala ainda na cadeirinha. E depois tem um ‘gap’ na minha memória. Não sei o que fiz com ele depois naquele dia.

Mas, me recordo de ver como o berço era enooorme para ele. De levantar umas…VÁRIAS vezes durante a noite para ver se estava tudo bem, se estava coberto, para amamentar, para verificar a respiração. Aliás, a checagem da respiração era uma ação compulsiva minha. Verificava milhares de vezes por dia. Parava de lavar a louça na metade só para ver a barriguinha subindo e descendo. Quando não podia parar pedia para o marido ver se estava bem e sem-pre perguntava se ele tinha checado a respiração. Típico trauma de quem é mãe de filho que ficou na UTI com respiração mecânica (40 dias de entubaçao, uma semana no cepap, dias a perder de vista com oxigênio na incubadora e depois em máscara).

Até que um belo dia depois de pensar (e chorar) 54892 de vezes que não vai conseguir, que não vai dar conta, que você é pior mãe do mundo, acontece uma certa mágica no infinito que nos empresta força e sabedoria e as coisas simplesmente fluem. Bruxaria, feitiçaria, magia, mandinga….sei lá. Um dia nos damos conta de que passou aquela fase nada cor de rosa sem contato social de arrancar os cabelos inicial.

O que antes amedrontava não assusta mais. O que antes era difícil se tornou corriqueiro. E o melhor: percebemos que nosso filho nos adora mesmo quando não sabemos o que ou como fazer. Até porque ‘toda’ mãe é perfeita. A sua não é? E ela não sabe o que fazer o tempo inteiro, né?! Então.

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Fofurice do dia

Hoje o Pedro acordou às 4h30 da madrugada querendo mamar. Preparei a mamadeira, dei para ele. E caí na cama de novo. Como o berço dele ainda está no meu quarto comecei a ouvir aquele ronc-ronc de nariz entupido. Pensei “aiiii vou ter q levantar de novo. Está tão frio fora do edredom!”.

Ronc-ronc………ronc-ronc……..ronc-ronc……ronc-ronc……..

HUNF! Levantei e fui buscar o soro no quarto dele. Quando voltei ele já estava de olhinho fechado quase dormindo. Dei uma mexidinha nele para ele não acordar assustado com o soro entrando pela narina. Ele abre o olhinho me vê com o vidrinho na mão e fica esperando.

Tchuf em uma narina. Tchuf na outra.

Olho para ele para me certificar se está tudo bem. Ele fecha os olhinhos e sorri como se estivesse falando “Ufa, obrigado. Tava ruim para respirar. Agora guarda o soro e vamos dormir, mamãe!”.